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Por que ficamos presos às normas de conduta?

Patricia Gebrim 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Mergulhe silenciosamente no seu mundo interno

por Patricia Gebrim

Outro dia, lendo uma revista feminina, fui percebendo o enorme número de normas de condutas escondidas por entre as letras e fotos coloridas. Faça isso... não faça aquilo... seja assim... isso é desejável... isso definitivamente não é... como "segurar" seu homem... como conquistar uma mulher...

De tempos em tempos a sociedade repagina essas normas e as despeja sobre nós, reles mortais, que acabamos assimilando essas "regras" sem nem ao menos nos perguntar se concordamos com elas.

A vida vai se transformando num jogo, e as pessoas acabam acreditando que "se dá bem quem joga melhor".

Só para apimentar um pouco essa nossa reflexão, explicito aqui perguntas que ainda são fruto de muitas discussões:

- Todos parecem se divertir nas baladas, mas eu simplesmente não gosto disso. Será que existe algo de errado comigo?

- Quando alguém liga me convidando para sair, devo me fazer de difícil?

- Tudo bem se eu quiser ir para a cama alguém em um primeiro encontro?

Bem, podemos aqui abrir uma discussão que não acabaria nunca. É claro que, ainda hoje, de acordo com as normas grupais, as respostas provavelmente difeririam dependendo do sexo de quem faria as perguntas!

Poderíamos defender os direitos das mulheres de vivenciarem a sua sexualidade de forma mais livre. Poderíamos falar sobre as exigências e cobranças vividas pelos homens no sentido de corresponderem a um ideal de masculinidade. Poderíamos falar sobre riscos, doenças, poderíamos discutir eternamente ou até o fim dos tempos. Poderíamos nos dividir em grupos e brigar por nossos pontos de vista. Aliás, isso é o que a humanidade vem fazendo desde o começo dos tempos.

Quanta energia desperdiçada!

A verdade é que, quase sempre, esquecemos de fazer essas perguntas à pessoa mais importante: a nós mesmos!

Cada um de nós é um ser humano único, diverso de todos os outros. Sendo assim, me parece improvável, para não dizer impossível, que uma única regra se aplique a todos nós. Eu sei que isso parece óbvio, mas muitas vezes nos esquecemos desse óbvio, e acabamos criando uma vida onde nos traímos constantemente.

Por que fazemos isso? Por que nos perdemos tanto nas regras, nos jogos?

A resposta é: Porque buscamos proteção.

Enquanto nos sentirmos frágeis e desprotegidos, precisaremos de um grupo para nos dar proteção. Sendo assim, estaremos vulneráveis a essas imagens grupais, teremos que jogar e aceitar as regras do grupo para participar dele, não seremos capazes de exercitar a nossa liberdade de ser o que somos.

Mas, acreditem, não há como encontrar felicidade na vida sendo outro alguém ou fazendo as escolhas que os outros disseram que nos fariam felizes.

Assim, para descobrir o caminho que nos leva em direção à real felicidade, precisamos correr o risco de nos afastar um pouco do grupo, das suas regras, dos seus jogos. Correr o risco de pensar ou sentir coisas que não são recomendadas nas páginas das revistas, que são recriminadas por muitos de nossos amigos, correr o risco de ser quem somos. Precisamos correr o risco de confiar em nós mesmos, nas pessoas, na vida. Abaixar as nossas defesas e ir em direção à vida sendo corajosamente a melhor versão de nosso próprio e único Eu.

Mas para que possamos abrir mão das regras grupais, precisamos ter sido capazes de encontrar aquele lugar de segurança que existe dentro de nosso próprio ser. Precisamos acreditar que, sendo quem somos, seremos capazes de nos proteger, mais e melhor do que as "falsas" promessas de proteção oferecidas pelo grupo (se essa proteção funcionasse todos já seriam felizes, não é?). Precisamos nos lembrar que todos somos parte de algo maior e mais sábio, que possuímos um Eu Superior que possui asas fortes o suficiente para sinalizar e nos tirar de perigos e aflições. A maior proteção que podemos ter é nos sintonizarmos com a nossa sabedoria interna e seguir pela direção que ela nos indica.

A voz de nosso próprio Eu não estará nas páginas das revistas, nas bocas de nossos amigos, nos dicionários ou jornais. Estará dentro de nós. Para acessá-la basta perguntar o que você deseja saber, e depois (essa é a parte difícil) mergulhar silenciosamente em seu próprio mundo interno. Você precisará desligar um pouco a televisão, deixar momentaneamente os livros de lado, calar os pensamentos, diminuir a agitação. Aquietar-se e, no silêncio, ouvir essa voz interna.

- Você se aquieta de vez em quando para sentir a proteção que existe em você?

Arrisque seus próprios passos, saia das trilhas por onde todos caminham, permita-se ousar. Ao mesmo tempo, seja responsável e cuidadoso com você e aprenda com o que escolheu.

A vida é a mais linda e rica das viagens. Se quiser aproveitar ao máximo a sua própria vida, afaste-se dos rebanhos e encontre seu próprio caminho. Imagine ter a possibilidade de ir a Paris e visitar o museu do Louvre sem todas aquelas pessoas ao seu redor... de caminhar pelos corredores sentindo a magia de cada obra sem ter que disputar um espaço com os milhares de turistas tão interessados quanto você... de acenar e sorrir para a Monalisa sem se preocupar com o que as pessoas possam pensar.

Para a sua viagem fora das excursões, lembre-se sempre de levar a luz de sua consciência, uma lanterna mágica que o ajudará a perceber os perigos e dar passos em direção ao que for saudável para você.

Uma última e preciosa dica: leve em sua bagagem os seus sentimentos, eles são a bússola que indicam se o caminho escolhido está em sintonia com a sua verdade. E quando perceber que pegou o caminho errado, simplesmente mude de direção.




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Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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