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Sentimento de culpa pode levar pais a adotar bichinho de estimação

Regina Wielenska 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Adotar um bichinho de estimação: ato de absoluta responsabilidade

por Regina Wielenska

Muitas famílias se empolgam quando visitam uma loja de animais ou feira de adoção. Filhotes fofos, de pelo macio, frágeis, com rosto redondo e olhos grandes que parecem suplicar por uma família de humanos que os adotem.

Quem resiste?

Não raro as crianças maiorzinhas são aquelas que sequer levam para a pia a louça do jantar. Jogam seus pertences em qualquer canto, tênis na sala, mochila perto da porta, e por aí vai. Não raro, também, os pais mal têm tempo pra cuidar da própria saúde, de gerenciar a casa e olhar para os filhos com um jeito menos administrativo e mecânico. Não é falta de amor, é a vida louca e cruel nos grandes centros urbanos. O sentimento de culpa corrói os pais pelo pouco tempo de que dispõem para estar com as crianças.

Nesse contexto, parece irresistível ceder aos pedidos entusiasmados das crianças que tanto querem o filhote em casa. Mas quem vai mesmo treinar o animal a fazer suas necessidades no lugar certo? Isso exige atenção, requer tempo, ou o xixi vai marcar território nos mais variados redutos da casa. E quem paga a conta do tênis largado à própria sorte em qualquer lugar, e do sofá, cujas prestações ainda vão vencer, agora destruídos pelas mordidas de um filhote que explora o ambiente todo, inclusive com seus dentinhos e patas cheias de força?

O animal precisa ser levado pra passear, ter atividades evita o surgimento de comportamentos bizarros, geralmente desagradáveis para os humanos. Isso significa ao menos duas saídas diárias, independente do tempo livre, das condições meteorológicas, da vontade de sair de casa naquela hora.

Outra coisa, dar banho e fazer tosa, isso custa dinheiro, nem sempre disponível... Veterinário também custa, e vacinas são indispensáveis. Sem falar de uma ocasional enfermidade, que pode exigir internação ou cirurgia.

Mais um aspecto, o condomínio autoriza animais? Quais as regras de convívio? E se o animal latir, ensandecido, na ausência dos donos, e infernizar a vida dos vizinhos?

Já escrevi uma artigo (veja aqui) no qual mencionei, de modo enfático, os benefícios dos animais de estimação na vida de humanos. E suponho que viver no seio de uma família amorosa e responsável também traga alegrias ao animal.

Não estou desestimulando a adoção de cães ou outros bichos de estimação. Apenas saliento que esse deve ser um ato de absoluta responsabilidade, uma relação que deverá durar por uma década ou mais. Animal não deve ser descartado nas ruas, ou jogado nas águas de um rio na hora em que ficar difícil mantê-lo no seio da família. Animal é um ser vivo, a ser plenamente respeitado, com a mesma seriedade que, esperamos, seja oferecida a nós mesmos.




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Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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