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Como saber quando o casamento acabou?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Dificilmente os envolvidos terão uma noção clara sobre o fim

por Anette Lewin

"Existe alguma 'fórmula' para saber até onde podemos arrastar o casamento?"

Resposta: O casamento é um trato, ou contrato, de convivência amorosa entre duas (ou mais) pessoas. Esse contrato pode ser rompido quando um ou todos os envolvidos entenderem que ele não é mais válido.

O limite para essa ruptura é essencialmente pessoal nos dias de hoje. Foi-se o tempo em que um casamento podia ser rompido legalmente porque a mulher era infertil, ou por que alguma traição conjugal era consumada. Foi-se o tempo... nas sociedades civilizadas, entenda-se.

Hoje, saber até onde o casamento vale a pena, depende de uma análise minuciosa de cada um dos participantes, pesando prós e contras, e avaliando se suas expectativas estão sendo realizadas ou não. Essas expectativas ligam -se, muitas vezes, mais a sonhos românticos do que a uma possibilidade real de troca. Por esse motivo os casamentos duram pouco atualmente. Porque se baseiam em ideais utópicos onde a felicidade a dois suprirá todos os desejos individuais.Isso não existe! E, se existir, dura pouco.

Certamente, ainda existem pessoas que entendem de uma forma mais madura o que é conviver e fazer planos com alguém; alguns têm consciência de que se quiserem formar uma família terão que abrir mão de vários objetivos pessoais; outros sabem que se quiserem um "marido rico", terão que se submeter, provavelmente, a uma série de exigências. Excluindo-se aqui valores morais, desde que as pessoas envolvidas saibam o custo da realização dos seus sonhos, tudo é válido. O que não vale é estabelecer um vínculo esperando que os sonhos do parceiro serão anulados para contemplar os próprios sonhos. Isso não existe e nunca existirá. O casamento é um contrato onde se abre mão de algumas coisas por outras, teoricamente mais importantes. Quem não conseguir enxergar essa realidade, melhor ficar sozinho.

Apesar de tudo isso, as pessoas continuam querendo casar. E muitos casamentos não passam de experiências temporárias de paixão que acabam em grandes decepções. Nos processos de separação, em geral, um dos cônjuges está mais propenso ao rompimento do que o outro. Isso leva a inúmeras tentativas de manter o vínculo com "propostas" de mudança que raramente acontecem. Após várias concessões, o casal se separa levando consigo um gosto amargo e às vezes traumático da relação a dois. Mesmo assim, a maioria quer se casar novamente. Quando isso ocorre, o sucesso de uma nova relação depende do tipo de elaboração que foi feita sobre o casamento que não deu certo. Quem consegue se autocriticar, pode vir a estabelecer um vínculo mais tranquilo. Quem não consegue, pode chegar a várias separações na vida. Na época do descartável, até que isso não é de se estranhar.

Existem casais que permanecem juntos por muito tempo, independentemente do nível de harmonia que existe entre eles. Os que brigam o tempo todo não estão mais sujeitos a uma separação do que os que não expressam seus sentimentos. A separação pode acontecer por um mero desgaste, pela chegada de uma terceira pessoa, por comportamentos insuportáveis do cônjuge, por egoísmo, enfim, casamentos podem terminar por vários motivos e dificilmente os envolvidos terão uma noção clara de quando ele se esgotou. Em geral a iniciativa partirá do que se sente mais incomodado e mais disposto a aceitar que os sonhos idealizados não se realizarão mais. Pelo menos não com aquela pessoa. E para quem não escolheu a separação, isso sempre é bastante traumático.

Em resumo o processo de separação, em geral, é bastante doloroso. Quando se casam, as pessoas tendem a considerar essa união eterna. O problema, como diz o poeta, é que ela só é eterna enquanto dura. Assim, é melhor que as pessoas evitem casamentos precipitados baseados em angústias pessoais, fuga, utopias ou qualquer outro fator que não seja o desejo consciente de dividir a vida amorosa com alguém. É melhor que entendam que dividir é abrir mão antes de somar; ser generoso antes de individualista; saber ouvir antes de querer falar; e preocupar-se com a necessidade do outro tanto quanto com a sua. Quem se sentir disposto a encarar essa realidade, com um sorriso nos lábios, tem menos chances de entrar no dilema de se ver obrigado a interromper o que imaginava ser uma longa parceria de sucesso.

 

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.



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