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Perda e ganho convivem bem próximos

Redação Vya Estelar 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Não só de medalhas vive o homem

por Angelina Garcia

Não importa se bronze, prata, ouro, ficamos mexidos, orgulhosos, felizes com nossa bandeira hasteada, nosso hino tomando conta do ginásio do outro lado do mundo, nosso herói ou heroína, de olhos marejados, exibindo a medalha. Já para outros, o adversário foi mais rápido, mais forte, mais hábil. Alguns dependem apenas de si, enquanto outros contam com o parceiro, a equipe, os instrumentos.

Não há como negar a expectativa de um povo quando se vê representado em qualquer das modalidades de uma competição olímpica. Essa expectativa aumenta no caso de o representante levar em seu currículo uma história de conquistas, o que acaba por torná-lo uma promessa. Outros já consideram como grande feito o fato de terem assegurado uma vaga.  Seja como for, todos encontram um lugar na bagagem para a esperança, a sua, a nossa.

Anos e anos de dedicação, treinamento, imenso esforço, e nossa ginástica artística individual posta à prova em minutos, segundos. Carregando o peso e a leveza de suas histórias pessoais, profissionais, nossos ginastas saltam, equilibram-se, contorcem-se, dão cambalhotas. Bonito de se ver. Desequilibram-se, perdem o centro, escapam das linhas, encontram o chão imprevisível, mas erguem-se e terminam a prova. Muito a aprender com eles.

Nem precisamos de medalha. Já nos sentimos contemplados por terem nos tirado da rotina, pelo prazer em tê-los na disputa, pela beleza dos seus corpos em movimento. Já nos sentimos gratos em aprender a levantar, por mais inesperada que seja a queda, e seguir em frente Já nos sentimos recompensados pela possibilidade de perceber que perda e ganho convivem tão próximos, e por terem nos alertado que esforço não é garantia de sucesso, mas de aprendizado, como, por exemplo, desejar o possível, aceitar o improvável e considerar limites.

Outras modalidades nos trouxeram outras lições. De solidariedade, ao constatarmos que há sempre alguém para nos colocar em pé quando nosso barco afunda. De humildade, quando reafirmamos a máxima de que um homem realmente não se basta; por mais que dominemos a nós mesmos e as técnicas de manejo, o vento pode soprar contra, o cavalo pode falhar no salto, ou alguém, por engano, pode fazer desaparecer um objeto imprescindível para a prova.

Sem negarmos o valor da medalha, consideremos vencedores todos que conseguem enxergar, no processo, ganhos que vão além de resultados.

 




Redação Vya Estelar



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