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Transa: tenho vergonha de mostrar meu corpo. O que faço?

Sandra Vasques 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Sandra Vasques

"Não sou gorda nem nada, ele até diz que sou "gostosa". O que fazer pra eu acabar com esta tortura."

Problema não é exclusividade sua

Resposta: Nos dias de hoje muitas pessoas, principalmente as mulheres, vivem a mesma dificuldade que você. Cada vez mais as pessoas exigem de si mesmas, que sejam perfeitas e de acordo com as medidas e volumes determinados pela moda e pela mídia.

Em segundo lugar, somando-se a esse fato, muitas pessoas têm dificuldade de se perceber interessantes, bonitas e desejáveis, por mais que os outros lhes passem essa mensagem. Então vamos olhar para essas duas questões.

É claro que um corpo saudável e bem cuidado é desejável. Mas isso é diferente de ter um corpo sem uma gordurinha sobrando, alguma celulite ou estrias. Também não dá para exigir que todas as partes de nosso corpo sejam perfeitamente harmônicas. Se for assim, garanto a você, que praticamente ninguém neste mundo seria feliz.

Não sei se você já leu sobre a história de várias modelos famosas atualmente e que, no passado, se achavam muito feias por serem magras e terem as pernas muito compridas. Isso, até que alguém sugeriu ou as encaminhou para a vida de modelo. E então, agora, nós as admiramos e elas se convenceram que realmente tinham beleza. Beleza que todos nós temos e devemos explorar. Aliás, você deve começar a olhar e valorizar o que você tem de bonito em seu corpo assim como seu namorado já faz.

Por que atributo físico não é o principal

Além disso, seu corpo terá a vida e o encanto que você proporcionar. Você já percebeu como certas pessoas que você não acha modelos de beleza conseguem ter namorados e amigos facilmente? Repare! Essas pessoas estão de bem consigo, são pessoas que na maior parte do tempo, transmitem alegria, bom-humor, sensualidade, mostram interesse em descobrir o mundo e as pessoas e não têm medo de serem vistas e descobertas também. Isso faz com que as pessoas se sintam bem ao lado delas e mesmo que num primeiro momento não se sintam atraídas físicamente, isso pode mudar logo que começam um bom papo, trocam olhares e se tocam.

Mas, como disse antes, você também pode não se perceber interessante por ter dificuldade de se olhar e se gostar. Uma dificuldade que pode ter sido construída ao longo de sua vida, e que te impeça de se reconhecer bonita, gostosa, interessante, por mais que os outros a achem. Isso pode acontecer e é um problema a ser tratado, pois causa muito sofrimento. Inclusive você deixa de viver bons momentos de trocas de carícias e prazer, que estão aí a seu dispor. Você não consegue perceber o quanto é desejada, inclusive com o corpo que você tem medo de mostrar.

Muitas vezes essa insegurança está relacionada a brincadeiras impróprias e inoportunas na época de criança e principalmente, no período de transição para a adolescência. Em função do desenvolvimento do corpo, algumas partes crescem mais e primeiro que outras, ou menos ou mais do que o planejado, trazendo insegurança, mal-estar. E como a maioria dos colegas da mesma idade estão passando pela mesma situação, alguns, para tentar desviar a atenção de si mesmos, começam a colocar nos outros apelidos relacionados ao corpo e quanto mais percebem que incomodam, mais atormentam e expõe.

Esse tipo de brincadeira tem sido seriamente combatido atualmente, principalmente nas escolas, mas até há algum tempo atrás, não se dava a devida importância. Muitos jovens passaram por isso e adquiriram uma grande insegurança sobre si mesmos, precisando de apoio para superar o trauma. Não sei se você passou por isso, ou por outra situação mal resolvida, mas avalie, pois parece que você tem dificuldade de se gostar. E sugiro que se não conseguir superar sua dificuldade sozinha, procure a ajuda de um psicólogo que poderá trabalhar com você na busca de identificar seu problema e livrá-la da tortura de não se permitir viver em paz com seu corpo e ter um relacionamento feliz.

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psicologia e não se caracterizam como sendo um atendimento

Sandra Vasques

Psicóloga, enfermeira, com especialização em sexualidade humana e formação em psicodrama. É orientadora sexual, atuando no Instituto Kaplan – Centro de Estudos da Sexualidade Humana - desde 1993. Leciona cursos de formação de educadores e terapeutas sexuais e atua como congressista. Co-autora dos materiais educativos Jogo de corpo, Aprendendo a viver; Vale sonhar, Valores em jogo e do Manual de atenção a educação sexual de crianças e adolescentes portadores do HIV - Viver Positivamente.

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