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A realidade é como uma bolha de sabão

Dulce Magalhães 17/10/2016 AUTOCONHECIMENTO
A realidade é como uma bolha de sabão
Fonte: imagem Pixabay
Divertir-se é renovar-se continuamente

por Dulce Magalhães

A realidade é como um instante, e quando se viu, já não é mais. Podemos guardar lembranças de bolhas toscas ou encantadoras que já vimos, mas são apenas lembranças.

Uma bolha de sabão surge do sopro, é matéria altamente perecível e impermanente, é translúcida e reflete tudo que está ao redor. Esse parece ser o retrato perfeito de uma existência. Surge do sopro fecundo da vida, vai se modificar e fenecer e assim como reflete tudo que está ao redor, também contém, dentro desta bolha transparente de vida, todas as coisas que espelha.

Isto é a realidade. Não é algo que foi, nem algo que será. É esta frágil bolha de sabão que representa este exato instante. E pode ser puro deslumbramento se formos capazes de compreender quão etéreo e sublime é o momento. Ou será uma triste experiência se quisermos nos apegar a uma determinada bolha. Não dá para armazenar, nem para manter uma bolha de sabão. Só podemos apreciá-la na medida de sua existência fugaz. Viu, viu, não viu, perdeu.

E quantos momentos perdemos? Quantos instantes escorreram pela mão enquanto estávamos distraídos olhando para outra coisa? Talvez o maior desafio de nossa vida seja acordar para o instante. Estamos sempre fazendo planos para o que virá depois ou pensando no que passou. É muito difícil estar no aqui e no agora. Tudo está acontecendo neste momento. As letras que vocês está visualizando, através de um sofisticado processo mental, estão se transformando em significado dentro de seu cérebro e, portanto, você lê e apreende o sentido do que está lendo.

Esses significados estão afetando seus sensores e você pode sentir ou não tudo que está ocorrendo em seu sistema, dependendo da consciência que apresenta neste instante. O ar que enche seus pulmões, o toque do papel, a sensação física de estar sentado, em pé ou deitado, o cheiro deste ambiente, as sensações de frio, calor, conforto, desconforto, relaxamento ou tensão. Tudo isso é a realidade. Tudo já está acontecendo, contudo, nós estamos distraídos e não percebemos que somos o espelho que reflete tudo que está ao redor, igualzinho a uma bolha de sabão.

Gosto muito de pensar na realidade com uma metáfora tão impalpável e sutil como uma bolha de sabão, pois costumamos achar que a vida é sólida, mas é ilusória a estrutura que criamos ao nosso redor. Pense bem, a vida não é sua casa, seu carro, seu emprego, seus status, nem sequer são os filhos que você trouxe ao mundo. A vida é essa bolha de sabão que aparece e desaparece de forma misteriosa, na brevidade do instante e tem a intensidade que nossa consciência permitir.

Tudo passa, já sabemos, o bom e o ruim, o mais espetacular e o mais desastroso. Tudo é impermanente, mas seja qual for a expressão do instante, este é o retrato milimétrico da realidade. Não há nada fora do agora. Tudo está aqui, todo o potencial, todas as experiências, todo o conhecimento, toda a capacidade, toda a vida.

Podemos acreditar que haverá outro momento, outro tempo, outra oportunidade, mas certeza mesmo é deste único, exato, restrito e fugídio instante. No mais, é o ilusório desejo de que da máquina cósmica de onde saem as bolhas do instante, continue surgindo mais e mais bolhas onde possamos navegar na realidade presente. Vamos tendo a sorte de continuar recebendo as bolhas do momento, mas em algum tempo essas bolhas vão cessar e o que foi aproveitado foi, o que não foi, perdeu-se.

Talvez seja tempo de reaprender a brincar. Ninguém vê uma criança parar de brincar com as novas bolhas de sabão por pensar nas bolhas que foram ou nas que ainda virão. A criança mergulha no instante e vive plenamente o momento. Essa capacidade de brincar é um atributo da habilidade humana de divertir-se, que é uma palavra latina que tem como raiz o diverso, a diversidade, o sempre novo. Divertir-se é renovar-se continuamente, é experimentar cada instante como novo.

Por isso uma criança pode brincar 50 vezes da mesma coisa com a mesma energia e alegria da primeira vez. O tédio é a falência da imaginação. Só aqueles que se divertem é que podem superar o tédio e viver em plenitude a vida. Experimente!




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Dulce Magalhães

Ph.D. em Filosofia com foco em Planejamento de Carreira pela Universidade Columbia (USA); Mestre em Comunicação Empresarial pela Universidade de Londres (Inglaterra); autora dos livros: O foco define a sorte; Manual da Disciplina para Indisciplinados; Superdicas para Administrar o Tempo e Aproveitar Melhor a Vida. Especialização em Educação de Adultos pelas Universidades de Roma (Itália) e Oxford (Inglaterra).



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