DESTAQUES

Primeiro sintoma de LER é a dor

Juliana Prestes Mancuso 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Outros sintomas: formigamento, dormência e insensibilidade

por Juliana Prestes Mancuso

Em artigos anteriores (clique aqui), já abordamos este tema, mas devido ao grande número de e-mails dos leitores com dúvidas neste assunto, volto a falar específicamente dos sinais e sintomas gerados por uma lesão repetida.

A LER (lesão por esforço repetitivo) é designada para definir toda e qualquer lesão causada por movimentos repetitivos, como digitação, má postura, tocar piano, dirigir, algumas atividades físicas que exijam muito esforço, fazer crochê, trabalhar o dia todo em frente ao computador, entre tantos outros.

A LER abrange um grupo de doenças que atinge principalmente os músculos, nervos e tendões, provocando irritações e inflamações em razão da sobrecarga do sistema musculoesquelético.

Para entender este tipo de lesão, é preciso explicar como o músculo funciona. O corpo humano é capaz de se locomover graças ao seus sistema muscular distribuído em todo o corpo representando 40% do seu peso total. A característica mais importante dos músculos é sua capacidade de contrair-se até a metade do seu comprimento normal em repouso num fenômeno chamado de contração muscular*. Cada fibra muscular contrai-se com certa força e a força total do músculo é a soma das forças das fibras envolvidas na contração*.

O número de fibras musculares ativas em uma contração determina a força desenvolvida durante o período de contração. A velocidade de um movimento é regulada pelo número de fibras musculares que se contraem. Quando uma contração muscular é lenta e prolongada chamamos de trabalho muscular estático. Nesse as fibras musculares são recrutadas de forma alternada e em sucessão para a contração.

Várias são as causas que levam uma pessoa a apresentar LER, entre elas podemos citar:

- Repetitividade de movimentos;

- Ritmo intenso de trabalho;

- Postura inadequada por um longo período de tempo;

- Atividades de trabalho que exijam força excessiva com as mãos;

- Atividades esportivas que exijam grande esforço dos membros superiores;

- Mobiliário mal projetado e ergonomicamente errado;

- Esforço físico;

- Trabalho muscular estático (que caracteriza-se por um estado de contração prolongada da musculatura, o que geralmente implica em um trabalho de manutenção da postura);

- Choques e impactos;

- Executar a mesma tarefa por tempo prolongado;

- Pressão mecânica sobre algumas regiões do corpo, ou seja, pressão não manual. Por exemplo: pressão exercida no pulso ao arrastar o mouse quando se está no computador.

- Pressão no ambiente de trabalho;

- Cobrança por produtividade;

- Má divisão das tarefas.

Sintomas

O primeiro sintoma da LER é a dor, seguida depois de outros sintomas como formigamento, dormência, insensibilidade ou falta de força para segurar objetos. Isso ocorre, porque durante um esforço estático grande, os vasos sanguíneos são pressionados pela pressão interna do tecido muscular de forma que o sangue não consegue mais fluir pelo músculo*.

Em estágios mais avançados da LER, as inflamações podem se tornar um processo degenerativo que afeta nervos e vasos sanguíneos de maneira prejudicial, podendo causar deformidades como cistos, inchaços, perda de potência, sendo que a dor pode se tornar insuportável e tarefas rotineiras como escovar os dentes e amarrar os sapatos tornam-se impraticáveis. O trabalho muscular estático é desgastante.

Por outro lado, o trabalho dinâmico, como uma caminhada por exemplo, ajuda a circulação sanguínea, favorecendo um repouso revigorante, permitindo uma melhor nutrição dos nervos e músculos, por isso é de suma importância uma pausa durante alguns minutos do dia para a prática de exercícios leves*, como elevar e abaixar os braços, alongar o pescoço, caminhar até a copa para tomar um café, sair para almoçar, movimentar os pés (se possível retirar um pouco os sapatos e movimentar os dedos dos pés quando estiver sentado), se na sua empresa tiver um programa de ginástica laboral, participe!

Sua saúde irá agradecer; se ainda não tiver, fale com seu chefe, existem diversos trabalhos publicados provando que é mais vantajoso para a empresa manter um fisioterapeuta laboral na empresa do que ter que afastar metade dos seus funcionários por uma L.E.R.

Fonte: *Fisiologia do Exercício - Teoria e Aplicação ao Condicionamento e ao Desempenho, Edward T. Howley – 2009




Juliana Prestes Mancuso

É formada pela Universidade Anhembi Morumbi, especializada em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pelo Instituto Cohen de Ortopedia e Medicina Esportiva, Fisiologia do Exercício pela Universidade Veiga de Almeida, Fisioterapia do Sistema Musculoesquelética pela Universidade São Marcos e em acupuntura e medicina chinesa pelo Centro Científico Cultural Brasileiro de Fisioterapia. É responsável pelo site e grupo de discussão Fisioterapeutas Plugadas.



ENQUETE

Você é feliz no trabalho?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2017
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.