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Tenho medo de sair de casa, o que faço?

Joel Rennó Jr. 01/01/2016 PSICOLOGIA
O transtorno do pânico é o medo de ter medo

por Joel Rennó Jr.

Resposta: O medo de sair de casa pode representar um comportamento isolado e responsivo a alguma situação vivencial traumática. Não necessariamente significa um sintoma de algum transtorno mental. É importante a investigação do tempo de duração de tal medo, fatores desencadeantes possíveis, nível de incapacitação gerado, além da origem do mesmo e contexto no qual ocorre. É preciso se analisar, com cuidado, o grau de desajuste psicossocial causado por tal medo, além da observação se tal medo é circunscrito ou generalizado.

Alguns transtornos mentais podem ter o medo como um sintoma. Quando ele é persistente e incapacitante, uma avaliação psiquiátrica bem feita é necessária.

O transtorno do pânico é o "medo de ter medo", ou seja, as pessoas costumam evitar os locais ou situações onde as crises de pânico (taquicardia, formigamentos, sudorese, tontura, sensação de sufocamento, além do medo de morrer ou perder o controle) foram desencadeadas. Embora as crises de pânico possam ocorrer em quaisquer locais ou situações, as pessoas costumam associá-las aos locais onde tais eventos ocorreram, evitando os mesmos a ponto extremo de se isolarem e não saírem de casa.

A fobia social, conhecida também como ansiedade social, leva os pacientes a evitarem situações de exposição social. É uma vergonha ou timidez extrema, patológica, impedindo a pessoa de executar tarefas pelo grande medo que elas têm de serem julgadas ou avaliadas pelos outros. Têm o sentimento de que serão julgadas severamente e até humilhadas em tais contextos sociais. Por exemplo, na apresentação oral de um trabalho, apresentam tremores, palpitações, gaguejam, ficam com rubor facial e apresentam suores intensos ou mãos frias. Podem, portanto, também se isolar em casa a ponto de recusarem convites para atividades até de lazer ou familiares onde haverá exposição a um grupo social.

A depressão possui um amplo espectro de sintomas como tristeza, humor deprimido, perda do interesse ou prazer em atividades habituais, alterações do sono e apetite, pensamentos de conteúdo negativo, dificuldades de atenção e concentração, lentificação ou agitação psicomotora entre tantos outros sintomas. Pode levar a pessoa, dependendo do nível de gravidade, a ter medo de sair de casa, levando-a, portanto, a um isolamento.

Há também situações outras como pode ocorrer nos "surtos psicóticos", nos quais as pessoas têm uma alteração de juízo e crítica, avaliando de forma distorcida, incoerente e implausível a realidade que as permeiam. Podem ter pensamentos delirantes de cunho *persecutório e, em conseqüência, se isolarem (sentem-se perseguidas por alguém imaginário ou irreal). Tais surtos psicóticos podem ocorrer devido a um transtorno psiquiátrico como a esquizofrenia e também após o uso de álcool e outras drogas.

Portanto, o medo em si, é um sintoma que deve ser analisado com muito critério. Só mesmo uma anamnese psiquiátrica completa (avaliação) para definir se precisa de tratamento apenas psicoterápico, medicamentoso ou de ambos.

* em que há perseguição: Fonte Dicionário Houaiss

ATENÇÃO

As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento




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Joel Rennó Jr.

Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br



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