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Contribuições neurocientíficas nas dificuldades de aprendizagem

Marta Relvas 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Neurociência: um olhar para o modo como o sujeito aprende

por Marta Relvas

A dificuldade de aprendizagem pode ser classificada levando-se em conta as funções afetadas, que são as neuropsicobiológicas superiores. Estas são aprendidas desde o nascimento e são fundamentais para o aprendizado formal. Podem ser detectadas nos primeiros anos de vida, utilizando-se instrumentos de avaliação do desenvolvimento do sistema nervoso central, como exame neurológico evolutivo dos três aos sete anos de idade; e o exame das funções cerebrais superiores a partir dos oito anos. Esse conjunto de testes permite detectar distúrbios da atenção, da memória, das gnosias (percepção e reconhecimento de objetos e sensações), das práxis (atividade prática), da linguagem oral e escrita.

A neurociência numa perspectiva da educação inclusiva, volta seu olhar para o modo como o sujeito aprende. Em uma visão neurobiológica da aprendizagem, pode-se dizer que, quando ocorre a ativação de uma área cortical, determinada por estímulos, provoca alterações também em outras áreas, pois o cérebro não funciona através de regiões isoladas. Isso ocorre em virtude da existência de um grande número de vias de associações precisamente organizadas atuando nas duas direções. Essas vias podem ser muito curtas, ligando áreas vizinhas que trafegam de um lado para outro sem sair da substância cinzenta. Outras podem constituir feixes longos e trafegam pela substância branca para conectar um giro a outro de um lobo ao outro, dentro do mesmo hemisfério cerebral. São as conexões intra-hemisféricas.

Por último, existem feixes que conduzem a atividade de um hemisfério para outro, sendo o corpo caloso o mais importante deles. As associações recíprocas entre as diversas áreas corticais asseguram a coordenação entre a chegada de impulsos sensitivos, sua decodificação e associação, até a atividade motora de resposta. A esta chamamos de funções nervosas superiores, desempenhadas pelo córtex cerebral. Caso aconteça uma alteração neste circuito, as repostas aos estímulos externos não serão processadas nas áreas corticais específicas, apesar no encéfalo ser ativado como um todo. Sendo assim, estas vias podem ser muito curtas, ligando áreas vizinhas que trafegam de um lado para outro, sem sair da substância cinzenta. Outras podem constituir feixes longos e trafegam pela substância branca para conectar um giro a outro, ou um lobo a outro, dentro do mesmo hemisfério cerebral.

Atualmente por reconhecer tal importância de contribuição neurocientífca da aprendizagem, cabe ao professor repensar e agir rapidamente em relação aos planejamentos pedagógicos, pois os cérebros possuem circuitos diferentes no processo de aprendizagem.

Então, fica a pergunta: professor, o que é dificuldade de aprendizagem quando se entende os cicuitos neurais e se disponibiliza a planejar uma aula inesquecível, explorando as possibilidades e potencialdades cerebrais do aluno?




Marta Relvas

É Bióloga, Dra e Ms em Psicanálise, Neuroanatomista, Neurofisiologista, Psicopedagoga e Especialista em Bioética. Tem certificação internacional em Educação na Abordagem Reggio Emília na Itália e Title in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal. É Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, e da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal. Professora Universitária da AVM Educacional / UCAM, UNESA - RJ e Professora Pesquisadora convidada no curso de Pós-graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós-graduação de Neurociência Pedagógica na UCAM / AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.



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