DESTAQUES

Nosso amor de fato acabou?

Arlete Gavranic 31/01/2017 COMPORTAMENTO
Nosso amor de fato acabou?
Fonte: imagem Pixabay
Será apenas uma fase de crise, mágoas e ressentimentos?

por Arlete Gavranic

Todos os relacionamentos se iniciam envoltos em desejo de afeto, sexo, cumplicidade e de viver um sentimento de prazer em estar naquela relação. Mas nem sempre isso ocorre como foi desejado e muitos podem ser os fatores que fazem com que esses desejos sejam frustrados.

Em primeiro lugar temos que entender que somos diferentes como pessoas, cada um vem de uma história de vida familiar e pessoal, cada um foi desenvolvendo jeitos diferentes de enfrentar suas batalhas e dificuldades internas e sociais, uns com maior proatividade, outros com maior agressividade, outros sem muito poder de reação.

Podemos aprender com a vida, com as parcerias, com a terapia.  Mas até para que mudanças e crescimentos aconteçam, é necessário que haja uma atitude respeitosa e afetiva com o outro.

Algumas pessoas têm dificuldade em ouvir um não, ou em respeitar o desejo ou o ritmo de tomada de decisão do outro. E, ao invés de conversar e tentar entender, entram em um enfrentamento que em geral desqualifica o outro, ou guardam para si uma carga de decepção em relação à parceria, decepções essas que vão apagando o colorido do relacionamento.

Os temas dos conflitos em geral circulam ao redor de alguns eixos, relacionamento com família, frequência de desejo sexual, atitude de crescimento ou investimento social, traição e amizades.

Família e conflitos

A temática familiar sempre arrecada alguns pontos conflituosos na maioria dos relacionamentos, sejam eles homo ou heterossexual.  Relações muito dependentes, na qual muitos filhos dependem financeiramente dos pais, ou quando os pais necessitam de ajuda financeira ou têm postura abusadora com filhos, tipo ‘chantagem’ ou cobrança: “fiz por você e agora tem que retribuir”. Essa questão financeira traz muitos embates nos relacionamentos conjugais, pois existe, para muitos, a sensação de que estão deixando de fazer, ter ou viver outras coisas por conta dessa dependência, principalmente quando ela parece mais uma cômoda dependência.

Mas as dependências e interferências emocionais incomodam tanto ou até mais, pois acabam sempre significando uma valorização dessa relação parental sobreposta à relação do casal. Há pessoas que mesmo aos 30, 40 ou 50 anos mantêm o hábito de almoçar domingo com a família, ou sempre viajar de férias com eles, ou dependem da ‘orientação’ ou de uma simples opinião para decidir se deve trocar de carro, qual melhor modelo, se deve trocar de apartamento ou até mesmo qual melhor lugar para viajar de férias.

Isso quando não pedem ajuda para comprar uma roupa ou uma joia para presentear o par. Esse tipo de atitude dependente costuma gerar muitas discordâncias, sensação de não valorização de sua opinião e importância na relação.  É muito difícil para qualquer um dos dois conviver com a presença constante da interferência parental sem viver a decepção ou a perda de admiração.

Outro conflito frequente é a insatisfação na frequência de relações sexuais. Essa reflete uma leve diminuição de desejo sexual natural quando a fase da paixão vai se acalmando, mas não pode significar um desinteresse ou uma evitação, o interesse e o prazer deveriam continuar existindo.

O nascimento de filhos pode interferir, principalmente nos dois primeiros anos de vida da criança, pois o cansaço junto com a mudança do papel de mãe e as alterações hormonais (principalmente com a amamentação) e com possíveis conflitos com relação à imagem corporal e autoestima podem interferir negativamente no desejo.  

Para esses casos, há a necessidade de reaproximação do casal e uma organização com relação aos cuidados do bebê, para que o casal consiga mais tempo disponível para namorar. Essa reaproximação se faz necessária também para evitar a sensação de rejeição e desinteresse do parceiro, e a fim de minimizar possíveis traições.
Esse é um dos pontos de conflito gerador das maiores mágoas e decepções numa relação conjugal.  A sensação de ter sido traído(a),  trocada(o), desrespeitada(o), em suas inúmeras justificativas traz sempre  ressentimentos, dificuldades emocionais, sexuais  e somáticas.  

Amizades

As amizades também podem trazer conflitos. Ainda mais quando se tornam motivo de afastamento. Amizades antigas podem ser ótimas e importantes, mas se for um relembrar ou um reviver farras e aventuras e, se essas amizades anteriores não fizerem um bom vinculo com a nova parceria, podem se tornar até provocativas. É importante que a parte amiga tenha sensibilidade para perceber isso, senão irá alimentar rivalidade e  evitação.

Dinheiro e diferenças

Outro motivo que provoca muitos conflitos nos relacionamentos diz respeito a valores como as diferenças na maneira de pensar a administração financeira da vida familiar. É grande o número de pessoas (principalmente mulheres) que ainda esperam abandonar seus trabalhos e serem sustentadas pelo parceiro. Esbarramos aqui em uma dificuldade cultural, se o homem abandona ou se nega a ter um trabalho remunerado para colaborar com o orçamento doméstico, vamos encontrar criticas e julgamentos em relação à sua postura acomodada, mas se essa postura for por parte da mulher, ela poderá ser justificada pela vontade de ser mãe, de ser dona de casa ou pela baixa remuneração ou até como forma de evitar assédio. Muitas são as possíveis justificativas, para uns, infundadas, para outros, culturalmente justificadas.

A questão é que no momento atual são poucas as famílias que conseguem manter um bom padrão de vida - ainda mais quando se tem filhos. Mas essa questão precisa ser conversada entre o casal, alguns concordam em ter um padrão de vida mais simples para que um seja poupado do mercado de trabalho, outros não concordam e se sentem abusados em ter que manter a estrutura familiar sem apoio, além das constantes queixas com relação a outras conquistas ou melhorias que a ajuda financeira do outro poderia colaborar.

Ainda falando sobre conflitos relacionados à organização financeira, casais precisam conversar e combinarem um orçamento familiar. Se um dos dois é mais equilibrado e o outro for impulsivo nos gastos, isso poderá gerar muitos desentendimentos além dos prejuízos. A necessidade de planejamento se faz necessária para minimizar discussões e desgastes na relação.

Há casais em que cada tendo um sua fonte de renda, dividem despesas da casa ou cada um assume determinadas contas, fazem uso do restante do dinheiro para uso pessoal,  muitas são as possibilidades. O importante é que o casal converse e planeje para se sentirem caminhando juntos.

Outro aspecto importante é o respeito ao estilo de cada um. Uns gostam de ler, outros de música, outros odeiam situações barulhentas, outros amam uma festa, balada ou show...  Negociar esses prazeres podendo em alguns momentos desfrutarem juntos (cada vez um pode ceder, se for possível) ou por vezes sozinhos, pode ser importante para que essa relação não vire sinônimo de se sentir obrigado ou reprimido frente a algumas situações.

Como podemos observar, as frustrações podem se tornar muito prejudiciais em qualquer relacionamento onde os parceiros não consigam conversar, planejar ou negociar.
Se essas negociações não acontecem, as mágoas e decepções vão se acumulando e aí podem gerar  desconforto, reduzindo o desejo de estar com essa pessoa que traz decepções ou que se mostra distante de construir uma sintonia de vida.

Ai frente esses desencontros, surgirão duvidas, inclusive se esse amor e atração acabaram ou se  geraram mágoas e ressentimentos que estão atrapalhando a aproximação do casal, pois para não se machucarem começam a ter atitudes de evitação um com o outro. Por isso, conversem, até mesmo antes de namorar, noivar ou morar junto; coloquem expectativas,  planejem e negociem sempre, para não deixar frustrar, esfriar e criar uma crise nessa relação.

Vamos negociar?




TAGS :

    casal, crise, fim, relacionamento, mágoa, ressentimento, casamento

Arlete Gavranic

Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual pela Sbrash, Coordenadora e docente dos cursos de Pós-graduação lato sensu em Educação sexual e em Terapia sexual do ISEXP/ Sbrash. Docente dos cursos de pós-graduação em Educação sexual e Terapia sexual da UNISAL e coordenadora do pós de Terapia Sexual da UNISAL.



ENQUETE

Para você, muitas vezes, ficar no estado de solidão pode significar sinônimo de alegria e liberdade?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2017
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.