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Técnicas para aprimorar a memória frente à longevidade

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Manter a saúde mental e a memória ativa é o desafio do século

por Elisandra Vilella G. Sé

Programas de treinamento de memória são realizados para promover o aprimoramento de habilidades de memória na velhice. Estudos sobre intervenções de memória têm estabelecido que programas de treino de memória melhoram habilidades de memória em idosos. O treinamento de memória pode ajudar a pessoa a superar alterações de memória decorrentes da idade, indicando modificações e adaptações no funcionamento de memória de idosos.

Com o processo de envelhecimento alguns sistemas de memória sofrem declínio, tais como a memória operacional (responsável pela manipulação da informação) e a memória episódica (eventos específicos), porém a memória semântica (vocabulário) melhora com a idade, porque ela é considerada parte da inteligência cristalizada, refere-se ao nosso conhecimento de mundo e quanto mais agregamos informações ao longo do tempo mais ela sofre transformações. Nossa memória semântica se forma a partir do uso social da linguagem. Entretanto pesquisas recentes confirmam que programas de treinamento de memória podem promover o aprimoramento de habilidades de memória.

A aquisição de novas informações pela memória em idosos é mais lenta em função do processo de envelhecimento, mas estudos demonstram que após treinamento de memória, pessoas com idade mais avançada podem aprender novas habilidades de memória. Estudos demonstram resultados positivos da utilização de treino envolvendo somente treino unifatorial, utilizando somente uma técnica e resultados mais potentes com treino multifatorial, envolvendo mais de uma técnica.

Os programas e técnicas de treinamento de memória têm o objetivo de fortalecer o registro de informações melhorando assim as funções da memória. As técnicas de aprimoramento de treinamento de memória possibilitam que o material recebido na fase da recepção seja mais bem codificado, permanecendo armazenado para ser utilizado quando necessário.

Existem três importantes grupos de estratégias internas (estimulação e codificação) e externas que possibilitam aprimoramento de memória. São ferramentas para melhorar habilidades de memória. E também, para nos tornarmos responsáveis por nosso sistema de memória, focar nossa atenção em conteúdos relevantes, selecionar e codificar o que precisamos e o que usaremos mais tarde. Para isso, a memória deve ser cuidada, para estar pronta para os momentos de registro. É importante ressaltar que todo esse cuidado não pode ser frio e mecânico, de forma descontextualizada. A motivação também é muito importante. Sem a motivação a comunicação entre os neurônios não tem vida própria. Não existe mágica, podemos ter atitudes para aprimorar o funcionamento da memória em função da capacidade de plasticidade humana. É importante lembrar que nossa capacidade de memorização têm limites e esquecer é saudável.
Vejamos algumas técnicas de treinamento da memória que você poderá usufruir:

Estratégias externas e internas

As estratégias externas diz respeito ao grupo de estratégias para otimizar o ambiente. São técnicas importantes para facilitar e ajudar a memória no momento do resgate da informação. Vários estudos mostram que numa tarefa de resgate de informação ou de lembrança, as pessoas lembram com mais facilidade informações com pistas, ou seja referências, do que informações lembradas sem pistas. Portanto, podemos criar estratégias no ambiente e no nosso cotidiano para auxiliar a memória, possibilitando que sua memória fique menos sobrecarregada com o material que pode ser arquivado numa agenda, por exemplo. Use esses recursos para melhorar a qualidade de sua memória: agendas, lista de afazeres, bilhetes... Procure guardar as chaves e óculos sempre no mesmo lugar, programe o despertador para lembrar de compromissos ou medicamento. No começo da semana faça uma lista dos aniversariantes que gostaria de ligar.

As estratégias internas diz respeito às técnicas de aprimoramento de memória que favorecem o caminho da informação pelas redes neurais. São técnicas para facilitar o registro de informações e muito usadas para estimular a memória e todo sistema cognitivo através de exercícios e jogos. Elas dependem do sistema cognitivo, ou seja, do processamento mental e da criatividade. São ferramentas para melhorar as habilidades de memória, para tornarmos responsáveis por nosso sistema de memória, focarmos nossa atenção em conteúdos relevantes, selecionar e codificar o que precisamos e o que usaremos mais tarde, possibilitando que o registro da informação fique mais forte e duradouro nos sistemas de memória.

Pense numa biblioteca em que os livros estão desorganizados, se você precisa de um livro de história, terá que percorrer um a um até encontrar o livro de história que necessita. Porém, se você tem uma biblioteca categorizada em livros de história, de culinária e de artes, quando precisar de um livro de história vai diretamente à prateleira com esse material. O sistema de memória funciona da mesma maneira, quando registramos a informação utilizando uma estratégia para a codificação estabelecemos uma forma que a informação fique fortemente registrada.

Vejamos algumas estratégias internas de memória que você poderá utilizar para aprimorar sua memória:

Imagem visual: É conhecida como a mais importante estratégia *mnemônica. A técnica consiste na integração das informações que necessitam serem registradas numa única imagem visual. Por exemplo: João necessita ao longo de seu dia visitar sua mãe, comprar uma passagem aérea para uma viagem e comprar um presente para sua esposa. Segundo a técnica de imagem visual João pode criar um quadro mental no qual visualize sua mãe num avião sentada ao lado de sua esposa com um presente na mão.

Associação: O método consiste na relação semântica entre duas palavras. Por exemplo: Necessito memorizar o número 9705. Faço uma relação entre 97 o ano que finalizei um curso e 05 a idade de minha sobrinha. Podemos fortalecer o registro usando conjuntamente imagem visual.

Elaboração: O método de Elaboração é semelhante ao método de Associação. Na Elaboração são criadas sentenças para facilitar o registro. Por exemplo: Tenho que memorizar a primeira coluna da tabela periódica, crio uma estória. Li na Kama Robson Crusué Francés. LI - NA - K -RB - CR -FR.

As estratégias internas também incluem exercícios de estimulação que são usadas para estimular a mente através de exercícios e jogos. Adquira o hábito de realizar atividades que estimulem as funções intelectuais. Tais como os jogos de dominó, xadrez, quebra-cabeças, palavras cruzadas, desenhos, atividades artísticas, ou cartas com os amigos, etc... Identifique uma atividade de lazer que lhe dê prazer, como: ler um livro, caminhar, reunião com os amigos, pintar um quadro, bordar, freqüentar festivais, shows, palestras, cinema, ou participar de atividades laborais, como relaxamento.

A leitura é um bom começo. O processo da leitura cria diversos caminhos pelo seu cérebro. É o processo de retenção e associação de idéias, estimula a capacidade de abstração, interpretação, formação de conceitos, avaliação e aumento do vocabulário.

Manter a saúde mental e a memória ativa é o desafio do século, já que nem todas habilidades da inteligência declinam e outras são preservadas ou podem ligeiramente melhorar. Na Ásia, os orientais já vêm cuidando da longevidade mental há anos. Além de utilizar-se de estratégias de memória, para manter a mente em boa forma diminua o estresse e aumente a energia para se concentrar no equilíbrio entre corpo, mente, respiração, relacionamentos e boa alimentação.

*Mnemônica: técnica para desenvolver a memória e memorizar coisas, que utiliza exercícios e ensina artifícios, como associação de idéias ou fatos difíceis de reter a outros mais simples ou mais familiares, combinações e arranjos de elementos, números etc.; mnemotecnia, mnemotécnica. Fonte Dicionário Houaiss




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Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



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