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É possível superar sozinha o medo de namorar?

Anette Lewin 12/05/2017 PSICOLOGIA
É possível superar sozinha o medo de namorar?
Fonte: imagem Pixabay
Relacionamento é uma negociação constante

por Anette Lewin

Depoimento de uma leitora:

"Olá doutora, preciso de sua ajuda, pois não consigo me relacionar com as pessoas. Fico procurando por um amor, mas não encontro. Todos os caras que eu gosto não olham para mim. Outros têm interesse, só que eu não por eles. Não consigo ficar com alguém por quem não sinta nada. Acabo ficando sozinha. E o pior mesmo é que, por medo de namorar, me afasto de quem está interessado."

Resposta: Parece que você ainda enxerga o relacionamento amoroso como algo extremamente idealizado; você se imagina encontrando uma pessoa que provoque em você todas as sensações boas ao mesmo tempo: que a mobilize, que a faça sentir-se à vontade, que goste de você de cara, mesmo sem conhecê-la a fundo; enfim, que caiba sob medida no formato que está na sua cabeça.

Bem, na realidade não é assim que as coisas acontecem. Um relacionamento se faz no dia a dia, se constrói aos poucos. Até que ele ganhe uma forma, muitas emoções acontecem: algumas agradáveis, outras, nem tanto. É preciso passar por tudo isso para concluir se um relacionamento vale a pena ou não. Precipitar-se, no campo amoroso, ou se deixar levar pelas emoções do primeiro encontro só traz prejuízos. Você acaba jogando fora aquilo que pode ser bom, ou se assustando com o que está virando real. Esse é o primeiro ponto a ser revisto.

Fantasias idealizadas

Portanto, antes de concluir que "quem você gosta não gosta de você e quem gosta de você você não gosta", procure tentar se aproximar de quem aceita se aproximar de você. Sim, existe uma escolha inicial que nos faz preferir determinados tipos físicos a outros, determinadas atitudes a outras mas, certamente, não são só essas características que definirão a possibilidade de um relacionamento dar certo. Até um casal começar a se entender, muita água vai rolar. Assim, a não ser que a pessoa que tenta se aproximar de você seja avaliada como "repulsiva" fisicamente, ou seu jeito incomode demais, dê uma chance. O máximo que pode acontecer é você não gostar e sair da relação depois de alguns encontros. Mas, pelo menos, terá tido a chance de conhecer uma pessoa nova, diferente de você, e ganhar experiência em se relacionar de verdade. Porque se relacionar com as suas fantasias idealizadas, é relacionar-se com você mesma, não com alguém de carne e osso.

Então, "eu não posso escolher quem eu quero?", perguntará você. Talvez no início isso seja difícil. Porque, em geral, existem pessoas que são muito bonitas ou muito carismáticas, e todo mundo quer. Mesmo sem saber como são de fato. Assim, se você escolher uma dessas pessoas, terá que competir com muita gente. Não é fácil para quem não tem experiência. Portanto, quem está se iniciando na vida amorosa, ganha mais se optar, como foi dito acima, por ser escolhida. Escolher é para quem já tem experiência e sabe muito bem o que quer. E mesmo assim, nem sempre dá certo.

Saiba que conseguir conquistar ou ser conquistada por alguém representa apenas o início de um relacionamento. Uma relação que começa de forma intensa pode esfriar depois de alguns encontros. Não existem garantias. É claro que atitudes são importantes nas trocas amorosas, mas muitas vezes, as pessoas agem intuitivamente e desistem no meio do caminho. Se isso ocorrer, evite sentir-se culpada e achar que errou. Afinal, como relata,você mesma já se afastou de alguém interessante sem saber por que, não é? Assim, se alguém com quem você começa a se relacionar sumir sem aviso prévio, simplesmente aceite a realidade e procure outras pessoas até encontrar aquela com quem a relação flua até o ponto de fazerem planos juntos. Afinal, de nada adianta você tentar mudar sua essência para conquistar alguém. O importante é encontrar quem goste de você como você é.

Certamente, quando começar a namorar, você deverá respeitar pontos que são essenciais em qualquer relação amorosa: abrir mão de algumas vontades em nome do relacionamento; saber colocar-se no lugar do outro; interessar se de verdade pela pessoa que está construindo algo com você; saber quando é hora de falar e quando é hora de calar... Enfim, todas as atitudes que são essenciais para que um relacionamento flua. Não é necessário deixar de ser você, mas é necessário deixar de ser egoísta e querer tudo do seu jeito e no seu tempo. Relacionamento é uma negociação constante.

Depois de todas essas reflexões, se você ainda se perceber insegura para entrar no mundo dos amores, procure um profissional que possa ajudá-la a conhecer-se melhor e sentir-se mais segura para a batalha da conquista. Não é uma batalha impossível, mas exige disponibilidade, maturidade, empenho e dedicação. Mãos à obra!

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de uma psicóloga e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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TAGS :

    medo, namorar, amor, ideal, cara, metade, escolha

Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.



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