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Tudo que abunda não prejudica... Será verdade?

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Perfeccionismo pode ser prejudicial

por Roberto A. Santos

Este cacófato, ou seja, a combinação de palavras que lembram o som de outra, não muito apropriada, especialmente em artigos sérios como os que este autor se propõe, é bastante conhecido. Porém, ele pode não conter toda verdade. Talvez a fama dessa máxima tenha se desenvolvido mais pela piada do que pela mensagem implícita.

Naturalmente, ao pensarmos em saldo bancário, não ficaríamos na dúvida quanto a sua validade absoluta. No entanto, até nesse caso, a fúria tributária de nosso país e os dissabores de negar empréstimos para aquele parente que estava sumido, colocariam em cheque o baixo grau do prejuízo gerado pelos excessos.

Entretanto, será que o valor desta máxima transcende a piada e alguns sonhos materiais? Será que se partíssemos do 'ter' para o 'ser', ainda concordaríamos que tudo que é demais não faz mal?

Na Década de 80, alguns psicólogos organizacionais definiram o conceito de descarriladores de carreira, como características de personalidade, normalmente positivas para o desempenho e ascensão profissionais, mas que mostram um lado perverso quando exacerbados.

Trazendo para uma linguagem atual e usual nas empresas de hoje, essas características são as competências pessoais. Por esta leitura, aspectos como atenção a detalhes, execução com qualidade, assertividade, expressão verbal e outras, bastante valorizadas pelas empresas, trariam consigo um potencial de derrapagem profissional e resultar num tombo desagradável.

Mais recentemente, na Década de 90, Robert Hogan, psicólogo norte americano, criou uma ferramenta de avaliação psicológica que mensura onze dimensões de personalidade com potencial de transformar um ponto forte num risco de sair dos trilhos. Essa possibilidade de revelar o "lado escuro da força", lembrando Darth Vader de Guerra nas Estrelas, costuma aparecer em situações de estresse, pressão, mudança e insegurança, e o pior é que, geralmente, a vítima não se dá conta.

Num livro recém-lançado, "Por que os executivos falham?", de Cairo e Dotlich, os autores discutem vários exemplos reais de sua prática de consultoria com executivos e líderes em geral, relacionados àquelas onze dimensões. Nos próximos artigos desta coluna, pretendo oferecer uma visão destes descarriladores, não com foco lá no alto da pirâmide hierárquica. Ao invés disso, vamos tratar de refletir como essas mesmas onze dimensões podem afetar profissionais em todos os níveis, e algumas idéias de como evitar que isso suceda.

Como um trailer de nossos próximos capítulos, vou adiantar um desses derrapadores. Para responder àquela fatídica pergunta de entrevistador no processo de seleção: "Quais são seus pontos fracos?". O candidato que utiliza o perfeccionismo como um ponto fraco, julga ter aplicado um cheque-mate no entrevistador que ele espera que pense: "Oh! Mas isto não é um defeito, é uma qualidade!" Ledo engano, meus amigos candidatos e entrevistadores. A preocupação excessiva com as mínimas minúcias e mais com a forma do que com o conteúdo de um trabalho, pode prejudicar uma carreira, tanto quanto o desleixo e desatenção total.

Ilustrei, certa vez, esse problema para um subordinado que sofria daquela qualidade: "Não adianta chegar no aeroporto, com sua melhor roupa, perfume, cabelo impecável, bagagem perfeitamente preparada, mas perder o avião e a reunião que poderia valer a quota do mês". Você poderá se revelar uma perfeição em matéria de apresentação pessoal, mas um desastre para os resultados da organização e, qualquer dia, para sua carreira.




Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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