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Intervenções psicossociais em crianças com desvios de conduta podem se manter até a idade adulta

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Joel Rennó Jr.

"Até o presente, os estudos não demonstravam que mudanças comportamentais na infância se refletiriam na idade atual..."

Intervenções precoces em crianças com desvios de conduta podem se manter até a idade adulta, segundo vários estudos científicos relevantes.

Um impactante estudo publicado no American Journal of Psychiatric e intitulado "Impacto da Intervenção Precoce na Psicopatologia, Crime e bem-estar aos 25 anos" que comprova isso.

Intervenções precoces - psicossociais: objetivos do projeto

O Projeto selecionava crianças agressivas e com desvios de conduta ou *disruptivos e as acompanhava de forma sistematizada por um período de 10 anos - o programa visava o desenvolvimento de competências sociais que se estendem ao longo de suas vidas através de treinamento de habilidades sociais, treinamento dos comportamentos dos pais através de visitas domiciliares e aulas com um vasto currículo socioemocional. O programa ocorreu em quatro comunidades americanas, algumas rurais, e um grupo controle de crianças que recebeu apenas intervenções comuns foram seguidas.

Mudanças comportamentais na infância podem se refletir na vida adulta

Até o presente, os estudos não demonstravam que mudanças comportamentais na infância se refletiriam na idade atual e esse estudo conhecido como "Fast Track" demonstrou que pode haver sim impactos positivos. Enquanto 69% dos adultos de 25 anos do grupo controle (não submetidos às intervenções psicossociais) tinham ao menos um problema psiquiátrico, apenas 59% do grupo treinado tinham o mesmo problema. Nota-se um impacto extremamente relevante na redução de abuso de substâncias, crimes violentos e comportamentos sexuais de risco, assim como maiores índices de felicidade e bem-estar.

As melhorias no comportamento foram consistentes entre cada um dos 13 subgrupos avaliados (incluindo as definidas por gênero, etnia, local de estudo etc), o que demonstra que essa abordagem tem o potencial para uma ampla gama de crianças e níveis de risco.

Penso que no Brasil deveria haver investimentos maiores na educação multifacetada de nossas crianças e adolescentes. Há técnicas eficazes para a prevenção ou amenização de graves distúrbios comportamentais na fase adulta - quando se faz uma pesquisa, diagnóstico e acompanhamento terapêutico individual e familiar sistematizados de núcleos doentios. Esse tipo de detecção e abordagem poderiam ser realizados pelas próprias Escolas Públicas de melhor qualidade através de treinamentos fornecidos por profissionais da área de saúde mental aos professores das instituições.

Por ora, infelizmente, isso não passa de utopia no nosso país que possui escolas em situações de instalação deploráveis, sem rede de saneamento básico e com professores mal remunerados. Mas, por outro lado, tal situação pode ser revertida por governos mais justos, corretos, sensíveis e realmente comprometidos com as causas sociais e não apenas com a maquiagem de indices questionáveis de prosperidade.

* interrupção do curso normal de um processo

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento. Dúvidas e perguntas sobre receitas e dosagens de medicamentos deverão ser feitas diretamente ao seu médico psiquiatra. Evite a automedicação.

 

 




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Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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