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Entenda a relação entre introspecção e autoconhecimento

Rosemeire Zago 01/01/2016 PSICOLOGIA
Ouvir a intuição pode ser a resposta para vários problemas

por Rosemeire Zago

Durante nossa vida nos incutiram ideias, moralismo, valores, criando crenças que permitimos direcionar nossa vida, e só conseguimos mudar quando atualizamos essas crenças e conseguimos distinguir o que é nosso do que é do outro.

Algumas pessoas acreditam que não podem – ou não querem – mudar. Mas esse padrão de pensamento nada mais é que do que fruto de mais uma crença. Para quem não quer mudar, porque do jeito que tudo está o faz feliz, continue assim; mas para quem deseja muito mudar, seja em qualquer área ou situação de sua vida, é preciso estar aberto a correr riscos, a ser flexível.

Você já percebeu que as pessoas rígidas são as que mais sofrem com seu modo de ser? A rigidez mental é uma das formas mais corriqueiras de atrair sofrimento. Pessoas que estão presas a hábitos e padrões de pensamentos rígidos como, “Só eu sei como as coisas são ou devem ser feitas”, devem se perguntar: “Será que sei mesmo?” Quem é rígido não evolui e quem não evolui fica paralisado, parado, acomodado, e para nos transformarmos em pessoas melhores, temos de começar a mudar por dentro.

Acreditar que não podemos mudar é ignorar a capacidade que todos nós temos de crescer. Será que lá no fundo você não acredita nem um pouquinho em sua capacidade? Sempre é possível mudar a maneira de pensar, destruindo antigas convicções até o momento inflexíveis e tornado-se uma pessoa aberta a novos pensamentos, crenças, valores, comportamentos, enfim, realizando pequenas mudanças diárias e aproximando-se cada vez mais de quem você é em sua essência. Ou seja, ser simplesmente você mesmo, sem máscaras, manipulações, projeções. Livre de tudo que aprisiona e faz sofrer! Utopia? Não, realidade!

Pare neste momento com seu papel de vitima, pensando ou dizendo que não consegue. Você pode conseguir tudo o que quiser, mas é preciso estar atento às fantasias, expectativas, ilusões, pois isso sim nos causa frustração. Quando negamos a realidade ou ficamos esperando que as pessoas e situações sejam como esperamos, só conseguimos obter sofrimento.

Comece sentindo-se responsável por tudo que acontece ao seu redor. Se não está se sentindo bem, feliz, identifique tudo que colabora para sua tristeza e sofrimento. E decida neste momento mudar seu padrão de pensamento, transforme tudo que é negativo dentro de você em positivo, transforme sua tristeza em alegria. Você pode pensar; “mas não depende só de mim”, ou “mas ele me fez isso”, seja qual for o “mas”, transforme e mude o que depende exclusivamente de você.

Para que você se sinta feliz, é preciso mesmo que alguém faça aquilo que esperava? Por que não alimentar-se com seus próprios recursos? Por que esperar que a solução venha de fora? Por que culpar os pais, o mundo, seja quem for, por seu sofrimento? Culpar os outros, buscando sempre um bode expiatório para tudo que acontece na vida, principalmente as coisas ruins, na verdade, é fugir da responsabilidade de sua própria vida e conseqüente melhora.

Sombra

Nossos piores inimigos estão dentro de nós, e não fora. Por isso é importante nos reconciliarmos com nosso íntimo, o lado escuro, nossa sombra, o que só se torna possível à medida que a conhecemos e não a ocultamos mais de nós mesmos. A concepção de sombra para Jung: modelo ou representação de tudo aquilo que não admitimos ser e que nos esforçamos por ocultar e/ou valores inconscientes e qualidades em potencial esquecidas nas profundezas de nossa intimidade que precisamos despertar dentro de nós. Não, não devemos ter medo de olhar para dentro de nós mesmos. A sombra pode parecer a princípio uma parte horrível da qual queremos distância, no entanto ao confrontarmos com seus conteúdos, levando luz a esse lado escuro, veremos que se trata apenas de parte de nós mesmos, carentes de conhecimento e de amor. Negar o lado escuro de nós mesmos é subestimar o poder de nossa própria capacidade. Só ao admitirmos nossa face desconhecida, podemos nos redimir ou transformar até onde conseguimos ver.

Quando aos poucos vamos tomando contato com os aspectos de nossa sombra, nos tornamos cada vez mais conscientes de nossos impulsos, emoções, sentimentos e atributos que ignorávamos ou negávamos em nós mesmos.

A consciência lúcida acerca da sombra nos liberta do papel de vítima a que muitos estão acostumados a viver, não tendo mais a necessidade de buscar algo ou alguém para atacar ou acusar pelos infortúnios de própria vida. Só assim atingiremos a paz e tranqüilidade que tantos de nós buscamos. Mas para saber quem realmente somos, precisamos mergulhar nas profundezas do ser e buscar a sabedoria existente em nosso mundo interior. É como um convite para uma viagem, mas para dentro de si mesmo.

Para essa viagem não é preciso nada além dos recursos que você possui: silêncio, reflexão, introspecção. O autoconhecimento nos estimula a manter contato profundo e significativo com nossa força interior, aprendendo a ouvir nosso mundo silencioso, até então, abafado pelo barulho externo. Sidarma Gautama ensinava:

“De que servem cabelo e manto impecáveis, ó tolo! Tudo dentro de ti está confuso e, no entanto, você penteia a superfície!”

Para evitar que nossa alma grite por intermédio de sintomas e doenças, podemos nos antecipar e ouvi-la praticando a meditação. Precisamos adquirir o hábito de dedicar algum tempo ao silêncio da meditação, sentindo o mundo interior e não apenas a superfície das coisas e pessoas, a que estamos tão habituados. Por que não escutar um pouco sua voz interior, tão sábia?

Intuição

Ouvir a própria intuição pode significar conseguir a resposta para vários de seus problemas. Afinal, todo problema contém em si mesmo a semente da solução. Mas parece muito mais sedutor esperar que a resposta venha de fora, pronta, como quando temos preguiça em fazer uma comida caseira, saudável, e compramos algo congelado, sendo suficiente que contenha apenas as instruções na embalagem. Mas a vida não vem com bula como nos remédios nem com manual de instruções, precisamos sim arregaçar as mangas e colocar a mão na massa. Pode ser que nos sujemos um pouco, mas com certeza, o resultado é muito mais compensador!

Como fazer? Dedique alguns minutos de seu dia para ficar em silêncio consigo mesmo, ouvindo seus sentimentos e pensamentos. Comece apenas observando sua respiração, aos poucos perceberá que seu ritmo se modifica por si só, seus pensamentos começam a ficar mais nítidos, tudo dentro de você começa a ficar em harmonia, seus órgãos internos, sentimentos, e você poderá começar a identificar aquilo que está te fazendo sofrer e mudar o que deseja ser mudado. Simples assim!




Rosemeire Zago

Psicóloga com abordagem junguiana com especialização em psicossomática. Desenvolve uma abordagem voltada para o autoconhecimento e criança interior.



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