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Etiqueta no networking

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Não se deve jamais ativar sua rede de contatos só na hora do sufoco

por Roberto Santos

Regra nº1 do networking: Mantenha o 'saldo' na sua conta corrente de contatos - "... a ligação no dia do aniversário, a lembrança de uma data importante, a visita quando o outro está doente, compartilhamento de algum assunto de interesse da outra pessoa, o retorno rápido quando se deixa um recado pedindo uma ajuda, como o fornecimento de uma informação ou recurso importante para a pessoa solicitante"

O “networking”, ou rede de relacionamentos, veio para ficar no meio empresarial, como uma competência essencial em um mundo globalizado, onde a interdependência baseada na informação é essencial e onde a rotatividade no trabalho assumiu percentuais inimagináveis.

Há três ou quatro décadas quando a estabilidade no emprego e a lealdade dos funcionários eram a regra e quando as “reestruturações organizacionais” não eram tão frequentes, os profissionais se preocupavam com seu emprego e não ficavam “olhando para o mercado”.

Bem, a regra do jogo mudou, a estabilidade de emprego do berço à sepultura é página virada, a lealdade inquestionável dos empregados a seu empregador foi substituída pela necessidade das novas gerações de serem estimuladas, engajadas, reconhecidas, desenvolvidas e de terem o equilíbrio de suas vidas pessoal e profissionais preservado. Sem essas condições de emprego, os talentos desta geração Y, e mesmo da anterior, ativam sua rede de relacionamentos no mercado e rapidamente estão fazendo entrevistas.

Desde o advento dos serviços de recolocação ou “outplacement”, por volta da metade dos anos 90, se confirma repetidamente que a melhor maneira de se conseguir um novo emprego é a ativação da rede de relacionamentos formada ao longo da vida – familiares, amigos pessoais, contemporâneos de escolas e universidades e colegas de empregos anteriores.

Para a geração que só tinha olhos para seu empregador e “não perdia seu tempo” com contatos encarados então como improdutivos, quando necessitaram, a constatação da desidratação de sua “teia de relacionamentos” foi duramente sofrida. Hoje empresas e empregados valorizam possuir uma vasta rede de relacionamentos que possa ser facilmente acessada para benefício de ambas as partes. Isso foi aumentado exponencialmente com a chegada das redes sociais que facilitaram ainda mais a manutenção e expansão do networking. Com seu bom uso, essas redes baseadas na tecnologia viabilizaram milhões de conexões em tempo recorde.

No entanto, a tecnologia costuma acelerar os processos – no que tem de bom e de ruim. Se, no passado, eu queria prejudicar alguém com um memorando acusador (para informação do pessoal da Geração Milênio, “memo” era o nome de uma correspondência interna “pré-e-mail”) que era copiado para várias pessoas em xerox (ou papel carbono para os mais antigos), e levava alguns dias até chegar aos destinatários, hoje, com o simples “enter” no computador eu envio minha bomba que arremessa estilhaços para todos os lados. Especialmente para aqueles que têm “incontinência digital”, a tecnologia serve como seu anjo e demônio.

Assim, independentemente da tecnologia, faz-se necessário se pensar sobre a Etiqueta nas Redes de Relacionamento e seu impacto sobre as amizades e as carreiras. Como nos comportamos com o estabelecimento de novos contatos e manutenção dos anteriores, é um elemento essencial para a gestão de nossa carreira e de nossa reputação pessoal e profissional. Não se consegue mais sair impunemente de um pequeno escândalo na web pois os Twitters, Orkuts e Facebooks ou as pessoas que os ativam são implacáveis.

Como Fã-nático dos Beatles, lembro da frase final da música “The End” do álbum Abbey Road – “and in the end the love you take is equal to the love you make” (“e no final, o amor que você leva é igual ao amor que você dá/faz”). Nosso networking é alicerçado sobre a base da equidade das trocas sociais que fazemos com as pessoas, ao longo da vida. Nossa rede de relações é baseada no escambo de atenções que dedicamos uns aos outros.

Anos atrás, eu tive contato com um conceito simples que acho bastante alinhado ao ponto anterior – “conta corrente emocional” – que estabelecemos nas relações com as outras pessoas. Dependendo de nosso histórico de depósitos numa conta daquele tipo, podemos “sacar” mesmo quando estamos quase sem fundos. No entanto, se só queremos fazer retiradas e não fazemos nenhum crédito para nossas relações, logo vamos criar a fama de dar cheques “borracha” e as pessoas de nossas relações podem fechar a conta.

Os depósitos nesta metáfora, são os pequenos agrados, como a ligação no dia do aniversário, a lembrança de uma data importante, a visita quando o outro está doente, compartilhamento de algum assunto de interesse da outra pessoa, o retorno rápido quando se deixa um recado pedindo uma ajuda, como o fornecimento de uma informação ou recurso importante para a pessoa solicitante.

Existem pessoas de meu relacionamento que já desgastaram sua conta corrente comigo pois aparecem do éter, como que por mágica, quando estão num momento de “transição de carreira” para pedirem para avaliar o CV, encaminhar a meus contatos e depois, desaparecem tão rapidamente quanto surgiram. Já “transicionados” para um novo emprego, seu canal de networking sai do ar e, provavelmente, será acionado novamente na próxima transição.

Mesmo antes de se recolocarem, alguns colegas comentam sobre contatos corporativos que na “rua da amargura” ou a caminho dela, pedem um encontro para conversarem e pedir um conselho ou dica. Mesmo recebendo um aceite e com uma oferta de data e horário, somem do mapa, até que a próxima crise apareça. Essas pessoas, aos poucos, vão encontrar portas fechadas para suas redes -- falimentares que estarão por inanição de trocas de atenção.

Na correria do dia a dia, na profusão de contatos profissionais que o mundo atual proporciona, não se espera que as pessoas mantenham contato com todos eles, todo o tempo, pois o enxugamento dos quadros fez com que o trabalho se acumulasse extraordinariamente para quem sobrevive. Entretanto, àqueles que nos são caros e são “galhos” fundamentais à sustentação da árvore de nossos relacionamentos, devemos cuidar para que sejam providos da seiva de nossa educação e atenção, não apenas precisamos que quebrem os nossos galhos.




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Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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