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O que pode despertar a paixão por um padre? Como lidar?

Anette Lewin 22/12/2016 COMPORTAMENTO
O que pode despertar a paixão por um padre? Como lidar?
Fonte: imagem Pixabay
Avalie seu casamento, filhos e família

por Anette Lewin

“Gostaria de sua opinião a respeito de um "problema" meu. Sou casada há 18 anos e, sem perceber ou mesmo querer, me apaixonei pelo padre na igreja onde milha filha é coroinha. Não dá para me afastar de lá, tenho vergonha desse sentimento, mas passo o dia todo pensando nele... Não sei se deveria procurá-lo para conversar. Mas como falei, tenho vergonha do que ele pode pensar de mim... Também não quero magoar meu marido. Mas sigo aflita e com o pensamento nele há meses. O que fazer?”

Resposta: "Apaixonar-se" por pessoas que têm uma posição de liderança, como professores, médicos e líderes espirituais é bastante comum. Afinal, essas pessoas conquistaram uma posição de destaque e são vistas como pessoas bem-sucedidas, inteligentes, seguras, interessantes e protetoras. É o que se chama, em geral, de paixão platônica, um tipo de "paixão" que é mais um reflexo das qualidades que se projeta na pessoa, do que qualidades que a pessoa realmente tem; uma paixão que está mais na cabeça de quem se apaixona do que na realidade vivida a dois.

 Você diz que é casada há 18 anos e, aparentemente, não estava procurando um novo amor. Apenas encantou-se com uma pessoa que, provavelmente, encaixa-se no que foi dito acima: pessoa atenciosa, carismática, sensata. Talvez, ficar pensando numa pessoa "santa" de forma "pecaminosa" traga para você uma mobilização que o casamento de 18 anos não consiga mais proporcionar: sentimentos intensos, contraditórios e arriscados.

Talvez, apaixonar-se justamente por um padre, traga a você a garantia de que dificilmente o "pecado" se concretizará, afinal ele é um padre. Pode ser também que você esteja projetando nele a imagem do marido ideal que algum dia existiu na sua imaginação.

Enfim, podem existir muitas carências pessoais suas que você está tentando resolver através dessa paixão platônica.

Tente avaliar o que pode estar faltando na sua vida pessoal que desperta em você esse tipo de fantasia.

Você está na dúvida se deve ou não expor seus sentimentos para o padre. Bem, padres, em geral, são preparados para ouvir todo tipo de confissão e lidar com as pessoas que confessam. Assim, se você sentir que colocar seu sentimento para ele pode ajudá-la a sentir-se melhor, vá em frente. Mas existe uma probabilidade muito grande que ele a escute como padre e não como homem. Isso pode desapontá-la num primeiro momento, mas aliviá-la de uma obsessão que você afirma que está atrapalhando sua vida.

Caso sinta vergonha de abrir-se com esse padre, talvez algum outro possa ajudá-la a refletir sobre a questão e se sentir mais aliviada.

Talvez seja de sua personalidade fantasiar e devanear com situações idealizadas.

Será que esta é a primeira vez que você se apaixona por alguém "importante"?

Ou será que criar situações imaginárias faz parte do seu jeito de ser?

Sim, porque fantasiar situações, por mais absurdas e irreais que possam parecer, não representa, necessariamente, um comportamento patológico. Desde que você entenda que são fantasias e dificilmente se tornarão realidade; são ideias que flutuarão na sua cabeça para seu deleite pessoal e não objetivos reais a serem perseguidos.

Mas e se você quiser concretizar essa "paixão"? Talvez o que foi dito acima seja sentido como um balde de água fria em seu "pedido de cumplicidade" para esta que agora escreve. Bem, se você quer arriscar nada a impede. Mas, como você mesma diz, na vida nada é perfeito e tudo tem suas consequências. Depende de você o risco que quer correr.

Avalie seu casamento, filhos, família, e veja se vale a pena arriscar: com o padre ou com qualquer outra "paixão" que possa surgir na sua vida.

Lembre-se também que casamento, filhos, família, podem suprir uma parte de suas necessidades, mas não todas.

Considere a possibilidade de envolver-se com atividades "apaixonantes" dentro de sua ótica pessoal. Procure um grupo de pessoas que você ache interessante, um curso que você sempre quis fazer e nunca fez, um papo descontraído com amigos que a faça se divertir.

Tente aproveitar seu estado de paixão para conhecer um pouco mais sobre si mesma.

Pergunte-se: para onde me levam minhas fantasias?

Que situações eu crio no meu imaginário que me fazem querer voltar a elas obsessivamente?

Será que essas situações podem se concretizar no plano real?

Tente responder a essas questões para definir melhor quem é você e quais são seus desejos. Muito embora nem todos os desejos sejam realizáveis, ter consciência deles ajuda bastante no autoconhecimento.

E, por fim, lembre-se que sentir-se apaixonada é uma sensação mobilizadora que dá sentido à vida.

Encare a paixão como uma dádiva quando usada a seu favor. Evite sofrer ou atormentar-se por ela. Acostume-se a navegar nas ondas da paixão com consciência, soltura e desafio voltando à tona quando quiser respirar. Caso contrário, você pode afogar seus sentimentos nas profundezas infinitas do mar das emoções.

TAGS :

    paixão, padre
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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.

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