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Idosos ativos fisicamente executam tarefas de atenção melhor que sedentários

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Exercício físico regular previne declínio cognitivo

por Ricardo Arida

No artigo anterior - clique aqui e leia - foi comentado o efeito do exercício sobre a saúde mental. É importante ressaltar que o exercício físico também previne o declínio cognitivo que normalmente ocorre com o envelhecimento. Com o decorrer da idade, o cérebro diminui de densidade em regiões importantes para essa função. Muitas das áreas que perdem neurônios estão envolvidas em tarefas que requer atenção, planejamento e memória. A boa notícia é que com o exercício físico regular, esse déficit pode ser retardado.

Já é conhecido que idosos ativos fisicamente executam tarefas de atenção melhor que os não ativos. Nesse sentido, uma *pesquisa recente mostrou que participantes fisicamente condicionados apresentaram um rendimento melhor nos testes de atenção.

Além disso, estudos de imagem do cérebro durante o teste revelaram que as áreas cerebrais conhecidas em contribuir com o processo de atenção estavam mais ativadas em idosos fisicamente condicionados. Porém, o exato mecanismo responsável pela melhora da cognição em indivíduos idosos ainda não está totalmente esclarecido.

Tarefa de atenção

Quarenta e um indivíduos entre 55 e 79 anos realizaram uma caminhada de 1 milha (± 1600 m) e foram avaliados em uma tarefa de atenção no computador. Este tipo de teste de atenção é fácil para os jovens, mas se torna difícil com o decorrer da idade. Os participantes com boa condição física responderam com mais rapidez e com mais acertos. Testes de neuroimgem mostraram que certas áreas do cérebro (áreas relacionadas à atenção) estavam mais ativadas em indivíduos treinados.

Seguindo essa linha de raciocínio, estudos experimentais (em animais de laboratório) sugerem que o exercício aeróbio aumenta o número de neurônios, conexões entre neurônios, assim como a capilarização no cérebro. Dessa forma, acredita-se que tais alterações sejam responsáveis para esta melhora. Paralelamente, outros estudos indicam que o exercício físico previne a perda de neurônios no hipocampo, uma área importante para o aprendizado e memória.

Ainda tem sido observado que indivíduos ativos apresentam um risco menor para a doença de Alzheimer (uma doença degenerativa/progressiva que compromete o tecido cerebral causando diminuição da memória, dificuldade no raciocínio, de pensamento e alterações comportamentais).

Portanto, qual é a melhor forma para manter o cérebro funcionando adequadamente? De acordo com vários pesquisadores, se exercitar no início da vida e manter esta atividade ao longo da vida é o mais apropriado.

*Colcombe e col. Cardiovascular fitness, cortical plasticity, and aging. Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 101(9):3316-21, 2004.




Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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