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Quem é você? Desperte-se para sua verdadeira natureza

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
A vida nos presenteia com seus movimentos de pura poesia

por Patricia Gebrim

A vida é surpreendente... vez ou outra, quando menos esperamos, nos presenteia com um de seus movimentos feitos da mais pura poesia.

Talvez nem todos se deem conta disso, eu sei. Muitos de nós somos diariamente tragados por uma correnteza interminável de obrigações e afazeres que acaba levando com ela o que temos de mais precioso, a nossa alma. Uma observação: quando digo "alma" não me refiro a nenhum conceito esotérico ou religioso. Quando digo "alma" me refiro àquela parte de nós que sabe que existe um sentido maior para essa nossa existência do que trabalhar, pagar contas, comer e contar os dias até que possamos viajar por alguns dias para um "resort" bacana durante as tão sonhadas férias.

É a "alma" em nós que nos permite seguir pela vida sem nos perdermos da inocência da criança que fomos um dia. É claro que é necessário que percamos um bom tanto da ingenuidade para viver em um mundo como o que vivemos. Mas a inocência... ah! a inocência!!!... essa nunca deveria ser deixada para trás! É ela que nos permite acreditar em nós mesmos, nas pessoas, na vida. Não importa quantas vezes tenhamos nos ferido. Não importa o número de cicatrizes que enfeitem nossa pele humana tão cheia de falhas e imperfeições. Não importa que tenhamos encontrado ogros e dragões de mau hálito todas as vezes em que decidimos dar um passeio pela floresta. A inocência nos diz que podemos continuar a arriscar!

Sem risco, não há vida!
(Eu sei que vivo escrevendo sobre isso, mas não consigo deixar de pensar na importância dessa mensagem!).

Cabe a cada um de nós reescrever, a cada dia, o final de nossa história. Podemos usar o nosso passado como uma boa desculpa para nos tornarmos amargos, fechados, cheios de defesas, irônicos, sarcásticos e até mesmo cruéis. Mas podemos também aceitar que tudo o que vivemos foi parte fundamental da estrada que nos trouxe a este exato momento, agradecer e olhar para o nosso futuro como um artista olha para uma tela em branco; despejando sobre essa brancura os nossos sonhos, inclusive os que parecem impossíveis. Mesmo se não puderem ser realizados, os sonhos tornarão a nossa vida mais colorida. Por que viver em preto e branco quando existem tantas cores à nossa disposição na paleta da vida?

Estou falando de escolhas, estou falando que você, que me lê aí do outro lado dessa tela, pode mudar a sua vida quantas vezes quiser. Não existe nada que aprisione você a não ser as crenças que você mesmo construiu. As grades são absolutamente ilusórias e incapazes de impedir seu movimento, se você assim quiser.

O que você quer para a sua vida?
(Você deveria fazer a si mesmo essa pergunta de vez em quando, é assim que o processo de mudança se inicia.)

Tudo pode mudar de um momento para o outro. Zapt!!! Um pequeno desvio no caminho, e uma nova vida se desdobra à nossa frente. Tudo pode mudar - se ao menos você puder sair dos trilhos conhecidos e confortáveis por um precioso instante de segundo - eu sei que você pode. Mas de nada adianta “eu” saber. “Você” é quem precisa acreditar nisso, com todo o seu Ser.

Não há como criar um futuro diferente se você continuar percorrendo sempre os mesmos caminhos.

Eu sei que é difícil. Como você, fui educada para seguir as regras, agradar a todos e me comportar como uma menina de "boas maneiras". Fui educada para ser bem recebida por São Pedro, um homenzinho careca com asas de anjo que fica em frente àquele enorme portão que existe na entrada do céu. E mais, fui educada para ser sempre solícita. Assim sendo, já que ia para o céu, deveria levar comigo uma latinha de óleo lubrificante para que o portão não fizesse aquele horrível rangido e incomodasse o divino cântico dos anjos.

Eu juro que tentei.

Por muito tempo tentei fazer sempre tudo certo, e até consegui muitas coisas assim. Mas como cansa...

Além do cansaço fui descobrindo que essa forma de ser me tornava uma verdadeira chata! (difícil assumir isso em público, mas tenho com você um compromisso de ser verdadeira). Além disso, seguir sempre todas as regras fazia as minhas costas doerem. E meus ombros aos poucos foram ficando arqueados de tanto carregar aqueles enormes livros de certos e errados. Um dia olhei de relance a minha imagem no espelho e, por um instante, vi a triste imagem de um Corcunda de Notredame (em uma versão feminina e cabeluda) me fitando do lado de lá. Confesso... foi assustador!!!

Foi quando decidi deixar para trás todas aquelas cobranças. Sacudi os ombros e, mesmo sabendo que talvez São Pedro ficasse bravo comigo, decidi ser apenas quem eu poderia ser... eu mesma. Humana e cheia de imperfeições.

Talvez nem todos gostem de mim, eu sei. Talvez eu me perca de vez em quando, como acontece quando visitamos um país estranho. Talvez a vida não seja tão segura e confortável como eu gostaria. Mas de que adianta viver na gaiola mais confortável do mundo?

Todos nós nascemos com asas, e recebemos o dom de voar. Essa é a nossa verdadeira natureza. A minha. A sua.

A águia e a galinha

Existe uma metáfora muito explorada por Leonardo Boff. Ele até escreveu um livro com esse título: A águia e a galinha. A ideia que ele transmite é mais ou menos assim:

Todos nós somos águias!

Eu sou águia. Você é. Todos somos.

Somos dotados de capacidades que encantariam a todos os deuses do Olimpo. Somos seres dotados de uma força incrível, poderosos, capazes de enxergar tão longe quanto a águia que vive no alto da montanha. Mas muitas vezes nos sentimos e comportamos como galinhas que mal alçam vôo acima das suas companheiras que moram no galinheiro, desesperadas por garantir seu grão de milho diário.

Apesar de todo o potencial disponível, muitas vezes desperdiçamos toda uma vida sem nos erguermos um palmo acima do chão. Somos como águias com amnésia, esquecidos, empobrecidos. Somos reis mas muitas vezes nos sentimos pobres como mendigos.

Se eu pudesse bateria com uma varinha de condão na sua cabeça e faria com que a memória voltasse a você. Bem... não nasci fada, muito menos tenho varinha de condão. Mas tenho esse teclado, um pouco de bom humor e ousadia suficiente para brincar com as palavras. Confio que algo em você se agite ao ler estas linhas, que você se aposse da sua verdadeira natureza e descubra que possui asas fortes o suficiente para erguê-lo acima dos desafios cotidianos que muitas vezes parecem grilhões atando seus pés ao chão.

Espero ser capaz de despertar a mim mesma também.

Quem sabe, despertos, possamos voar juntos até São Pedro, contar-lhe uma boas piadas, rir todos juntos e assim garantir um passeio pelo céu de vez em quando?

*Ogro: Ente fantástico em ques e fala para intimidar as crianças; papão
Fonte: Dicionário Aurélio




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Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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