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Você sabe cuidar do seu relacionamento?

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO

por Patricia Gebrim

"Um relacionamento, como uma casa, inevitavelmente produz certa quantidade de lixo, que nunca se torna nocivo desde que os envolvidos se comprometam com sua retirada e reciclagem"

Talvez fosse uma boa ideia contratarmos jardineiros e donas de casa para ensinar as pessoas a lidarem de uma forma mais madura com seus relacionamentos.

Quem trabalha na terra sabe e conhece o processo: arar e preparar a terra, plantar, regar, adubar e só depois colher. Quem trabalha na terra sabe que é preciso proteger a sementes durante esse processo e sabe ainda que riscos terão que ser enfrentados. Tempestades virão, bem como pragas, secas e por aí vai. E é assim que, fazendo o que precisa ser feito - arando, semeando e cuidando da semente - um dia vem a satisfação da colheita.

Quem cuida de uma casa sabe que dá um trabalho danado cuidar de infinitos detalhes todos os dias. Limpar, lavar, passar, arrumar, consertar o que se quebra. Quem cuida de uma casa sabe que mesmo tendo feito tudo o que era necessário, precisará fazer tudo de novo, e de novo, e de novo... “por todos os dias de nossas vidas”... Quem cuida de uma casa sabe o que acontece se ficarmos com preguiça de recolher o lixo ou reparar o que foi danificado.
Hoje se quer tudo pronto, trabalho zero!

As pessoas não se dispõem a preparar o terreno antes de iniciar um relacionamento, jogam a pobre nova semente em meio a pedras e ervas daninhas que restaram de relacionamentos anteriores. Além disso, não andam com muita paciência para regar a terra, o que se diria de proteger a semente, que é deixada lá, como se tivesse que sobreviver sozinha às pragas e furacões.

Pensem... Assim como uma planta precisa de água e adubo, os relacionamentos necessitam de cuidados e atenção, não apenas no momento da conquista, mas por todo o tempo de sua existência. Tente explicar para a plantação de tomates que você anda muito ocupado e que não poderá regá-la por uns dois meses!

Outra coisa, as pessoas não querem lidar com o lixo acumulado. Um relacionamento, como uma casa, inevitavelmente produz certa quantidade de lixo, que nunca se torna nocivo desde que os envolvidos se comprometam com sua retirada e reciclagem. É inevitável que pessoas diferentes se frustrem uma com a outra de vez em quando, discordem e até entrem em conflito. É natural que se sintam mal compreendidas, feridas ou injustiçadas vez ou outra. Nada que não possa ser transformado, desde que se tenha a disponibilidade para lidar com os sentimentos que vierem à tona, mesmo os que não sejam agradáveis ou confortáveis.

Mas as pessoas, cada vez mais, querem apenas os bons sentimentos. Fecham a cara quando o outro diz que se sentiu mal por esse ou aquele motivo. Não fecham apenas a cara, mas também os ouvidos, o coração. E o lixo vai se acumulando.

- Quer coisa mais danosa do que isso?

E em breve a terra seca, a semente que tinha se transformado em um broto viçoso e cheio de paixão vai ficando murcha, o lixo vai se acumulando e o relacionamento entra em um ciclo que caminha vagarosamente em direção à morte. Uma pena ver tanta cor e beleza sendo jogadas fora.

Se você está em um relacionamento e deseja mantê-lo vivo e viçoso, comprometa-se! Faça, de bom grado e cara feliz, o que precisa ser feito. Regue, nutra, dê a atenção que precisa ser dada. Lide com as dificuldades, retire o lixo, sempre que ele surgir.

E lembre-se, isso deve ser feito por todos os dias de sua vida conjunta, a não ser que prefira que a morte do relacionamento os separe!

 




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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