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Rémedio controlado Ritalina é consumido na balada

Danilo Baltieri 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Danilo Baltieri

Resposta: O abuso e a síndrome de dependência de drogas estimulantes usualmente prescritas para algumas doenças ocorrem principalmente entre aqueles indivíduos que fazem uso dessas drogas para propostas recreativas.

Isso significa um uso “extramedicinal”, ou seja, um consumo da droga sem propostas terapêuticas e sem a prescrição por médico adequadamente especializado.

Estima-se que cerca de 5% dos indivíduos que fazem uso recreativo de estimulantes prescritos desenvolvam quadro de síndrome de dependência de estimulantes. Aqueles mais propensos a desenvolver quadros de abuso e de síndrome de dependência são os jovens que se utilizam dessas substâncias com propostas recreativas e os indivíduos que já abusam de outras substâncias psicoativas, como o álcool.

Na verdade, o metilfenidato (Ritalina) consiste na droga mais comumente prescrita para o tratamento dos Transtornos Hipercinéticos (Distúrbios da Atividade e da Atenção), exibindo alta eficácia no manejo dos sintomas e na melhora clínica daqueles que padecem desses transtornos. Contudo, quando utilizada de forma incorreta, não médica e abusiva, as consequências são extremamente deletérias, tanto do ponto de vista comportamental, de funcionamento cerebral e de saúde física.

Casos de abuso de metilfenidato (Ritalina) têm sido reportados na literatura especializada, descrevendo o uso oral, nasal e injetável. Infelizmente, registros anedóticos apontam que a droga tem sido utilizada entre jovens, principalmente em festas e noitadas, os quais denominam a droga de “Vitamina R”, “Smart Drug” e “Skippy”.

A literatura especializada aponta que de cada cinco jovens que utilizam a medicação por razões médicas, sob adequados cuidados médicos especializados, um é por vezes abordado por outros jovens para obter a droga, seja através da venda ou da “doação”.

O metilfenidato tem propriedades para provocar sensação de bem-estar e agitação psicomotora, além de reduzir a fadiga. Essas propriedades, por si só, já são atraentes para uma miríade de pessoas que procuram recursos químicos para obter um estado alterado da consciência ou da motricidade.

Como tenho reiteradamente escrito aqui no Vya Estelar, uma droga não é boa ou má por si só. Vários fatores pessoais, sociais, psicológicos e físicos interagem para determinar a vantagem e desvantagem do uso de determinada substância.

O metilfenidato pode, de fato, ser abusado por determinadas pessoas que procuram drogas como uma forma de diversão ou mesmo de aplacar o sofrimento. Entretanto, não podemos “demonizar” a droga, avaliando apenas os seus malefícios, quando utilizada de forma inadequada e não médica. O que é necessário é restringir o uso da substância àqueles que dela realmente precisam por razões médicas, fiscalizar o controle sobre a venda e treinar médicos para a adequada prescrição e monitoramento dos seus pacientes.

Abaixo, forneço interessante manuscrito que trata do assunto:

Kollins SH, MacDonald EK, Rush CR. Assessing the abuse potential of methylphenidate in nonhuman and human subjects: a review. Pharmacology, biochemistry, and behavior. 2001 Mar;68(3):611-27.

 

 

 

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Danilo Baltieri

Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.



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