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Estudo comprova relação de excesso de peso com câncer

Jocelem Salgado 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Jocelem Salgado

A correria das grandes cidades, a industrialização crescente e a falta de tempo têm provocado mudanças significativas nos hábitos alimentares das pessoas nos últimos anos. A hora do almoço em casa, junto com os familiares, tem sido trocada pelo famoso prato feito, pela comida no peso dos self-services e pelos sanduíches dos fast-food.

Além disso, em um mundo cada vez mais urbano e globalizado, com grandes exigências de cumprimento das jornadas profissionais, as pessoas estão diminuindo as atividades físicas expontâneas e programadas. As escadas rolantes, elevadores, controles remotos, carros e até mesmo os telefones sem fio, realizam nossas tarefas e favorecem o sedentarismo.

Por conta de toda essa mudança, o problema do excesso de peso no Brasil já é mais grave do que a fome. Calcula-se que 50% da população esteja com quilos a mais do que deveria. Segundo dados recentes do Ministério da Saúde, são cerca de 70 milhões de brasileiros com sobrepeso (índice de massa corporal -IMC- entre 25 a 30) e cerca de 18 milhões de pessoas obesas, com IMC maior que 30. Entre as crianças e adolescentes, a obesidade cresceu 240% nas últimas duas décadas.

Mas não é só o nosso país que está engordando, o planeta como um todo também passa pelo problema. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde classificaram o problema do excesso de peso como epidemia mundial. Dos seis bilhões de habitantes do mundo, 1,4 bilhão está com excesso de peso e mais de 300 milhões são clinicamente obesos.

Novo estudo comprova relação de excesso de peso com câncer

Um recente relatório da Organização Mundial de Saúde (WHO) - “Obesidade: Prevenindo a Epidemia Global” - chamou a atenção para o problema que mais assusta médicos e pesquisadores em relação ao excesso de peso, ou seja, a estreita relação da obesidade com outros problemas crônicos como o diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Com relação ao câncer, estudos anteriores já tinham demonstrado que a obesidade e até mesmo o sobrepeso poderiam causar a doença em mama e cólon. Agora, um novo estudo conduzido pela “British Medical Association - University of Manchester” e “University of Bern” – Suíça, divulgado esta semana, sugere que a obesidade pode também causar outros tipos de câncer, tais como os de esôfago, tireóide, rim, útero e bexiga.

A pesquisa avaliou dados de 141 estudos anteriores e incluiu 280.000 casos dos Estados Unidos e Europa. O objetivo do estudo era encontrar uma relação entre o Índice de Massa Corporal e o risco de câncer.

Homens com 15 kg acima do peso normal

- Aumento de 52% do risco de câncer de esôfago, 33% para câncer de tireóide e 24% para câncer de cólon e rim.

Mulheres com 13 kg acima do peso normal

- Mulheres com13kg acima do peso normal mostraram um risco de 62% para câncer de útero e bexiga, 51% para câncer de esôfago e 34% para câncer de rim.

Os pesquisadores não sabem ainda quais são os mecanismos exatos pelos quais a obesidade leva ao câncer. Há algumas hipóteses que necessitam de mais estudos, mas o mecanismo mais provável, defendido por muitos estudiosos, é aquele em que as células gordurosas afetam negativamente a regulação hormonal.

Isto poderia aumentar o risco de diferentes tipos de câncer.

Além disso, os especialistas garantem que a obesidade promove naturalmente um meio favorável para o desenvolvimento de tumores, uma vez que as células, incluindo as cancerígenas, crescem mais facilmente quando a quantidade de calorias no organismo é abundante.

Calcule seu IMC

Você pode calcular seu Índice de Massa Corporal - IMC usando a fórmula abaixo. Compare o resultado com os dados da tabela de classificação apresentada a seguir: IMC é igual ao peso divido pela altura ao quadrado

IMC = peso/Altura x altura

IMC CLASSIFICAÇÃO

Menor que 18,5  PESO DEFICIENTE
18,5 – 24,9  PESO NORMAL
25 – 29,9  SOBREPESO
Maior que 30  OBESO
Maior que 40  OBESIDADE MÓRBIDA

* O IMC não é medida adequada para atletas, crianças, mulheres grávidas e
idosos frágeis.

Ex: Uma pessoa com com 77 kg e 1,75 de altura

1.75 x 1,75 = 3.0625

77 dividido por 3.0625 = 25.14 o IMC


Mantenha seu peso ideal e fuja do risco

Há ainda muito que aprender sobre como a obesidade afeta o risco de câncer, mas nós sabemos que evitar o ganho de peso em excesso ou emagrecer, pode beneficiar sua saúde e suas formas, incluindo redução do risco de inúmeras doenças. Até mesmo uma pequena perda de peso pode trazer benefícios. A seguir, algumas dicas para você manter seu peso ideal e evitar o risco de câncer:

- Faça uma dieta à base de vegetais, rica em variedades de frutas, legumes, verduras, grãos integrais e alimentos minimamente processados. Esses alimentos são pobres em gordura e ricos em fibras, vitaminas e minerais;

- Prefira carnes de peixes e aves sem pele; limite o consumo de carnes vermelhas para 80-100g/dia;

- Não abuse de alimentos gordurosos, particularmente os de origem animal. Evite frituras, embutidos (linguiças, salsichas, salames etc), molhos de salada, maionese, etc. Dê preferência a óleos vegetais (uso moderado) como o azeite de oliva e laticínios desnatados;

- Limite o consumo de doces, sorvetes, refrigerantes, etc; esses alimentos são ricos em açúcares simples e gordura;

- Cuidado com o excesso de sal no preparo dos alimentos e com o consumo de produtos industrializados ricos em sódio. Para melhorar o sabor dos pratos em geral e diminuir a adição de sal, use e abuse de ervas, cebola e alho.

- Não consuma ou limite o consumo de bebidas alcóolicas e não fume;

- Faça uma atividade física regular, pelo menos 3 vezes por semana.




Jocelem Salgado

Profa. Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros: "Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento" e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir e Controlar Doenças", editora Madras



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