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Cocaína: existe síndrome de abstinência tardia?

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Danilo Baltieri

"Faz quase dois meses que estou sem usar cocaína e ando me sentindo muito estranho. Sinto dores no pescoço, tenho momentos de apagões, às vezes temho ânsia de vômito e tonturas. Às vezes parece que vou desmaiar ou, sei lá, até mesmo morrer. Isso é normal? Fiz exames de sangue e os resultados estão bons e hoje tomo um ansiolítico".

Resposta: Quadros clínicos conhecidos como Síndrome de Abstinência Protraída ou Tardia são freqüentemente encontrados entre alguns dependentes de substâncias psicoativas, como opióides, álcool, benzodiazepínicos, cocaína.

Na Síndrome de Abstinência Protraída de Cocaína, sintomas caracterizados por *anedonia, humor deprimido, ansiedade e principalmente fissura são muito amiúde reportados.

Esses sintomas estão significativamente associados com as recaídas.

De fato, as contínuas modificações do metabolismo em diferentes regiões do cérebro, durante o período de abstinência de cocaína, podem ser responsáveis por diferentes sintomas físicos e psicológicos. Realmente, durante a abstinência da cocaína, alterações da atividade metabólica no córtex pré-frontal, particularmente no hemisfério cerebral esquerdo, acompanhadas por alterações do fluxo sanguíneo cerebral, têm sido observadas, o que perdura por cerca de 3 a 6 meses, ou às vezes, mais tempo.

Apesar dos sintomas de abstinência protraída consistirem em um fato amplamente verificado em amostras de dependentes de cocaína, você tem apresentado sintomas que podem estar relacionados a outros problemas físicos e/ou psiquiátricos.

Além disso, o consumo dessa substância pode provocar/induzir transtornos em vários sistemas orgânicos.

Dessa forma, é imperativa uma consulta com médico especialista, objetivando determinar qual é o problema pelo qual você está passando.

Não se esqueça de revelar ao seu médico especialista toda a sua história de consumo de substâncias, proporcionando maior agilidade diagnóstica.

*Anedonia: 1 incapacidade de ter prazer ou divertir-se; 2 forma especial de rigidez afetiva em conseqüência de experiências traumáticas de vida (p.ex., passagem do indivíduo por um campo de concentração)

Fonte Dicionário Houaiss

 

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.

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