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Qual critério define a confiança plena em alguém?

Thaís Petroff 01/01/2016 PSICOLOGIA
O que uma pessoa precisa ter para que confiemos nela?

por Thaís Petroff

Esses dias fui questionada sobre como nasce a confiança. Ou seja, no que ela se apoia para surgir e também para se manter.

Estava com outras pessoas e algumas arriscaram alguns palpites: coerência entre o que se fala e o que se faz, convivência, ter os mesmos princípios, estar disponível quando a pessoa precisar, etc.

Após algum tempo de debate, analisamos cada uma dessas ideias e chegamos a um ponto em comum, o qual exponho neste texto.

Quando conhecemos alguém, não temos como saber de pronto se essa pessoa é confiável ou não. Há quem confie rapidamente, bem como há quem leve mais tempo para confiar. De qualquer modo, independente do tempo que se leva para gerar a confiança, há percepções que precisamos ter a respeito do outro para que passemos a confiar ou não.

Quando pensamos na questão da coerência entre o que se faz e o que se fala, podemos a priori achar que confiamos em pessoas que cumprem com o que dizem. No entanto, se pensarmos na figura de Hitler, o qual sempre foi muito claro em suas intenções, cumprindo com tudo o que disse, questiono: ele é confiável?

Quando alguém age de acordo com o que fala, passa então a ser previsível e isso pode nos deixar com mais sensação de segurança, mas não necessariamente de confiança frente a essa pessoa.

A convivência nos permite conhecer a pessoa, perceber os padrões nas formas de pensar e se comportar. Ou seja, passamos a ver como essa pessoa é e o que ela é capaz de fazer. Isso pode nos levar tanto a confiar nela, quanto a decidir que ela é alguém em quem não podemos confiar. Desse modo, a convivência por si só não é o que nos faz ou não confiar em alguém.

Ter princípios em comum é um bom ponto de partida, pois demonstra que temos visões de mundo e propensão a agir de modo muito semelhante. Apesar disso, há pessoas em quem confiamos que podem ter valores pessoais distintos dos nossos e nem por isso deixamos de confiar nelas. Há alguém de quem você se lembre que tenha objetivos de vida diferentes dos seus, hábitos diferentes mas, mesmo assim, você confie?

Podermos contar com a pessoa em algum momento de necessidade, como por exemplo, o término de um relacionamento, a morte de alguém, um problema no trabalho... Isso tudo pode influenciar na confiança que temos, aumentando-a se a pessoa se mostra disponível ou diminuindo-a caso não nos sintamos apoiados ou quando não sentimos abertura. Por outro lado, temos confiança em pessoas que em alguns momentos questionam ou criticam nossas atitudes, bem como podem também não estar disponíveis em alguns momentos em que desejamos obter suporte ou auxílio. Isso faz necessariamente com que não confiemos ou deixemos de confiar nessas pessoas?

Qual é então o principal aspecto sobre o qual a confiança se baseia?

O que uma pessoa precisa ter, pensar, sentir e fazer para que confiemos nela?

Confiamos em quem sabemos que mesmo que brigue com a gente, mesmo que não esteja lá quando precisamos, mesmo que não tenha os mesmos valores que nós, mas, se soubermos que essa pessoa quer realmente nosso bem, então é isso o que mais nos importa. Quando temos essa certeza, de que para aquela pessoa temos tanta importância quanto ela mesma tem para si, passamos consequentemente a confiar nela.

Reflita sobre isso e analise quais são as pessoas em quem você acredita, que te querem tanto bem, quanto desejam para si mesmas. E a quem você quer tão bem quanto para si mesmo (a)? Com quem você realmente se importa?

Essas pessoas por acaso são pessoas em quem você confia e/ou confiam em você?




Thaís Petroff

Formada em Psicologia pela PUC-SP e é Master Coach. Utiliza a Terapia Cognitivo Comportamental como base do seu trabalho, mas sabendo da profundidade e complexidade do ser humano, fez formação em Bioenergética, Programação Neurolinguística e Yoga se focando em auxiliar as pessoas a desenvolver e manter emoções mais equilibradas e saudáveis. Foca-se em desvendar e compreender a desafiadora prática das relações, promover transformações cognitivas, emocionais e comportamentais nas pessoas que a procuram e disseminar conhecimento através das mídias sociais.



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