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Tudo tem de ser só do jeito dele. O que eu faço?

Anette Lewin 01/01/2016 PSICOLOGIA
Muitas vezes submeter-se ao desejo do outro acaba se tornando um vicio

por Anette Lewin

Meu relacionamento é baseado em fazer tudo o que ele quer. Qualquer sinal de que não será assim, ele já se predispõe a abrir mão de tudo, se não for do jeito dele. Sinto-me muito mal e descartável com tudo isso.

Resposta: É importante refletir sobre por que você deixou a relação chegar a tal ponto de submissão de sua parte.

Para agradar?

Por medo de falar sobre suas vontades?

Para convencê-lo de que ele finalmente encontrou a alma gêmea que gosta das mesmas coisas que ele gosta?

Por preguiça de negociar com seu amado ou medo de desmistificá-lo?

Bem, seja qual for o motivo, seus desejos ficaram escondidos durante a fase da conquista e agora você quer resgatá-los, não é mesmo?

Pois é... muitas vezes submeter-se ao desejo do outro acaba se tornando um vicio. Primeiro porque é menos complicado ceder do que lutar. Segundo porque fornece uma recompensa imediata: a felicidade do outro. Mas, será que vale a pena?

Depende. Algumas pessoas têm seus desejos muito bem definidos e lutam bravamente por eles. Outras, não sabem exatamente o que querem, ou têm desejos mais difusos. São aquelas para as quais "tanto faz". De verdade. Esses posicionamentos com relação ao desejo, quando conscientes, não transformam as pessoas em melhores ou piores. Apenas as diferenciam. Caminhar decididamente na direção do desejo ou encontrá-lo no meio do caminho não determina seu valor. Essas duas posturas podem, inclusive, coexistir. O problema é quando a pessoa não se conhece o suficiente e vê o outro como o responsável pela determinação ou repressão de suas vontades. Aí a coisa pode complicar.

Se você, após refletir sobre tudo isso, chegar à conclusão que quer resgatar suas vontades, não se desespere! Sempre existe um jeito. Comece propondo alguma coisa que você quer, diferente daquelas que já geraram conflito, e tente não desistir dela frente à primeira negativa. Negocie, argumente, lute ou use aquela postura básica de "cada vez um". E não se esqueça daquele sorriso de gratidão se conseguir. É claro que esse novo posicionamento será desconfortável, pelo menos no início, e gerará algum risco de desistência de sua parte ou da dele.

Mas, caso a relação sobreviva poderá adquirir mais solidez. Caso você ache tudo isso muito complicado, existe a possibilidade de você deixar seu parceiro pilotar a relação de acordo com as vontades dele, e você tentar exercitar suas próprias vontades quando estiver sozinha, ou com pessoas que querem, ou gostam das mesmas coisas que você gosta. Muita gente vive assim. E se sente plenamente realizada!

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data.

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