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Olhar, voz e gestos: temperos da comunicação efetiva

Regina Wielenska 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Impulsividade e má comunicação geram desentendimentos terríveis

por Regina Wielenska

Fui educada pela avó materna uma boa parte da vida, enquanto minha mãe saia para trabalhar. Minha avó nunca bateu em mim nem levantava a voz. Tampouco era de ameaças. No entanto, era respeitada tanto por filhos como por mim e bastava um olhar, um tal jeito de compor a expressão do rosto, que sabíamos que havíamos extrapolado em algo e tínhamos assim a oportunidade imediata de corrigirmos o rumo.

O entendimento se passava com base em expressões faciais e tom de voz. Aprovação, reprovação...Funcionava bem na maior parte das vezes.

Note como a educadora inglesa que estreou o programa Supernanny na TV modifica seu tom de voz ao falar com crianças e pais, seja para celebrar com eles alguma conquista ou sinalizar o que não está funcionando o direito. Ela bem enfatiza a importância da troca de olhar entre a criança e os pais, e faz isso ela mesma em seu show.

Quando se conversa por mensagens de texto ao celular perdemos a riqueza das nuances emocionais que, neste caso, silenciosamente acompanham as palavras apresentadas em sua crua literalidade e sem o rico contexto derivado de como as coisas seriam ditas num papo cara a cara. Vírgulas ocasionalmente fazem falta num torpedo e sua ausência ou má colocação já muda o sentido de muita coisa.

Imagine então quando temos raiva e estamos a brigar com a pessoa amada via mensagens carregadas de intenções emocionais nada serenas. Texto breve, provavelmente mal escrito, temperado com raiva e mágoa. Qual a chance dessa comunicação chegar a um termo satisfatório?

Em qualquer relacionamento discordâncias haverão de existir. Mas o que estou sugerindo é que se evite ao máximo desenvolver conversas importantes, estratégicas, por meio da troca de torpedos. No meu trabalho de terapeuta precisei ajudar pessoas a reverter desentendimentos terríveis, frutos da impulsividade e da má comunicação.

O olhar, os gestos, a voz da pessoa e até seus feromônios acrescentam vida ao que se pretende comunicar, em geral trazem maior clareza e profundidade ao discurso, servem como moduladores do tom emocional que se deseja transmitir. Use e abuse desses recursos... assim você amplia as chances de ser entendido exatamente como planejara. Boa sorte!




Regina Wielenska

É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.



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