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Meu marido sempre que perde a calma me bate. O que faço?

Anette Lewin 17/03/2017 PSICOLOGIA
Meu marido sempre que perde a calma me bate. O que faço?
Fonte: imagem Pixabay
Consequência da agressão é o seu perdão

por Anette Lewin

“Depois ele se arrepende, chora, pede perdão, fica uns dias de boa e depois faz tudo de novo. Tem chances de uma pessoa assim mudar?”

Resposta: Seu relato é de um relacionamento onde ele agride e você perdoa. A dinâmica desse relacionamento envolve um ritual onde a consequência da agressão é o seu perdão. Ou seja, o comportamento inadequado é recompensado. Ora,  todo comportamento recompensado tende a persistir ou até aumentar. Assim, se tudo o que você fizer for perdoar, ele vai continuar batendo. E, claro, se você ficar esperando que ele mude, nada vai acontecer.  Então, sua pergunta deve ser reformulada. Ao invés de perguntar "Tem jeito de uma pessoa assim mudar?" Pergunte-se: será que eu posso mudar alguma coisa no meu comportamento que faça com que ele pare de me agredir?

Não custa tentar. Mas como essa dinâmica de vocês já se tornou crônica, supõe-se que não é de uma hora para outra que as mudanças ocorrerão.

Antes de mais nada, pergunte-se como tudo isso começou. Você se lembra da primeira vez em que ele bateu em você? Por que foi? Como você reagiu? Você acha que ele teve algum motivo para isso? Por que ele perdeu a calma? Você o irritou? Sim, é importante que antes de qualquer coisa você entenda em que momentos ele perde a razão a ponto de usar a força física e qual o papel de cada um de vocês nessas situações. Certamente, a não ser que ele use álcool ou drogas, quando uma pessoa agride a outra fisicamente existe uma situação de conflito antes. Tente entender da melhor forma que você puder, quais os passos que acabam culminando numa agressão física.

Pergunte-se também por que você perdoou da primeira vez. Existem mulheres que jamais perdoariam esse tipo de agressão; existem outras cujo "sexto sentido" lhes diria para ficar longe de homens como ele antes mesmo do relacionamento começar.

Por que, para muitas, o ato de apanhar integra a rotina do relacionamento?

Você o aceitou e vai aceitando apanhar dele como se isso fizesse parte de uma rotina de relacionamento normal.  Certamente ninguém pode julgar o outro, pois como diz o ditado: "O coração tem razões que a própria razão desconhece". Se você aceita ser tratada da forma com é, talvez haja algum motivo pessoal para isso.

Muitas mulheres foram criadas em ambientes agressivos e percebem bater e apanhar como parte da vida cotidiana; outras têm uma autoestima tão baixa que acreditam que merecem os tapas que levam; algumas ainda podem ser pessoas depressivas cujo vazio interior as leva a provocar ou manter situações de agressividade para se sentirem vivas. Sim, a razão de cada um não deve ser julgada, mas certamente, se você tentar entender os seus porquês, conseguirá pensar em alguma saída com mais facilidade.

Com as coisas mais claras em sua cabeça, é hora de ter uma conversa com seu marido, hora de perguntar a ele quais os motivos que ele tem para agredi-la; hora de ouvir atentamente o que ele tem a dizer, caso ele se proponha a dizer algo; é hora de você se posicionar. Como? Aí depende de você.

Você pode, por exemplo, propor:

- na hora em que a situação de conflito se iniciar, ambos pararem de discutir, pois já sabem aonde isso leva;

- pode propor que conversem mais para que as pequenas rusgas do dia a dia não se acumulem e levem a situações de explosão;

- pode propor novas atividades em conjunto;

- pode propor também que quando beberem (se beberem) não discutam, enfim, usando a sua intuição pode propor tudo aquilo que parecer sensato a você.

Vai dar certo? Não sabemos. Mas é importante que caso nada mude depois disso, você decida de uma vez por todas se quer ou não continuar nessa relação. Porque viver esperando que um milagre aconteça é perder tempo e perder a chance de encontrar alguém que a trate com mais respeito. Se você concluir, é claro, que  respeito é importante na sua escala de valores. Pense nisso.

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.

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TAGS :

    marido, bate, violência, mulher, perdão, briga, faço
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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.

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