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Aquele defeito do outro sempre te irrita? Você pode tê-lo, mas não sabe

Rosemeire Zago 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Não vemos em nós mesmos o que parece claro e óbvio nos outros

por Rosemeire Zago

Você se conhece? Essa é uma resposta que respondemos tranqüilamente com um: "claro que sim!" Mas eu insisto que você pare alguns segundos e repense sobre sua resposta. Continua afirmando que se conhece? Ótimo!

Então vamos tirar alguns minutinhos enquanto lê este artigo para uma reflexão sobre si mesmo.

O que sabe de você?

Quais são os momentos que mais marcaram sua vida?

Quais são seus pontos positivos, qualidades?

Pode descrever uma por uma?

E seus pontos negativos?

O que tem feito para mudar aquilo que não gosta em você?

Já percebeu o quanto você insiste em agradar a outras pessoas?

Ou ainda, o quanto busca por reconhecimento e aprovação daqueles com quem convive?

Quais são as características que você percebe em seus pais e reconhece também em você?

É, como podemos perceber, não é tão simples assim falarmos sobre nós mesmos, nos conhecermos, não digo superficialmente, mas sim como fruto de muita reflexão.

Já reparou como algumas pessoas tendem a querer saber muito mais da vida de outras pessoas do que das suas próprias vidas? Por que os reality shows fazem tanto sucesso? Parece que é mais fácil olhar para o outro do que para dentro de si mesmo. Essa facilidade pode ser também entendida como fuga e comodismo.

Mas muitos se esquecem ou nunca souberam que muitas vezes aquilo que estão vendo, e que acabam por censurar, criticar, condenar, julgar, pode ser apenas um reflexo de suas próprias imagens. Como assim? Quando não se tem autoconhecimento é comum, por exemplo, julgar o comportamento de outra pessoa. E se observamos mais profundamente, podemos descobrir que também temos aquele mesmo comportamento. Isso acontece porque utilizamos sem saber o mecanismo que chamamos de projeção, quando por dificuldade em olhar para dentro de nós mesmos, projetamos nos outros aquilo que nos diz respeito.

Isso não acontece apenas com aspectos negativos, mas também com os positivos. Não vemos em nós mesmos o que parece claro e óbvio nos outros. Esse tipo de mecanismo demonstra na realidade uma pessoa com pouca percepção dos próprios sentimentos, ou seja, pouco autoconhecimento.

Elogiar ou criticar pode ser uma forma de se autoconhecer

Agora que você sabe disso, ou se lembrou, procure ficar mais atento a seus comentários sobre outras pessoas, usando suas observações para fonte de autoconhecimento, identificando que muitas vezes aquele elogio que faz para determinada pessoa, pode ser uma qualidade inerente em você, que não havia sido reconhecida. E quando for sobre aspectos negativos, também utilize a seu favor, possibilitando mudar aquilo que até então você sequer havia percebido. Tudo pode ser informação para elevar nosso autoconhecimento, só depende do grau de percepção dos sinais e mensagens que nos deparamos no dia a dia.

A tão conhecida frase do filósofo Sócrates - 470 a.C: "Conhece-te a ti mesmo", que nada deixou escrito, mas cujos pensamentos foram descritos por Platão, nos faz perceber o quanto somos ignorantes de nós mesmos e quanto é antiga a busca pela consciência de quem somos.

Temos as nossas necessidades

É preciso parar com a ânsia de tudo pelo outro. Não sou contra o trabalho voluntário, ajudar o próximo, conceitos sobre fraternidade, nada disso, mas está na hora de pensarmos um pouco mais em nossa própria vida, evitando assim, depois de anos de abdicação e dedicação ao outro, seja este quem for, ouvir aquelas célebres frases: "fez porque quis", ou ainda, "não te pedi nada" E quantas outras pessoas não se dão conta do quanto se permitiram serem invadidas, agredidas, abusadas, tudo pela dificuldade em impor limites? Por que permitirmos estar em segundo plano?

Temos que estar, se não para o outro, mas para nós mesmos, em primeiro lugar. Isso não quer dizer para sermos egoístas e nem negligenciarmos as necessidades de outras pessoas, mas devemos lembrar que também temos as nossas. E quais são? Tudo deve ter equilíbrio, e da mesma maneira que podemos nos preocupar com o outro, devemos, no mínimo, nos preocuparmos com nós mesmos na mesma intensidade. E geralmente não fazemos isso.

Devemos nos lembrar ainda, que ao fazer pelo outro o que lhe compete ou lhe é de sua responsabilidade, estamos fazendo com que não acredite em si mesmo, deixando-lhe a nítida sensação de que não é capaz. E será que é esse o resultado que realmente queremos? Com certeza desejamos que o outro cresça, mas isso compete a ele. Não podemos permitir que o outro cresça em detrimento de nosso crescimento. Todos nós somos capazes de resolver os próprios problemas, fazer nossas próprias escolhas, desde que acreditemos que somos mais capazes de cuidar da nossa própria vida do que da vida dos outros.




Rosemeire Zago

Psicóloga com abordagem junguiana com especialização em psicossomática. Desenvolve uma abordagem voltada para o autoconhecimento e criança interior.



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