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Exercício aeróbio melhora desempenho cognitivo em crianças com TDAH, indicam estudos

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Ricardo Arida

O Transtorno do Déficit de Atenção Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade que se manifesta durante infância.

Muitas vezes, o distúrbio só é reconhecido quando a criança ingressa na escola, pois é o período em que as dificuldades de atenção e inquietude são percebidas. Embora os tratamentos farmacológicos tenham mostrado comprovada eficácia em controlar os sintomas do TDAH, os efeitos adversos e custos elevados são fatores que interferem no tratamento.

No entanto, recentes estudos têm sugerido que o exercício físico aeróbio pode ser uma opção como coadjuvante na melhora do tratamento do TDAH. Essas informações são baseadas também a partir de pesquisas anteriores em crianças saudáveis, sugerindo que a participação em uma única sessão de exercício físico, com duração de pelo menos 20 minutos, pode ser benéfico para as várias funções cognitivas, como testes de leitura, de matemática e de concentração.

Considerando que o TDAH representa uma das desordens mais comuns da infância (ver estudos da população dos EUA)(1,2), tem surgido um crescente interesse em utilizar o exercício físico como estratégia de tratamento não farmacológico para reduzir os efeitos e os custos associados com o uso prolongado de drogas para o tratamento do TDAH. Nesse sentido, um trabalho foi publicado na última edição da revista “Journal of Pediatrics” sobre este assunto (3). O objetivo desse estudo foi examinar o efeito de uma única sessão de exercício aeróbio em crianças com TDAH, utilizando medidas de função neurocognitiva e desempenho escolar. Os resultados mostraram que as crianças com TDAH, assim como crianças saudáveis exibiram melhor desempenho nesses testes após o exercício físico.

Esses novos achados sugerem que poucas sessões de exercício físico pode ser um tratamento coadjuvante eficaz no tratamento do TDAH. De acordo com esses resultados, um estudo prévio sobre os efeitos de um programa de exercício físico (10 semanas) também mostrou uma melhora no defícit de atenção de crianças  com TDAH (4).

No entanto, mais estudos são necessários para entender melhor como a participação de um programa de atividade física pode interferir positivamente no TDAH. É importante ressaltar que ainda não existe uma clara compreensão sobre o tempo dos efeitos de uma única sessão de exercício exerce em crianças com TDAH, isto é, a persistência  dessas modulações induzidas pelo exercício. Das limitadas pesquisas existentes, alguns estudos mostram que o exercício agudo pode exercer uma influência apenas em curto período de tempo sobre os aspectos cognitivos, enquanto outros estudos mostram melhorias por períodos mais prolongados.

Certamente, será tópico importante de futuras pesquisas a caracterização da duração dos benefícios de exercício, considerando que diferentes variáveis como intensidade e duração da sessão do exercício, assim como diferenças individuais e tipos de testes da função cognitiva utilizados podem mostrar diferentes resultados. Campanhas específicas poderiam ser lançadas nos meios de comunicação para informar/estimular e aumentar a inclusão de crianças com TDAH em programas de atividades físicas.

1. American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 4th ed. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2000.

2. Biederman J. Attention-deficit/hyperactivity disorder: a life-span perspective. J Clin Psychiatry 1998;59:4-16.

3. Pontifex MB, Saliba BJ, Raine LB, Picchietti DL, Hillman CH. Exercise Improves Behavioral, Neurocognitive, and Scholastic Performance in Children with Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder. J Pediatr. 2012 Oct 17.

4. Verret C, Guay MC, Berthiaume C, Gardiner P, Beliveau L. A physical activity program improves behavior and cognitive functions in children with ADHD: an exploratory study. J Atten Disord 2012;16:71-80.




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Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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