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Usar sapato de salto pode causar neuroma de morton

Juliana Prestes Mancuso 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Juliana Prestes Mancuso

"Os sintomas mais comuns relatados pelos pacientes são: dor tipo queimadura, dormência ou sensação de choque"

O neuroma de Morton consiste num espessamento localizado que afeta um dos nervos plantares (planta do pé) comuns, que correm entre os ossos metatarsos, no pé.

É mais comum entre o 3º e 4º dedos. Essa patologia acomete mais as mulheres, possivelmente pelo uso frequente de sapatos de salto alto causando maior descarga de peso sobre os metatarsos (região anterior do pé).

Outros fatores como excesso de peso, calçados com bico fino, ficar por muitas horas de pé ou excesso de impacto podem resultar no aparecimento dessa patologia. A razão do espessamento do nervo ainda é desconhecida. Mas uma vez formado, os ossos e ligamentos nas proximidades irão colocar pressão sobre o nervo causando mais irritação e inflamação.

Sintomas

Os sintomas mais comuns relatados pelos pacientes são: dor tipo queimadura, dormência ou sensação de choque na base dos 2°, 3° e 4° dedos que pode irradiar até a ponta dos dedos.

O seu diagnóstico pode ser realizado através de testes clínicos como a palpação interdigital (entre os dedos), compressão dos metatarsos resultando em aparecimento dos sintomas e utilizando exames complementares (ultrassom e ressonância magnética).

Inicialmente, os sintomas do neuroma de morton podem aliviar com descanso, retirada do calçado e massagem sobre os dedos. Porém, essa patologia não apresenta regressão espontânea.

O tratamento inicial geralmente utiliza técnicas como:

- Mudança dos tipos de calçados, dando preferência para calçados sem salto, confortáveis e macios;

- Uso de palmilhas plantares personalizadas confeccionadas por um podólogo;

- Utilização de técnicas terapêuticas que busquem a correção da biomecânica (postura) correta do pé, e técnicas anti-inflamatórias e analgésicas;

- Utilização de medicamentos associados ao tratamento.

Mais de 80% dos casos evoluem bem com o tratamento conservador (fisioterapia). Porém, alguns casos não apresentam evolução adequada, sendo indicado o tratamento cirúrgico. O procedimento cirúrgico é o único que irá remover definitivamente a tumefação (tumor) benigna. Porém, após a intervenção existe um período de recuperação e em alguns casos pode ocorrer déficit de sensibilidade nos dedos envolvidos devido à lesão nervosa ocasionada na cirurgia.

A cirurgia envolve normalmente uma pequena incisão (corte) no pé, entre os dedos afetados. Normalmente, o cirurgião irá em seguida criar mais espaço ao redor do nervo afetado (conhecido como a descompressão do nervo) ou vai ressecar (cortar) o nervo afetado. Se o nervo estiver ressecado, haverá alguma dormência permanente da pele entre os dedos afetados. Isso geralmente não causa qualquer problema.

Após a cirurgia terá de usar um sapato especial até que a ferida tenha cicatrizado e possa usar novamente calçado normal.

A cirurgia é geralmente bem-sucedida. No entanto, como em qualquer intervenção cirúrgica, existe risco de complicações. Por exemplo, após essa operação um número pequeno de pessoas pode desenvolver uma infecção da cicatriz. Outra complicação em longo prazo pode ser a formação de calos, espessamento da pele na sola do pé (conhecida como ceratose plantar). Isso pode exigir podologia (terapia nos pés) e fisioterapia.

 




Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



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