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É preciso associar o processo de aprendizado ao funcionamento do cérebro

Marta Relvas 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Marta Relvas

Segundo estudos postulados pelo psicólogo russo Vygotsky (1896-1934), as funções psíquicas humanas estão intimamente articuladas ao aprendizado, à apropriação do legado cultural de seu grupo por mediação da linguagem.

Assim o indivíduo se constitui como tal, não apenas pela maturação orgânica, mas também pela internalização de um patrimônio material simbólico.

Sendo assim, a escola desempenhará bem o seu papel quando for capaz de ampliar e desafiar a criança à construção de novos conhecimentos, incidindo, para tanto, nas zonas de desenvolvimento potencial ou proximal (momento em que o aprendizado ainda não se consolidou e exige a intervenção de outro indivíduo no processo de aprender) e a real (capacidade de desempenhar tarefas sem necessidade de outro indivíduo, ou seja, a aprendizagem consolidada) de cada educando.

A escola deve, portanto, ser capaz de desenvolver em seus estudantes capacidades intelectuais que lhes permitam assimilar plenamente os conhecimentos acumulados. Portanto para o teórico, a aprendizagem está atrelada ao desenvolvimento orgânico e psíquico.

Segundo, o pensador suíço Jean Piaget (1896-1980), o pensamento da criança se forma totalmente desvinculado do processo de aprendizagem escolar. Ou seja, o desenvolvimento se dá em etapas e com a maturação das funções cognitivas, antes mesmo da criança extrair da escola certos hábitos, conhecimentos e informações, não havendo, portanto, uma mão dupla entre essa maturação do desenvolvimento e a aprendizagem, ou seja, se aprende mesmo sem ir para a escola.

E para a ciência, a influência de um ambiente rico em estímulos favorece o aumento do peso e da espessura do córtex cerebral, então, em contrapartida, a escola deve ser a fonte geradora de estímulos.

Diante do exposto, percebe-se a premência em associar o processo de aprendizado e desenvolvimento humano ao funcionamento do cérebro e à sua plasticidade.

Os neurocientistas estudam cientificamente o cérebro, considerando-o sede própria do aprendizado e os educadores exercem suas funções enfrentando, além de uma grande relação entre a complexidade orgânica, psíquica e social, um educando que nem sempre partilha dos seus objetivos pedagógicos e, em sua grande maioria, não possui ferramentas adequadas para realizar o seu melhor sonho, o ensinar.

Todas essas reflexões tiveram como intuito maior a compreensão e, ainda que minimamente, contribuir na discussão e na procura de respostas de como instrumentalizar o professor que, por meio do conhecimento interdisciplinar dos teóricos e da ciência, reconheça que as conexões neurais e a plasticidade neural envolvem o processo da aprendizagem, que é vital para o desenvolvimento humano.

Por meio da aprendizagem, o indivíduo constrói e desenvolve os comportamentos que são necessários para sua sobrevivência, pois não há realizações ou práticas humanas que não resultem do aprendizado.




Marta Relvas

É Bióloga, Dra e Ms em Psicanálise, Neuroanatomista, Neurofisiologista, Psicopedagoga e Especialista em Bioética. Tem certificação internacional em Educação na Abordagem Reggio Emília na Itália e Title in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal. É Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, e da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal. Professora Universitária da AVM Educacional / UCAM, UNESA - RJ e Professora Pesquisadora convidada no curso de Pós-graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós-graduação de Neurociência Pedagógica na UCAM / AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.



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