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Ser feliz exige trabalho

Lillian Graziano 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Felicidade depende de nós

por Lilian Graziano

Escrevo agora neste espaço, para tentar sanar uma confusão comum que se faz entre pensamento positivo e Psicologia Positiva.

A explicação é simples e tenho certeza de que você entenderá a importância de se evitar enganos nesse sentido. Isso para melhor praticar os preceitos da Psicologia Positiva, conhecida como a Ciência do bem-estar e da felicidade.

Pois bem. Começa aí... Psicologia Positiva é Ciência, baseada em estudos empíricos e replicáveis. O pensamento positivo não se (re) produz nesses moldes.

Outra diferença importante é que o pensamento positivo pressupõe o abandono da postura cética ou negativa, enquanto a Psicologia Positiva preconiza o otimismo (que segundo pesquisas está relacionado a melhor saúde, longevidade e socialização). Mas sem ignorar que, em determinados momentos, o pensamento negativo ou realista leva a uma decisão mais acertada, que não subestima riscos importantes. E afinal, simplesmente negar as questões negativas não é uma forma saudável de lidar com elas... não é, sequer, lidar!

É necessário dizer ainda que, no senso comum, o pensamento positivo, ao pressupor o abandono de tudo que é negativo, costuma banalizar ou estigmatizar as práticas e abordagens psicológicas que durante sua existência se pautaram no lado negativo do ser humano, como suas doenças mentais e traumas.

A Psicologia Positiva, por outro lado, reconhece os avanços dessas correntes no tratamento de tais questões, atuando como complemento de suas teorias e terapêuticas e enfocando, além da cura e dos gaps (pontos fracos), o desenvolvimento de potencialidades e aplicação das forças pessoais para melhor desempenho.

E se existe confusão entre o que é pensamento positivo e o que é Psicologia Positiva, não é incorreto dizer que também há muita confusão em se explicar o que é uma vida boa e feliz. Essa definição não está baseada no que se entende, geralmente, por bem-estar e felicidade.

A máxima de que riqueza não traz felicidade, corroborada cientificamente pela Psicologia Positiva, é um dos poucos casos em que o conhecimento popular se equipara às conclusões científicas a esse respeito. Assim como, na contramão de algumas práticas e sabedorias populares, por meios científicos, a Psicologia Positiva descobriu que tentativas de maximizar a alegria podem levar à infelicidade. Revelou, também, que pequenas doses do que a publicidade hoje nos vende como felicidade (comprar, comer bem e ganhar dinheiro), por si, nos alegram, mas não sustentam níveis estáveis de felicidade em longo prazo.

Como já abordei diversas vezes nesta coluna, a felicidade, principal objetivo desse movimento que entendemos por Psicologia Positiva, é uma equação complexa, sob variáveis comportamentais, orgânicas, culturais e sociais. Associar a Psicologia Positiva ao senso comum não nos leva aos resultados que ela pode nos proporcionar.

A única coisa óbvia na Psicologia Positiva é aquilo que já tínhamos percebido: ser feliz exige trabalho, não é algo que se consegue obter num estalar de dedos, e sim, só depende de nós mesmos. Para todo o resto há Ciência, método e, mais importante: resultados, muitos resultados. Pode apostar.




Lillian Graziano

Diretora dos Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, psicóloga e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Psicoterapia Cognitiva Construtivista. Seu doutorado sobre Psicologia Positiva e Felicidade foi a primeira tese brasileira baseada nessa abordagem. Atua há mais de 20 anos na Educação com foco no desenvolvimento de condutas preventivas para os comportamentos humanos disfuncionais. Possui certificação em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. Treinou e atendeu centenas de funcionários de grandes organizações tais como: Coca-cola, Basf, Bank Boston, Accenture, British Petroleum, Merrill Lynch, Unilever, dentre outras.



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