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Como reeducar uma filha adulta que já é mãe?

Blenda de Oliveira 01/01/2016 PSICOLOGIA
A vida nos obriga a crescer, não há como escapar

por Blenda de Oliveira

"Minha filha de 28 anos tem uma filha de dez e sempre foi sustentada pelo pai, que sempre lhe proporcionou vida material farta e fácil e nunca deixou (ou exigiu) que ela trabalhasse. Agora o pai entrou em crise financeira, não pode mais sustentá-la e ela insiste em transferir a dependência para mim. Qual a orientação? Como proceder se ela não aceita terapia?"

Resposta: Que boa e desafiadora oportunidade de sua filha iniciar o processo de amadurecimento. Com certeza ainda é a filha pequena em todos os sentidos. Ela não conseguiu exercer a função materna com a filha, sua neta, pois está presa ao papel de filha do papai. Agora a realidade chegou sem pedir licença e não há como manter as coisas como estavam. Felizmente!

Agora vocês, pais, vão precisar de muita paciência e tolerância para ensinar a essa filha/mulher/mãe a ser gente grande. A primeira coisa é fechar a torneira. O seio que jorrava leite secou e essa não é uma realidade que conseguirão estabelecer rapidamente. Como mãe, não conseguirá fazer isso sozinha. Não há problema que ela não queira ainda terapia, busque você uma orientação profissional para se cuidar e compreender melhor como as coisas chegaram nesse ponto e o que pode fazer agora para ajudá-la nesse momento.

Manter as facilidades materiais está fora de cogitação.

Filha adulta com idade emocional de adolescente

Duas ações podem ser propostas:

1ª) Uma mesada, enquanto não tem um trabalho. Ela terá que viver conforme a possibilidade financeira do momento;

2ª) Buscar um trabalho. Aqui você pode estabelecer um prazo e junto com ela avaliar quais as possibilidades dela, o que sabe fazer e como começará a busca profissional. Apesar da idade e de ser mãe, sua idade emocional é de uma adolescente, portanto não espere que ela saiba fazer isso sozinha.

Sugiro que você pense em montar um esquema e dentro do possível tente fazer com que o pai participe, do jeito que for possível. Será um árduo caminho, mas uma bela oportunidade de crescimento para todos. Quando não atentamos para os movimentos naturais do crescimento a vida faz uma cambalhota e diz: "Agora não dá mais, vamos mudar, se não foi por bem, será com muito esforço".

Procure manter a calma e a firmeza. Tenha em mente que está tentando ajudá-la a dar-se conta que a vida não foi o que sempre acreditou. O processo será lento, mas precisa ser continuo. Infelizmente ela carrega a crença que o mundo precisa fazer por ela e que está na vida para ser mantida por alguém. Felizmente é jovem e pode aprender que agora a vida dela vai começar. Evidentemente ela resistirá e, com certeza, reclamará bastante, mas não fique preocupada com isso. Vá em frente!

 

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Blenda de Oliveira

Doutora em psicologia clínica pela PUC-SP. Psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Psicoterapeuta de adultos, adolescentes, crianças, famílias e casais. Atuante como Life Coaching em diversas áreas, utilizando essa metodologia para colaborar nos processos de sucessão familiar nas empresas.

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