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Paquera no futuro tende a ser virtual?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Talvez até namorar seja excessão

por Anette Lewin

Resposta: Sim, conhecer pessoas pela internet é tendência que, provavelmente, veio para ficar até que algo mais conveniente substitua essa modalidade.

Para a geração que nasceu plugada isso é tão natural quanto o casamento arranjado nas culturas mais primitivas.

A tendência de todo ser humano é adaptar-se ao novo que se torna obsoleto cada vez mais rápido.

Ainda não temos parâmetros para avaliar se relações amorosas que começam pela internet tendem a ser melhores ou piores do que os modelos que já existiram na história da humanidade.

Provavelmente, a mulher da caverna que era puxada pelos cabelos para se acasalar, achava isso natural durante muito tempo. Até que em algum momento histórico, alguém se cansou desse formato e resolveu buscar outro.

Assim caminha a humanidade no que diz respeito ao acasalamento.

Certamente, cada modo de se relacionar produz comportamentos diferentes. E, certamente, relações que começam na virtualidade apresentarão características próprias que não sabemos se serão melhores ou piores, mesmo porque esses conceitos são muito relativos.

Relações virtuais: comportamento

Tentando analisar relações virtuais, podemos notar que existe um fator facilitador, que é poder desligar o computador quando não se está mais querendo prosseguir uma conversa. Assim, como a virtualidade não requer grandes esforços para corrigir eventuais "erros" cometidos em uma conversa, talvez as pessoas se sintam mais à vontade para dizer o que pensam. Afinal, ninguém se preparou muito para o outro; ninguém deixou o conforto de sua casa para ir ao encontro do outro; ninguém criou grandes expectativas com relação ao outro, portanto, ninguém deve grandes coisas ao outro. Se der certo, muito bem. Se não, existem milhares de outros à disposição no mesmo dia e na mesma hora.

Isso quanto ao início de um relacionamento. Quanto à sua manutenção, claro que sempre haverá os que sobreviverão e sairão da virtualidade. E a partir daí as regras do encontro presencial voltarão a reinar. Talvez, a passagem do virtual para o real seja uma grande prova de resistência, uma espécie de passagem a partir da qual algum tipo de compromisso comportamental passe a ser esperado. Pelo menos o de não " desligar" a relação com a pessoa ao primeiro sinal de conflito; o de aumentar níveis de tolerância com relação à vontade do outro e o de voltar a olhar nos olhos de alguém para entender seus verdadeiros sentimentos, ao invés de representar esses sentimentos por emoticons.

Tudo isso, porém, são divagações sobre o futuro dos encontros virtuais. Nem sabemos, na verdade, se relações amorosas, que num momento histórico remoto serviam apenas como prelúdio ao acasalamento e preservação da espécie, sobreviverão. Talvez as pessoas assumam o individualismo como formato de vida e se sintam felizes dessa maneira.

- Quem sabe todas as trocas passem a ser virtuais e pessoas se enclausurem em suas bolhas?

- Será que as máquinas passarão a dominar as pessoas como tantas obras futuristas afirmam?

Não sabemos. Apesar de toda evolução tecnológica e suas aparentes facilidades, continuamos sem poder prever grandes coisas com relação às nossas origens e ao nosso futuro. O remédio então é viver o hoje e aceitar o desenvolvimento da virtualidade aproveitando o que ele nos dá de positivo. Evitemos ser os arautos do apocalipse.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.

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