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Sou ciumenta ao extremo e meu namorado se diverte com isso. O que fazer?

Anette Lewin 26/04/2017 PSICOLOGIA
Sou ciumenta ao extremo e meu namorado se diverte com isso. O que fazer?
Fonte: imagem Pixabay
Qualquer relacionamento tem que ser reavaliado de tempos em tempos

por Anette Lewin

"Eu tenho ciúme demais e sou controladora em relação a tudo o que meu namorado faz. Fico incomodada até com o fato dele olhar o celular. Isso já me mata por dentro. O pior é que ele se diverte com meu ciúme."

Resposta: Você tem consciência de que seu ciúme é exagerado; sabe que é controladora; sabe que tudo o que seu namorado faz a incomoda. O que talvez você não saiba, é o que seria um bom relacionamento entre você e seu namorado. Algo diferente do que vocês vivem. Parece que existe uma espécie de "trato" entre vocês que faz com que você " sofra por ciúmes" e ele se "divirta" com seu sofrimento.

Primeiramente, seria importante você entender por que é tão ciumenta. Sempre foi assim? É assim só com ele? Alguma atitude dele justifica essa ciumeira toda? Será que você acha que ele é "muita areia para o seu caminhãozinho"? Tente responder a essas questões e entender um pouco mais sobre você e suas inseguranças.

Em seguida, tente entender um pouco mais sobre ele. Por que será que ele se diverte com seu sofrimento? Ora, alguém que se diverte de verdade com o sofrimento do outro pode ser caracterizado como uma pessoa sádica. Será que você escolheu uma pessoa má para namorar? Claro que não, não é? Então, talvez, ele entende que seu ciúme é injustificado, mas não deixa de se sentir " importante" quando você se descabela por ele. Afinal, quem não gosta de saber que consegue provocar no outro reações tão intensas? Bem, se for assim, vocês podem estar vivendo uma reação de codependência onde cada um reforça a atitude neurótica do outro: você imaginando que ele tem milhões de mulheres além de você, sendo assim o super-homem que todas desejam, e ele, sentindo-se com o ego muito inflado por ter uma mulher que "sofre" tanto por ele.

Para sair desse círculo vicioso, talvez valha a pena você tentar responder à questão levantada acima: O que seria um bom relacionamento entre você e seu namorado? Uma vez que as reações de ciúme partem de você, talvez valha a pena tentar evitar que seu foco de atenção fique nele o tempo todo. Se você quer abrir espaço para dividir com ele outros assuntos que não seu ciúme, você tem que se fortalecer como pessoa e trazer novas vivências para sua vida pessoal.

Frequente novos grupos de pessoas, faça novos cursos, enfim, mude o foco para você e reforce sua autoestima ao invés de ficar reforçando a dele com ciúmes exagerados.

Talvez assim, ao invés de proporcionar a ele um divertimento neurótico através de seus pontos fracos, você consiga construir junto com ele novas situações onde ambos possam se divertir juntos de verdade.

Lembre-se que mudar de comportamento numa relação amorosa pode despertar no parceiro uma sensação de insegurança e desconfiança. Assim, talvez valha a pena conversar com seu namorado e contar a ele que você vai tentar reagir de modo diferente para que a relação de vocês possa melhorar. Se você sentir que ele reage bem a essas mudanças, ótimo. Caso, porém, você sinta que ele continua se comportando como se nada estivesse acontecendo e tende a provocar seus ciúmes para que a relação volte ao que era, sinalize para ele que você não quer mais jogar esse tipo de jogo. Incentive-o a mudar junto com você para que a relação possa amadurecer.

Finalmente, lembre-se que qualquer relacionamento tem que ser reavaliado de tempos em tempos. O que foi bom no passado pode não servir mais para o presente ou o futuro. Pessoas mudam. Circunstâncias também. Assim, evite deixar que atitudes e comportamentos se tornem crônicos formando um círculo vicioso do qual fica difícil escapar. Aquilo que não funciona mais deve ser modificado para que a relação sobreviva. E quem deve mudar, certamente, é quem se sente mais desconfortável na situação. Esperar ou pedir para que o outro mude não funciona. Só aumenta a angústia e sensação de fracasso.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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    sou, muito, ciumenta, namorado

Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.



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