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Motivação para uma estratégia olímpica

Renato Miranda 01/01/2016 COMPORTAMENTO

por Renato Miranda

Proporcionar condições facilitadoras para a motivação de praticantes de esportes (desde a iniciação ao treinamento) a fim de construirmos uma nova cultura esportiva no país, é assunto em voga.

No último texto (clique aqui), ao escrever sobre nossas pretensões de rendimento olímpico, principalmente nos jogos do Rio de Janeiro em 2016, ficou claro, que; para atingirmos um nível de desenvolvimento de alto desempenho, e ao mesmo tempo, para a prática esportiva e o exercício físico se tornarem parte definitiva na vida do brasileiro, precisaremos de uma mudança radical a respeito de tudo que envolve o esporte: do lazer ao alto rendimento.

Em resumo, para se construir uma cultura esportiva de tradição vencedora nós necessitamos de um processo complexo de ações que leva tempo e muita dedicação de alta qualidade.

Algumas pessoas me perguntaram então qual deveria ser a primeira estratégia para que possamos construir uma nova concepção de cultura de esporte olímpico?

Vou começar com uma frase que um antigo professor especialista em revelação de talento esportivo me disse certa vez em Moscou: "Presumo que no Brasil morrem todos os dias centenas de possíveis atletas de alto desempenho. Morrem sem ao menos saberem de seus potenciais para o esporte".

Essa expressão figurativa diz respeito a algumas questões que desencadeiam facilitadores da motivação para o esporte: Quais esportes são oferecidos às pessoas (crianças, em princípio)? Onde praticar determinado esporte? E sob qual orientação e supervisão é oferecida a prática esportiva? Em resumo, proporcionar às crianças brasileiras a oportunidade de descobrir e experimentar várias modalidades olímpicas em espaços apropriados.

Pergunto: Como saber, se em uma determinada cidade por exemplo, esgrima, salto ornamental e atletismo podem ser instrumentos de vivência esportiva, psicossocial, educacional ou de revelação de talento esportivo, se na mesma não existe equipamentos esportivos para a prática desses esportes?

Ao responder essa primeira pergunta, respondo a segunda e levanto um dos principais problemas do esporte no Brasil: investimento na construção de equipamentos esportivos com qualidade e atender as exigências físicas e materiais das mais diversas modalidades olímpicas.

Esse investimento é caro, muito caro! Porém, é mais barato do que a crescente tendência de uma juventude obesa, sedentária, viciada, violenta, desesperada, inoportuna e outros fenômenos, sem falar que o espaço esportivo é possibilidade de vivências para todas as idades. Por que, de uma maneira geral, adultos só praticam futebol nos fins de semana? Simples, há outro esporte para praticar?

Portanto, o investimento maciço na construção de equipamentos esportivos, facilitar e exigir o mesmo das entidades esportivas privadas deveria estar em qualquer programa de governo, a partir de agora, em todos os níveis: municipal estadual e federal.

A outra questão está intimamente ligada às primeiras. Tão fundamental como a estrutura física, recursos humanos de qualidade são essenciais para o desenvolvimento esportivo. Não cabe aqui discutir se as faculdades de educação física do Brasil devem cumprir esse papel ou não. E se devem, será que o fazem adequadamente ou é precário tal como nossos equipamentos esportivos?

O fundamental é que a sociedade brasileira tenha uma profissão que seja valorizada, atraente para que mentes brilhantes a sigam e ao mesmo tempo seja exigente. A ideia vulgar que apregoa qualquer atividade esportiva, em qualquer lugar com "qualquer pessoa" e que atende às crianças, é simplesmente primitiva.

Portanto, excelência em recursos humanos e infraestrutura esportiva geral de alta qualidade são fontes motivadoras para a construção da base de uma cultura olímpica brasileira.

Em conjunto a esse processo surgem as políticas e metodologias de revelação de talentos, desenvolvimento das competições olímpicas regionais e em nível nacional, oportunização do desenvolvimento cultural esportivo nas escolas, aumento do investimento privado em todos os níveis de prática esportiva (da iniciação ao rendimento) e outros.

Não há mágica, assim fizeram, para citar alguns países, os Estados Unidos, Rússia, Alemanha, França, Itália e mais recentemente China e Austrália. Caso contrário, nós continuaremos enterrando os nossos possíveis "futuros" atletas e reinventando programas de reabilitação psicossocial juvenil.

 




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Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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