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Fomos todos influenciados a acreditar que estar sozinho é uma espécie de fracasso

Patricia Gebrim 01/01/2016 PSICOLOGIA
A felicidade sempre está associada a festas, viagens, muitas pessoas

por Patricia Gebrim

Escrevo deste lindo lugar em meio à natureza, ao som do vento que atravessa as árvores próximas ao chalé. Longe da cidade, da agitação do dia a dia, em paz e em profundo contato comigo mesma, penso no quão especiais são esses momentos em que mergulhamos em nosso próprio Ser. Muitos fogem de estar consigo mesmos.

Preenchem suas vidas com todo tipo de atividades, ou estão sempre na companhia de outras pessoas. Na verdade fomos todos influenciados a acreditar que estar sozinho é uma espécie de fracasso.

Bacana mesmo é estar sempre rindo, cercado de um grande número de pessoas. Nunca vi uma propaganda, por exemplo, na qual fosse mostrada uma pessoa em profunda conexão consigo mesma, em paz e feliz por isso. A felicidade sempre está associada a festas, viagens, muitas pessoas ou conquistas materiais.

Ouça, se você escolhe estar só em alguns momentos, isso não significa que não goste ou não valorize as pessoas. Estar só não é uma ação contra ninguém. É uma escolha a favor da existência da alma, da beleza, da sensibilidade, da poesia, da criatividade, do amor.

A parte mais bela de cada um de nós, como acontece com os tesouros, encontra-se em nossa profundidade. Está lá, à nossa espera, quietamente, aguardando a nossa atenção para que possa desabrochar, compartilhar suas flores e frutos com o mundo. É uma pena que tantas sementes permaneçam por toda uma vida adormecidas no íntimo das pessoas, sem nunca terem tido a chance de despertar.

Fomos todos condicionados a acreditar que não devemos nos aproximar desse lugar sagrado. Vivemos em um castelo onde todas as portas nos são permitidas, exceto essa. Vejo as pessoas fazendo coisas absurdas para nem sequer correrem o risco de se aproximar dessa porta, como se fosse mal-assombrada. Vão a lugares que não gostam, com pessoas com quem não se identificam, apenas para não correrem o risco de ficarem sós. Permanecem em relacionamentos apodrecidos, mantem "amigos" que os desrespeitam, passam noites grudados em aparelhos eletrônicos ou em frente a um televisor, tudo para evitar sequer passar perto do quarto mal-assombrado...

Mal-assombrado? Já nem sabem de onde tiraram essa ideia, de que aquele quarto era assim tão perigoso, mas o evitam mesmo assim. E é dessa forma que perdem o que de mais belo existe em si mesmos. Perdem a sabedoria da sua alma, perdem a paz, perdem a inspiração, perdem sua capacidade de criar as coisas mais belas, crescer e se reconhecerem como sendo a luz que de verdade são.

Sem a profundidade da vida, passamos a viver um um sonho de superficialidade.

Não tema, nem julgue essa escolha de estar só, não a confunda com solidão.

Permita-se estar plenamente na presença de seu próprio Eu e ouvir as palavras mais significativas da sua existência: as suas próprias palavras.




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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