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Será que sou uma pessoa encanada em excesso?

Thaís Petroff 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Preocupar-se em excesso é uma atitude inútil

por Thaís Petroff

Todos nós encanamos em algum momento de nossa vida a respeito de alguma situação ou questão. No entanto, quando isso se torna uma regra e não um exceção, nos deparamos com um excesso que com certeza gera repercussões negativas, tais como: ansiedade, tristeza, dor de cabeça, dor de estômago, insônia, fadiga, entre outras.

Será que você é uma pessoa encanada em excesso?

- Quando você está no trabalho, percebe em diversos momentos que está pensando nas coisas pendentes em casa?

- Quando está em seu momento de lazer, lembra de tarefas do trabalho que ainda não foram feitas?

- Você se questiona sobre seu desempenho no trabalho e se pode ser despedida?

- Preocupa-se recorrentemente com seu saldo no banco e se terá o suficiente para pagar suas contas?

- Diante da possibilidade de algo ruim acontecer, você toma isso como uma certeza e fica angustiada ruminando essa possibilidade?

- Pergunta-se constantemente se o seu relacionamento irá terminar?

- Quando termina uma tarefa, começa a se preocupar com todo o restante que precisa fazer?

- Se alguém te conta uma má notícia, você passa os próximos dias pensando nisso?

- De maneira geral, muitas situações te deixam preocupada? Você se percebe preocupada o tempo todo?

Se para a maioria dessas perguntas sua resposta foi afirmativa, então posso lhe afirmar que você é uma pessoa encanada em excesso.

A preocupação é algo tão disseminado em nossos dias que pode até não parecer um problema. Preocupar-se parece algo "natural": "sempre fui assim e sempre serei”, acredita que não há nada que possa ser feito a respeito".

É diante dessas crenças que muitas pessoas “sofrem de preocupação” e, apesar do sofrimento, não veem outra saída a não ser continuar perpetuando essa situação.

Por que as pessoas se preocupam?

Existem alguns motivos pelos quais as pessoas se preocupam. Esses motivos servem de base para que as pessoas adotem o que chamamos na terapia cognitivo-comportamental de estratégias de segurança. São assim nomeadas, pois visam proteger a si mesmo de possíveis perigos iminentes. Desse modo, as pessoas preocupadas, adotam essa estratégia como uma maneira de enfrentar os acontecimentos de suas vidas. O psicoterapeuta cognitivo Robert Leahy, descreve em seu livro “Como lidar com as preocupações” os principais motivos pelos quais as pessoas se preocupam, esses são alguns deles:

1ª) Você acredita que a preocupação ajuda a resolver problemas;

2ª) Você acredita que o mundo é perigoso e preocupando-se pode evitar que coisas ruins aconteçam;

3ª) A preocupação o ajuda a perceber pistas de que algo ruim vai acontecer e antecipar o pior resultado possível;

4ª) A preocupação não permite que você sinta emoções fortes (você pensa sobre os problemas ao invés de sentir as emoções);

5ª) Sua ansiedade diminui quando você se preocupa;

6ª) A preocupação proporciona e ilusão de controle;

7ª) Você acredita que preocupar-se o torna responsável;

8ª) A preocupação o motiva;

9ª) Se você se preocupar, talvez encontre a solução;

10ª) Se você se preocupar, não vai deixar escapar nada.

Se você se identifica com alguns desses motivos, provavelmente a preocupação é uma estratégia que você adota no seu cotidiano e que o torna um “preocupado” ou encanado em excesso. É bem possível que em função dessa estratégia, você já tenha tido pensamentos como: “Essas preocupações estão me enlouquecendo”, “Estou cansado de tanto me preocupar”, “Não consigo dormir ou relaxar em função de tanta coisa que passa em minha cabeça” e, diante desses ouvido coisas como: “Se acalme que tudo ficará bem”, “Não se preocupe, tudo se resolverá”, “Tente ser mais positivo”, “Não pense nisso”, “Confie no seu potencial”.

Talvez esses comentários possam ter feito com que você se sentisse melhor... mas por apenas alguns poucos minutos, pois em seguida, suas preocupações voltam, como se nada tivesse acontecido. Isso ocorre porque esses argumentos não te convencem de que se “você não se preocupar, tudo se resolverá”, ou então que se “você não pensar nisso” tudo se resolverá. Você pode também já ter experimentado algumas outras maneiras para lidar com suas preocupações, tais como: checar alguma informação diversas vezes, buscar reasseguramento, preparar-se o máximo possível, entre outras. O problema dessas estratégias é que elas aliviam sua ansiedade, mas por pouco tempo, pois o que na verdade elas fazem é reafirmar para você a necessidade de se preocupar. Vejamos como isso acontece.

A checagem é uma compulsão que serve para aliviar momentaneamente a ansiedade que provém de uma preocupação. Você checa algo, sente-se aliviada da ansiedade por alguns instantes, mas logo o pensamento obsessivo retorna e você precisa refazer a checagem. Ex. Preocupo-me se meus filhos estão bem na nova escolinha e ligo para lá para ver como estão as coisas. Alivio minha ansiedade ao ter uma resposta confortadora, no entanto em seguida me lembro que ainda é a primeira semana deles nessa escola e ligo novamente.

Você busca reasseguramento nos conselhos das pessoas, em livros, na opinião de médicos, e isso também alivia sua preocupação momentaneamente, no entanto, não é somente uma vez que buscará esse reasseguramento; a dúvida tende a voltar e você a repetir esse mesmo comportamento. Ex. Preocupo-me se estou gorda e pergunto para minha amiga se estou com boa aparência. Ela confirma, mas em seguida penso que ela só disse isso porque é minha amiga e logo surge a dúvida novamente.

Diante de uma situação futura você se prepara com bastante antecedência, inclusive podendo dormir pouco para poder ter mais tempo de preparação ou em função da ansiedade. Atinge um bom resultado, no entanto acredita que esse só ocorreu porque você se dedicou dessa maneira, levando-o a repetir a mesma estratégia. Ex. Tenho uma apresentação de um projeto para minha equipe. Nas duas semanas antecedentes a ele, foco todo meu tempo, inclusive de meus almoços e de quando chego em casa para preparar-me tanto quanto possível. Quando meu chefe me saúda pelo bom trabalho, penso que só consegui, pois me preocupei do modo como fiz.




Thaís Petroff

Formada em Psicologia pela PUC-SP e é Master Coach. Utiliza a Terapia Cognitivo Comportamental como base do seu trabalho, mas sabendo da profundidade e complexidade do ser humano, fez formação em Bioenergética, Programação Neurolinguística e Yoga se focando em auxiliar as pessoas a desenvolver e manter emoções mais equilibradas e saudáveis. Foca-se em desvendar e compreender a desafiadora prática das relações, promover transformações cognitivas, emocionais e comportamentais nas pessoas que a procuram e disseminar conhecimento através das mídias sociais.



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