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Quatro capitais essenciais para um bom projeto de vida

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Precisamos ter uma educação para o envelhecimento

por Elisandra Vilella G. Sé

Exercitar corpo e mente de forma rotineira, manter uma alimentação adequada, equilibrada para controlar o peso, praticar atividade física, manter o bom humor, fazer amigos e seguimento clínico de rotina são estratégias valiosas para viver mais e melhor, com mais qualidade de vida, independência e autonomia. O desafio é conseguir que os anos vividos a mais, não importam quantos, mas que sejam plenos de significado, levando uma vida digna e respeitosa, que valha a pena ser vivida.

Cada vez mais a ciência tem se mostrado importante na divulgação de resultados significativos sobre hábitos saudáveis de vida que proporcionam longevidade e qualidade. A expectativa de vida se alterou com o passar das décadas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer era de 74,9 anos, o que aumentou substancialmente se compararmos à esperança de vida em 1945, que era de 43 anos ou em 1980, de 62,6 anos.

Além dos cuidados importantes que devemos ter com a saúde física e mental, nos dias atuais, a utilização de novas tecnologias também pode trazer benefícios, seja no campo da estética, ortopedia, fisioterapia, cardiologia ... Portanto, novos avanços na área da saúde são importantíssimos. Mas a adoção de comportamentos positivos é que devem ser levados em conta no dia a dia.

Cada pessoa tem responsabilidade sobre o próprio processo de amadurecimento e envelhecimento. Para desfrutar da maturidade, é importante preparar-se para traçar um projeto de vida que compreenda aspectos relativos à saúde física, mental, financeira, social e intelectual.

Um estudo recente publicado na Academia Americana de Ciências (PNAS) afirma que diferentes taxas de envelhecimento podem ser detectadas a partir dos 20 anos. A coleta de dados foi feita com uma amostra de 945 participantes nascidos na Nova Zelândia em 1972 e 1973, de quem foram coletados dados sobre as funções dos rins, do fígado, do pulmão, higiene bucal, vasos sanguíneos nos olhos, metabolismo e função do sistema imunológico. Também foram medidos o colesterol, os níveis de condicionamento físico e o comprimento dos telômeros (capas de proteção nas extremidades dos cromossomos, que diminuem com a idade).

O monitoramento foi realizado quando os voluntários tinham 26, 32 e 38 anos. A maioria envelheceu à taxa esperada de um ano biológico por ano cronológico ou até menos. Outros participantes foram envelhecendo na proporção de três anos biológicos por ano cronológico. Quando os pesquisadores avaliaram os participantes do estudo que tinham envelhecido mais rápido, observaram que os sinais de deterioração eram evidentes já aos 26 anos.

Dessa forma, o que precisamos ter é uma educação para o envelhecimento, um planejamento de vida saudável, levar em consideração hábitos saudáveis e vivenciar eventos positivos.

Segundo o médico brasileiro Alexandre Kalache, que dirigiu o departamento de envelhecimento e saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), um projeto de vida compreende quatro capitais que precisam ser bem investidos ao longo da vida, são eles: vital, financeiro, social e de conhecimento.

Capital vital

Consiste no respeito ao estilo de vida; trata-se do cuidado com alimentação, com o corpo e com a saúde física.

Capital financeiro

Diz respeito à administração financeira pessoal e à reflexão sobre o alcance da aposentadoria, o planejamento financeiro.

Capital social

Envolve as relações pessoais com amigos, familiares, companheiros. Já que é fundamental manter redes de relações sociais e suporte de recursos humanos.

Capital de conhecimento

Consiste no acesso a informações, educação formal e não formal; aprendizados diversos e experiências que nos possibilitam reinventar o curso de vida.

É de suma importância ressaltar que o processo de envelhecimento é muito heterogêneo e as atividades para os idosos precisam fazer sentido em suas vidas; é importante ter respeito e consideração pela história de vida de cada um.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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