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Filha ditadora, pais frouxos ou ambos? E agora, como impor limite?

Blenda de Oliveira 01/01/2016 PSICOLOGIA
Quem necessita tiranizar e controlar carrega questões de desamparo

por Blenda de Oliveira

"Procuro psicoterapeuta com experiência em terapia de família. Trata-se de crises repetidas de desentendimentos com minha filha. Agora se agravou, ela me agrediu fisicamente com beliscão forte."

Resposta: Esta é uma situação que precisa de urgente atenção. Provavelmente chegou nesse ponto porque a tensão foi crescendo e você como mãe não conseguiu segurar a autoridade.

Não ficou claro se moram só vocês duas, se o pai é presente e se há outros filhos. Tudo isso é muito importante para entender por que está tão só nesse embate. Filhos ditadores são resultado de um processo em que as figuras dos pais passam a ocupar o lugar daqueles que serão controlados pelos filhos de modo autoritário e tirânico. Por qualquer motivo as fronteiras hierárquicas desse relacionamento tornaram-se frouxas, praticamente inexistentes.

Para sua filha não deve ser fácil assumir a tirania dela com você, portanto, embora não pareça, causa sofrimento e não a ajudará a estabelecer relações saudáveis no futuro com amigos, parceiros amorosos ou na vida profissional.

Um filho ou filha que escraviza, tiraniza como déspota a relação com os pais, passa a ter sobre si mesmo uma ideia falsa de força e poder. No fundo são pessoas que se sentem desamparadas e desesperadas. De modo geral, pessoas que necessitam tiranizar, controlar e assustar carregam questões de desamparo, insegurança e baixa autoestima. Quase sempre viveram o mesmo em sua vida e reproduzem esse comportamento com outras pessoas. Claro, que pode haver também disfunções que não só psicológicas, mas químicas que acarretam quadros de enorme impulsividade e agressividade. Por isso a necessidade de se consultar um profissional, nesse caso, para avaliar os aspectos da dinâmica da relação, os aspectos psicológicos individuais e os aspectos, talvez, que estejam relacionados com a química.

Busque ajuda para retomar o leme do barco. Se o pai estiver com você deve ser envolvido, caso não tenha essa possibilidade do pai participar, caberá a você buscar urgentemente ajuda no sentido de se fortalecer e retomar sua autoridade de mãe. Não tenha medo e não ceda, desistindo da relação com sua filha. Lute, mas com orientação e conhecendo melhor quais seus pontos fortes e aqueles a melhorar para retomar a relação mãe e filha.

Boa sorte!

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Blenda de Oliveira

Doutora em psicologia clínica pela PUC-SP. Psicanalista pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP). Psicoterapeuta de adultos, adolescentes, crianças, famílias e casais. Atuante como Life Coaching em diversas áreas, utilizando essa metodologia para colaborar nos processos de sucessão familiar nas empresas.



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