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Você transfere suas responsabilidades para os outros?

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Não se permita iludir, não transfira suas responsabilidades

por Carlos Hilsdorf

Uma das maiores ilusões a que podemos nos submeter consiste em acreditar que podemos transferir nossas responsabilidades para alguém. Pena que ocorra com tamanha frequência...

Quando nos apaixonamos, fazemos tudo pelo outro, sem ver defeitos ou imperfeições que não possamos relevar. Dizemos que, simplesmente, não vivemos sem o outro e, ao fazer isso, estamos colocando nossa razão de viver sob responsabilidade do outro.

Quando amamos (amor é diferente de paixão), também fazemos tudo pelo outro, mas vemos os defeitos e imperfeições ocultos na fase anterior da paixão. Dizemos que não podemos viver sem este amor e nos doamos por este sentimento, deixamos de viver muitas partes de nossa vida em favor do outro. Ao fazermos isso, abandonamos muito da nossa própria vida para que o outro seja feliz e, por incrível que pareça, estamos transferindo a ele a responsabilidade de ser feliz por nós.

Em ambos os casos, a responsabilidade da nossa felicidade está sendo transferida para as decisões e atitudes de outra pessoa. Se ela falhar, falhamos. Se não nos fizer felizes, a culpa é dela; se ela não for feliz, a culpa é nossa. Responsabilidades trocadas de lugar.

O mesmo acontece na educação. Muitos pais transferem a responsabilidade da educação dos filhos exclusivamente para as mães, alegando-se sobrecarregados com as tarefas do trabalho. As mães, por sua vez, também sobrecarregadas por sua tripla jornada, assumem a responsabilidade da educação, mas quando algo dá errado, transferem a responsabilidade para os pais. Responsabilidade compartilhada é um conceito distante da realidade do casal e dos filhos.

Por falar nisso, muitos pais querem assumir uma série de responsabilidades por seus filhos e, com isso, se tornam superprotetores, paternalistas e prejudicam gravemente o aprendizado de tomada de decisões, e a relação com erros, acertos e consequências inevitáveis a qualquer pessoa. Os pais fogem de sua própria responsabilidade e querem assumir a dos filhos.

Os filhos, por sua vez, transferem a responsabilidade de educá-los, sustentá-los e satisfazê-los aos pais. Basta observar que o desejo de sair de casa e arcar com os custos da independência não é o “sonho de consumo” desses jovens que, quando querem o distanciamento, o querem patrocinado pelos pais, transferindo-lhes a responsabilidade da sua privacidade vip.

Ainda no caso da educação, os pais dizem que a responsabilidade é dos professores e da escola, e essa fica impossibilitada de fazer a sua parte porque os pais transferem a ela uma responsabilidade que não lhe cabe na íntegra.

Quando ocorre uma gravidez com um casal de adolescentes, a jovem transfere a responsabilidade ao rapaz, que a transfere de volta dizendo que a responsabilidade é toda dela. Ambos não percebem que estão responsabilizando a criança, que não teve a possibilidade de escolha e ainda não pode transferir nada a ninguém. Isso quando essa criança não tem sua perspectiva de vida interrompida por um aborto ocasionado pela irresponsabilidade dos jovens e suas famílias, que para não viver suas responsabilidades, transferem-na à “morte” que se encarrega de “eliminar” as evidências da responsabilidade não assumida.

Professores transferem a responsabilidade aos alunos, que a devolvem ao professor para, juntos, responsabilizarem a instituição.

A responsabilidade passa a ser da sociedade, do governo, da empresa, do chefe, do líder e, em instância suprema, de Deus. A que ponto chega a insensibilidade e a hipocrisia humana... Transfere a responsabilidade a Deus por tudo o que acontece à nossa revelia ou contraria nossos planos...

Responsabilidade não se transfere. Quando tentamos transferi-la ferimos alguém e a nós mesmos com nossas atitudes irresponsáveis.

Assuma suas responsabilidades. Isso custa tempo, dinheiro, coragem, desgasta e traz uma série de outros ônus. Porém, assumir as nossas responsabilidades traz o bônus de sermos coautores legítimos do nosso destino e de possuirmos a dignidade de não ferir a ninguém, mesmo que precisemos sentir sozinhos uma dor pela qual ninguém mais se responsabilize.

Não se permita iludir, não transfira suas responsabilidades. Você é autor da parte mais importante do seu destino!

Redação Vya Estelar

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