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Cerca de 60% dos idosos brasileiros são portadores de alguma demência

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Em 2050, 115 milhões de pessoas sofrerão de demência em todo o planeta

por Elisandra Vilella G. Sé

Em 1994 foi instituído pela ADI Alzheimer’s Disease International, o dia 21 de Setembro como a data principal para os movimentos solidários envolvendo todas as pessoas que convivem com demência tipo Alzheimer em todo o mundo.

Atualmente cerca de 26 milhões de pessoas em todo o mundo são portadores da doença de Alzheimer (DA) e estudos realizados pela Universidade John Hopkins (EUA) concluem que até o ano 2050, cerca de 100 milhões de pessoas desenvolverão a doença. No Brasil, estima-se que cerca de 1.200.000 brasileiros sejam portadores da DA, considerando cerca de 190.000 só no Estado de São Paulo.

De acordo com pesquisas científicas, atualmente são 36 milhões de pessoas no mundo vivendo com demência e é esperado que este número alcance 66 milhões em 2010 e 115 milhões em 2050.

A demência é definida como uma síndrome clínica caracterizada pela deterioração progressiva de múltiplos domínios da cognição, capaz de comprometer a autonomia do indivíduo. Representa causa importante de incapacidade, institucionalização e redução de sobrevida na população, em especial a população idosa. Não que as doenças crônicodegenerativas sejam manifestação do envelhecimento, mas porque esse grupo etário apresenta maior vulnerabilidade para desenvolver determinadas doenças e as demências, em especial a doença de Alzheimer, apresentando uma maior ocorrência e impacto neste segmento populacional.

Com base em estudos epidemiológicos feitos no Brasil em 2008, estima-se que 60% dos idosos brasileiros são portadores de algum tido de demência, isso corresponde a 1.332.034 pessoas. Dessas 799. 220 pessoas são diagnosticadas com a provável doença de Alzheimer. A prevalência de demência aumenta de forma importante com a idade, dobrando a cada cinco anos, variando de 1,5%, entre 60 e 64 anos, a quase 40% nos nonagenários. A prevalência global dessa patologia é estimada em 3,9% nos sujeitos com idade igual ou superior a 60 anos, com uma variação importante entre os continentes, de 1,6% na África a 6,4% na América do Norte. Na América Latina, a taxa de prevalência é de 7,1% e, no Brasil, varia entre de 6,0% a 7,1%. A incidência mundial anual é estimada em 7,5 casos a cada 1000 habitantes idosos (idade = 60anos).

A demência tem um impacto importante na vida social e na dimensão emocional das famílias e seus cuidadores em toda parte no mundo. A falta de compreensão e conscientização sobre a doença resulta em recursos insuficientes para lidar da melhor forma possível com essa doença. Por isso as campanhas mundiais dedicadas aos diferentes segmentos da sociedade tornam-se momentos de discussão e debate em torno do tema para que possam gerar iniciativas políticas e institucionais. Não resta dúvida de que a situação do bem-estar dos idosos, dos portadores de doença de Alzheimer e das famílias merece atenção especial com o devido reconhecimento de seus arranjos internos, enquanto agentes sociais ativos.

A família é o espaço indispensável para a garantia da sobrevivência de desenvolvimento, da proteção integral, da educação e também do envelhecimento. É a família que propicia os aportes afetivos, além dos materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação, é em seu espaço que são absorvidos os valores éticos e humanitários e onde se aprofunda os laços e constroem as marcas das gerações.

O tema da campanha deste ano é “Alzheimer, é tempo de agir” e o grande desafio que é mobilizar-se no sentido de conscientizar a as políticas públicas para a implementação de um plano Alzheimer. Essa mobilização tem o objetivo de alertar para a melhor gestão dessa doença, um melhor suporte a cuidadores e famílias para mudar a visão de toda uma sociedade com pessoas idosas com doença de Alzheimer. Não é apenas um compromisso com a saúde pública e com a ciência que permite muitos avanços, tanto quantitativa e qualitativamente, mas um movimento real que possa influenciar toda a sociedade e fazer da gestão da doença de Alzheimer uma prioridade a curto prazo.

No Brasil, a ABRAz Associação Brasileira de Alzheimer e suas regionais utilizam esta data para promover ações de conscientização da população sobre a importância de conhecer mais sobre a doença e atrair a atenção da mídia e dos articuladores de políticas públicas sobre a necessidade de maior investimento na saúde, principalmente considerando que a população idosa vem aumentando em muito e trazendo como decorrência, um efeito devastador sobre a economia, os sistemas de saúde e as famílias.

As campanhas realizadas têm por finalidade sensibilizar a comunidade para a gravidade dessa doença degenerativa, caracterizada especialmente, por uma perda ou alterações da memória, linguagem e outras funções mentais que se agravam com a progressão da doença, e são posteriormente acompanhados por alterações de comportamento e déficits motores.

Causa e cura de Alzheimer ainda são desconhecidas

Ainda não foi descoberta a cura para a doença, ainda não se sabe ao certo o que causa ou como preveni-la, é uma doença que traz muito sofrimento para o doente e sua família. Portanto, existem sérios motivos para a conscientização e campanhas nesse dia, tais como:

• A existência de uma preocupação em nível internacional por parte das autoridades médicas e dos profissionais das áreas de saúde a respeito da doença, sendo importante a população saber o que é a doença de Alzheimer, seus principais sintomas, forma de diagnosticar e possíveis tratamentos;

• A importância de detectar precocemente os primeiros sintomas da doença, para assim estimular a busca de um diagnóstico médico e tratamento adequado para o paciente e suporte social para a família;

• Explicar a diferença do curso da doença de Alzheimer de outras doenças similares e do processo de envelhecimento normal;

• A busca de novos tratamentos e terapias que possam beneficiar o paciente;

• Esclarecer sobre a reabilitação sóciocognitiva para o paciente e bem como medidas que visam a prevenção da doença e a promoção de um envelhecimento saudável;

• Informar a comunidade a ação da ABRAZ esclarecendo as estratégias voltadas para o cuidador familiar, o apoio que a ABRAZ e profissionais especializados voluntários fornece aos cuidadores para melhora do bem-estar do cuidador;

• A importância do atendimento ao portador de Doença de Alzheimer na rede pública, bem como a existência de equipes multiprofissionais na área de geriatria e gerontologia que estudam e trabalham em prol do idoso acometido pela doença;

• É necessário ainda a solidariedade e a conscientização por parte da família e de toda a sociedade.

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Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.

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