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Como fazer a transição das férias para a rotina sem traumas

Regina Wielenska 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Regina Wielenska


"Dez ou quinze dias antes das aulas ou trabalho pode-se planejadamente acordar um pouco mais cedo do que se gostaria"

Em breve as aulas recomeçam. O período de férias, de adultos e crianças, costuma se caracterizar por quebras de rotina, os horários ficam mais flexíveis. Numa linguagem mais poética poderíamos dizer que comemos e dormimos ao sabor dos ventos, do sol, da lua, dos impulsos...

Mas, na verdade, a falta de consequências concretas para a quebra de regras que usualmente nos afetam ao longo da jornada de estudo ou trabalho é que se alia ao fato de que estamos privados de divertimentos, temos mais oportunidades de sair com amigos, há poucas restrições.

Um exemplo poderia ser o do adolescente que passa um mês ou mais sem horários, vai dormir bem tarde, acorda pra tomar café na hora do almoço, come pipoca de tarde e pula o jantar. Vai comer hamburger lá pela meia-noite, depois de rodadas de videogame.

Até que se avizinham as aulas. E de um dia para outro, ele precisará acordar às seis da manhã, tomar café correndo e ir para o colégio. À tarde precisa se dividir entre esportes, deveres, aula particular, tarefas outras. O tempo livre noturno precisará ser reduzido, será que vai dar certo passar da água pro vinho? Até domingo fica-se na gandaia para, na segunda, retornar à vida monástica?

A aprendizagem depende parcialmente da capacidade de memorização. E memórias são fixadas principalmente enquanto dormimos, é assim que esse processo biológico acontece. Quem dorme pouco e/ou mal tem dificuldade de fixar conteúdos, a distratibilidade aumenta e a memória vai pro brejo.

Agora me diga, quem vai conseguir acordar cedo na segunda-feira quando se acostumou nas férias a ir pra cama às duas da manhã?

OK, a pessoa vai enrolar na cama, sem sono e irritada com o cativeiro do quarto. Lá pelas duas da manhã adormece e, quando o despertador toca, estará apenas na metade do período necessário de descanso. Aos trancos e barrancos tenta tomar café porque a mãe insiste, mas não há fome. Na escola sente um sono hipnótico, as palavras do professor soam distantes, fica irritado e sente-se exausto.

À tarde precisa dormir, como fazer lição nesse estado? Dorme, acorda depois do jantar e aí só tem sono mais tarde. Pronto, fechamos o ciclo assim. Mas fazer o quê?

Adultos, adolescente ou crianças, todos precisam de mudanças graduais e planejadas, ANTECIPADAS, para que se consiga retomar um ritmo biologicamente adequado de sono e vigília, compatível com o bem-estar.

Dez ou quinze dias antes das aulas ou trabalho pode-se planejadamente acordar um pouco mais cedo do que se gostaria. Assim, o sono naturalmente chega mais cedo. De pouco em pouco, volta-se ao antigo horário, com o mínimo de sofrimento, sem prejudicar nem férias nem as aulas ou trabalho.

Taí minha dica: devagar, com método e gentileza, se recupera o ciclo de sono e vigília, mas vai depender de vocês seguirem ou não este plano. Bons sonhos pra todo mundo. Com dias de luz e energia.

 

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Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.

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