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Consumo de kiwi é bom para regular funcionamento do intestino

Jocelem Salgado 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Kiwi tem propriedade laxante, indica estudo

por Jocelem Salgado
 



Kiwi é uma fruta originária da China. Sua produção no Brasil concentra–se em regiões dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Em sua composição nutricional destacam–se vitaminas, como a vitamina C que é um potente antioxidante e auxilia na prevenção de resfriados. Por meio desse seu poder antioxidante, na medicina chinesa, o kiwi é utilizado na prevenção de câncer de estômago e de mama; também tem sido indicado como excelente fonte de potássio, além de ser uma rica fonte de fibras. Uma das fibras encontradas no kiwi é a pectina, que auxilia na redução dos niveis de colesterol sanguineo. Outros compostos bioativos encontrados no kiwi são os compostos fenólicos, flavonoides, aminoácidos como a arginina e o glutamato e a clorofilina.

Todos estes compostos reunidos oferecem um potencial anticancerígeno e anti-inflamatório, que auxiliam no aumento da imunidade dos individuos que têm por hábito a frequência na ingestão dessa fruta. A tabela abaixo mostra a composição nutricional do Kiwi em cada 100 gramas da fruta.


Kiwi: composição nutricional

Calorias 67kcal

Carboidratos 15g

Proteína 1g

Lipídio 0,5g

Fibras 1g

Vitamina A 17g

Vitamina C 80-300mg

Ferro 0,4g

Cálcio 26g

Sódio 5,2g

Sódio 5,2g

Magnésio 30g

Potássio 280-340g

Fósforo 20-40g

Um estudo recente publicado recentemente no Journal Asia Pac. J. Cin. Nutr 2010; indicou o kiwi como uma fruta excelente para indivíduos com a Síndrome do Intestino Irritável (SII), caracterizada por uma diarreia funcional persistente, que varia entre o funcionamento normal do intestino e a constipação (intestino preso).

O SII envolve a motilidade (capacidade de se mover) intestinal alterada, onde ocorre uma disfunção neuromuscular *entérica, ocasionando assim a diarreia, que na maioria das vezes vem acompanhada de dor abdominal.

Esta síndrome pode ser dividida em três subtipos: diarreia, constipação, ou diarreia com quadros de constipação, sendo que a desordem gastrintestinal diarreica é a mais frequente.

A sensibilidade do trato gastrointestinal fica aumentada, e as vísceras respondem a esses estímulos mais facilmente. Esses estímulos podem ser tanto enterais (internos - através da alimentação), quanto externos (estresse, nervosismo). Os estímulos enterais se tornam sensível à presença, composição química e volume dos alimentos e qualquer estímulo pode desencadear o desarranjo intestinal.

Podem ser diagnosticados com SII, indivíduos que apresentem esse tipo de desarranjo intestinal pelo menos três vezes no mês, durante três meses, lembrando que essa síndrome pode durar até um ano, com períodos de descanso, podendo voltar após alguns meses ou alguns anos. O início dos sintomas surge pelo menos seis meses antes do diagnóstico e possui dois ou mais dos seguintes: 1) dispepsia ("dificuldade de digestão", popularmente conhecida como "indigestão") recorrente ou persistente; 2) uma mudança na forma das fezes; 3) uma mudança na frequência de defecação.

Relatórios atuais indicam que 10% a 20% do geral da população é afetada pela SII. Apesar de ser uma condição comumente diagnosticada, a etiologia (causa) e patogenia (modo como a doença evolui) permanecem obscuras. Além disso, a gestão otimizada da SII ainda está para ser determinada e conseguir um resultado positivo continua a ser um desafio clínico (Astegiano M, et al, 2008). Nos últimos anos uma abordagem multimodal (ou multidisciplinar) à gestão do SII/C foi aprovada. Isso geralmente inclui modificações alimentares, suplementos nutricionais, exercícios e, quando indicado, o uso de produtos farmacêuticos, tais como agonistas do receptor 5-HT4, laxantes ou antidepressivos (Talley NJ et al, 2008).

Segundo o Instituto Nacional do Câncer e da Associação Americana de Dietética, a ingestão diária de fibra recomendada para adultos é de 20g a 35g. Os kiwis de acordo com alguns autores, são conhecidos por conter cerca de 2% a 3% de fibra alimentar e é um suposto possuidor de propriedades laxantivas.

Pesquisas têm mostrado que os kiwis melhoram significativamente a defecação em idosos saudáveis e em adultos cronicamente constipados. (Rush EC, et al, 2003). Nesses estudos não foram evidenciados efeitos deletérios ou efeitos adversos relacionando consumo de kiwi. Além disso, apesar do fato de kiwi ser um alérgeno (o que pode causar alergia), relativamente comum, nenhum participante relatou sofrer reações alérgicas. Em contraste, laxantes comercialmente disponíveis, tais como Tegaserod (droga mais frequentemente prescrita para SII/C) estão associados com efeitos adversos graves, incluindo efeitos colateriais cardiovasculares (Hammerle CW, 2008).

No estudo publicado recentemente no Journal. Asia Pac. J. Cin.Nutr 2010; foi investigado o consumo de Kiwi por 54 pacientes que apresentavam a Síndrome do Intestino Irritável. Durante quatro semanas os indivíduos consumiram dois kiwis da qualidade Hayward, ao dia. Ao final do período de estudo verificou-se que o tempo de trânsito intestinal (TTI) diminuiu, ou seja, o tempo do consumo do alimento, até o tempo de evacuação foi menor, o número de evacuações aumentou, auxiliando na melhora da função intestinal.

Segundo esse estudo, a ingestão de kiwis é segura e eficaz como laxante natural. As paredes celulares dos kiwis maduros incham o que indica que a fibra dietética do kiwi tem uma capacidade alta de retenção de água, o que facilita a junção do bolo fecal, reforçando a ação laxante.

Foi descoberto no kiwi a actiniidina: uma enzima proteolítica de tiolproteases, que facilita a laxação via estimulação dos receptores do cólon, auxiliando na mobilidade colônica. Assim, o kiwi exerce um efeito laxante devido tanto ao conteúdo de fibra alimentar quanto a alta ação de actinidina.

Outro mal que afeta o intestino é a diverticulite, caracterizada por herniações semelhantes à sacos (divertículos) que são provocadas por constipação a longo prazo, ocasionada pela pressão aumentada no intestino ao tentar evacuar o bolo fecal que se apresenta pequeno, duro e seco.

Para indivíduos que apresentam divertículos, o kiwi é uma ótima opção, pois suas propriedades auxiliam para amaciar as fezes, aumentando seu volume, favorecendo o TTI, estimulando o peristaltismo intestinal (movimento que o intestino produz para expelir o bolo fecal). Por conta disso o intestino funciona de maneira regular, auxiliando dessa forma na prevenção da constipação. A intervenção com kiwis parece ser segura e eficaz para facilitar a dieta laxante.

Em conclusão, os autores desse artigo sugerem que os resultados mostram que os kiwis (tomado como um componente da dieta de rotina) parece ser um seguro e eficaz laxante natural para os pacientes diagnosticados com o SII/C.

No entanto é importante salientar que, ao consumir alimentos ricos em fibras, o consumo diário de água deve ser aumentado para que além do aumento do volume das fezes, essas fiquem macias, não ocasionando prisão de ventre.

Receita com kiwi:

2 kiwis maduros;
1 manga Tommy madura;
10 morangos;
1/2 abacaxi pérola;
1 caixinha de creme de soja.

Modo de fazer:

Picar todas as frutas, despejar o creme de soja e misturar. Servir logo em seguida.

*Ref. ao intestino; INTESTINAL. Fonte iDicionário Aulete




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Jocelem Salgado

Profa. Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros: "Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento" e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças", editora Madras



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