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Não concordo com as ideias do meu chefe. E agora?

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Quem cala consente, mas nem sempre...

Por Roberto A. Santos

Este é o quarto artigo da série sobre os potenciais derrapadores de carreira, que será composta de 11 artigos. Neste, vou abordar o tipo Passivo Resistente, que como o próprio nome, ele resiste passivamente, ou seja, passa a impressão, por suas palavras e gestos de que concorda com uma idéia, mas depois suas ações o contradizem.

Antes de descrever as características e os riscos deste tipo, proponho uma reflexão sobre os Valores que norteiam nossas escolhas de toda sorte. Se eu valorizo muito o contato pessoal, vou procurar atividades que satisfaçam essa necessidade, se o 'poder' é um motivador importante em minha vida, vou buscar oportunidades de assumir a liderança em qualquer situação e de me destacar em competições. Em suma, nossos valores claramente determinam, em larga escala, nosso comportamento, bem como nosso desempenho profissional.

Excluindo-se situações muito especiais de sabotagem, ou total falta de treinamento, as pessoas não cometem falhas graves de desempenho propositalmente. Seus valores e sua personalidade, muito mais do que as circunstâncias imediatas de seu ambiente, podem gerar 'funcionários do mês' ou 'bolas da vez'.

Assim, como nos casos do Imaginativo ou do Reservado, também o Passivo Resistente não tem o comportamento de parecer concordar quando na verdade discorda, para irritar ou provocar as pessoas.

Então temos que falar na hora tudo que pensamos para os outros, do jeito que vier e com quem estiver perto?

Se relacionamento humano fosse simples como o sistema binário, sim ou não, falo ou não falo, tudo seria bem mais fácil, não? Contudo, enquanto não conseguirmos nos programar como no mundo Matrix, temos que buscar continuamente o equilíbrio, neste caso, entre discordar abertamente mas de forma diplomática e política.

O Passivo Resistente (P.R. para os íntimos) detesta viver situações de conflito, controvérsia. Por este motivo, se seu chefe propõe um projeto que ele acha a maior besteira da face da Terra, provavelmente, ele ou ela vai concordar na hora. Saindo de lá, ele poderá pensar: Esse cara está louco. Nunca que essa idéia vai funcionar. Quer saber de uma coisa, vou ficar bem 'moita' para ver se ele esquece...

Aí é que reside o perigo. Infelizmente, existem chefes com memória de elefante, mesmo que para guardar as idéias mais idiotas. Em algum momento, ele chama nosso P.R. e faz aquela pergunta fatídica: Como está o Projeto X, já está concluído? Nosso típico 'bomba de efeito retardado', acuado, poderá reagir com agressividade desproporcional, misturando sua repulsa ao "follow-up" com os argumentos, inicialmente racionais, que ele deixou de usar ao receber o encargo do projeto do "mala" do seu chefe.

Apesar do tipo deste artigo detestar conflitos, eles são essencialmente bons, desde que sejam trabalhados e esclarecidos. Desde que não permaneçam atravessados na garganta, em nome da "paz e harmonia" - falsas e temporárias.

Calar e dar a impressão de que está consentindo pode parecer a solução mais confortável na hora da crise, principalmente para pessoas com essa característica de personalidade. O problema é que conflito não resolvido só tende a crescer e apodrecer, como uma ferida que nunca quer cicatrizar.

O tipo Reservado pode ser duro, rude ou "franco até demais". Essa franqueza pode ser vista como integridade ou honestidade para o indivíduo, mas uma tremenda falta de habilidade diplomática de cuidar o que fala, como fala, em que momento, etc. De sua vez, o Passivo Resistente, ao não usar de sinceridade para discordar da 'idéia de jerico' de seu superior, mas engavetá-la e talvez até comentar em rodinhas do cafezinho, pode estar usando de "tato" com seu chefe, mas quando cobrado pela consistência entre suas palavras e ações, ele terá seu caráter sob julgamento.

Portanto, se você de vez em sempre, transita por estes tortuosos trilhos da passividade resistente, procure resistir à tentação de fugir do conflito para se refugiar na paz ilusória, enquanto ela ainda estiver no mundo das idéias. Depois que a outra pessoa -- parceira, chefe ou cliente -- se apaixonar por um projeto e, de repente, perder o apoio com o qual pensava contar, aí ficará difícil para se discutir argumentos racionais com o turbilhão de emoções de quem sentiu sua confiança traída.

 




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Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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