DESTAQUES

Sou bipolar e meu organismo desenvolveu tolerância aos medicamentos

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Joel Rennó Jr.

"Fui diagnosticada há 1 ano e 7 meses com transtorno bipolar. De lá para cá, tive 3 surtos psicóticos que duram de 2 a 3 dias. Já tomei mais de 10 medicações diferentes e parece que meu organismo se adapta muito rápido ou os medicamentos param de fazer efeito Tenho 28 anos"

 Resposta: O transtorno bipolar é uma doença crônica que pode apresentar, em alguns casos, uma refratariedade ou resistência aos tratamentos atuais.

É importante que o diagnóstico do transtorno e do seu grau de gravidade real sejam realizados por um psiquiatra preparado e que haja um acompanhamento médico regular.

Um grande problema é a procura tardia pelo início do tratamento (alguns bipolares só começam a fazer realmente o tratamento após uma década ou mais após a instalação da doença) e também a baixa aderência ao tratamento (muitos pacientes cessam ou diminuem os medicamentos por conta própria devido aos efeitos colaterais ou até mesmo por questões culturais ou familiares).

Sem o tratamento medicamentoso adequado, alguns pacientes podem ter mais fases de mania ou depressão e isso pode piorar o curso da doença. Alguns podem ter, portanto, a forma leve da doença e ao longo dos anos ter um agravamento do curso e piora do prognóstico mesmo em tratamento.

Grupos como a ABRATA (www.abrata.org.br) são importantes para ajudar aos pacientes e familiares de bipolares no processo lento e gradual de conscientização da importância do tratamento correto, que costuma envolver não apenas medicamentos como também psicoterapia e terapia ocupacional.

Em alguns momentos específicos do tratamento, pode ser necessário a troca ou aumento das dosagens dos estabilizadores de humor utilizados pelo psiquiatra.

Pessoas com muitos surtos psicóticos associados aos quadros de depressão e mania podem ter uma evolução clínica pior devido a uma neurodegeneração causada por sucessivos processos inflamatórios no cérebro. Portanto, a chave do sucesso do tratamento é o início precoce e o acompanhamento médico regular para que se previnam novas fases de depressão ou mania.

Fazendo uma comparação simples, vamos imaginar um paciente diabético. Além de tomar hipoglicemiantes orais, é importante que a pessoa faça um acompanhamento regular com o endocrinologista e que também tome providências para prevenção de graves consequências clínicas no futuro como infarto, derrames, insuficiência renal e até cegueira - como exercícios físicos e dieta. Toda doença crônica requer um cuidado contínuo e por toda a vida, seja da esfera física ou mental.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.


Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br

ENQUETE

O Brasil tem jeito?






VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2017
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.