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Para o brasileiro aposentar não significa parar de trabalhar

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Elisandra Vilella G. Sé

Com o expressivo processo de envelhecimento da população brasileira, empresas têm demonstrado interesse na contratação de pessoas com idade superior a 65 anos.

Embora já até exista essa “cultura”, o idoso ainda encontra adversidades no mercado de trabalho em função do preconceito em relação a essa mão-de-obra que já não tem mais o vigor e força da juventude, mas possui maturidade, experiência e perseverança para se dedicar com qualidade a diversos serviços.

A palavra “trabalho” significa “toda transformação que o homem imprime à natureza, para disso tirar algum proveito”. No dicionário encontramos a definição como “aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar um determinado fim; atividade coordenada de caráter físico e/ou intelectual necessária à realização de qualquer tarefa, serviço ou empreendimento; trabalho remunerado ou assalariado; local onde se exerce essa atividade; qualquer atividade realizada.”

Do ponto de vista epistemológico (campo da linguística que estuda a origem das palavras) a palavra trabalho vem do latim “tripalium” instrumento feito de três paus aguçados com o qual os agricultores batiam o trigo; era usado também para prática de tortura. Devido a isso, o termo trabalho era relacionado à dureza e a dificuldade. Somente a partir do século XI passou a significar a dedicação da força de uma pessoa em favor da outra. Para o filósofo Hegel (1770-1831), o trabalho passou a ter importância capital no processo pelo qual o homem toma a responsabilidade por si mesmo, surge como conquista da subjetividade.

Atualmente, o trabalho está completamente relacionado à remuneração, levando em consideração tudo aquilo que se tem como objetivo, como produzir algo para suprir as necessidades físicas ou intelectuais. Assim, o trabalho estrutura não somente a nossa relação com o mundo, mas também nossas relações sociais. Trata-se de uma ação fundamental para o exercício e manutenção da identidade do ser humano e das relações sociais.

De de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trabalho significa ter uma ocupação econômica remunerada em dinheiro, produtos, outras formas monetárias ou a ocupação econômica sem remuneração, exercida pelo menos 15 horas na semana, em ajuda a membro da unidade domiciliar em sua atividade econômica, ou a instruções religiosas beneficentes, aprendiz ou estagiários.

Estas definições são importantes para compreendermos o universo do mercado de trabalho na nossa sociedade contemporânea, pois ele está relacionado a todas as atividades humanas e deixou de fazer parte da vida para se tornar a forma de poder melhorá-la.

E hoje, os trabalhadores têm benefícios e leis que garantem seus direitos e deveres. Todo tipo de trabalho está relacionado ao desenvolvimento e ao progresso das conquistas do ser humano. É tudo que está em movimento para modificação ou progresso.

Ideal do trabalho

O ideal do ser humano é que o trabalho dê bom retorno financeiro e realização. O trabalho físico modifica propriedades, o trabalho intelectual modifica pessoas e ideias. Os dois juntos modificam a sociedade, dignifica e enobrece o homem.

Sabemos que o Estatuto do Idoso (Lei nº. 10.741 de 1º de outubro de 2003), defende novos conceitos de velhice e comtempla os direitos das pessoas, como a igualdade dos idosos em relação às demais pessoas, direito à liberdade, ao respeito e à dignidade (art.10).

Dessa forma, o Estatuto veio lançar novas luzes às políticas públicas e ao setor privado de modo que a sociedade passe a perceber as pessoas da terceira idade como pessoas produtivas e ativas, indo de encontro a crenças em relação à fragilidade do idoso devido às condições físicas do avanço da idade.

Estima-se que no início deste novo milênio mais de 30 milhões de pessoas na América Latina estarão com idade acima de 60 anos. No Brasil, só o Estado de São Paulo representará quase 3 milhões de pessoas, ou cerca de 8% dessa população. Por isso existe a real necessidade de providenciar resoluções e reformas importantes em diversos setores.

Segundo a especialista em estudos sobre envelhecimento da população brasileira Ana Amélia Camarano (IPEA/Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o Brasil já elaborou uma série de regras, sendo uma delas a do idoso ter o direito de continuar fazendo parte da mão-de-obra produtiva no mercado de trabalho, desde que compatíveis com as suas condições físicas e psíquicas.

É importante ressaltar que nem sempre a diminuição da capacidade laboral do idoso não ocorre devido ao avanço da idade, ao contrário, dependendo da função exercida, a idade avançada representa um aumento da qualidade de serviço prestado.

Culturalmente, o brasileiro não entende a aposentadoria como a cessação da atividade laboral. A crescente participação do idoso no mercado de trabalho por motivos comportamentais ou puramente econômicos já provoca mudanças profundas na vida da população idosa.

Muitas vezes por necessidade o idoso sai à procura de emprego seja para complementar sua renda juntamente a sua aposentadoria ou até mesmo para buscar uma nova renda. Mas existe o idoso que trabalha por opção como um passatempo ou por realização.

O idoso aposentado que participa do mercado de trabalho é um assunto bastante complexo e que merece aprofundamento.

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Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.

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