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Existem muitas coisas preciosas dentro de você. Descubra-as!

Patricia Gebrim 01/01/2016 AUTOCONHECIMENTO
Será que precisamos mesmo fugir de nós mesmos?

por Patricia Gebrim

Às vezes os dias se tornam bastante frios aqui em São Paulo, o que acaba fazendo com que, em busca de um lugar quentinho, a gente mergulhe mais fundo lá dentro da gente. Uma certa interiorização é inevitável. As ruas ficam mais vazias, bem como as prateleiras de DVDs nas locadoras. Nada como um sofá, um cobertor e um filme bacana em um desses dias de frio mortal!

Para algumas pessoas não há nada melhor. Nada melhor do que explorar a própria caverna, estourar pipocas e celebrar a existência desse lugar que é só nosso. Nada melhor do que fugir um pouco das obrigações, pois muitas vezes até mesmo sair e se divertir se torna uma espécie de obrigação. Nada melhor do que uma sopinha quente e meias coloridas de lã aquecendo nossos pés. Eu adoro meias coloridas... quando olho para meus pés envolvidos naquela explosão de cores fofinhas sinto uma liberdade que aquece mais do que meus pés... aquece minha alma!

Mas não é assim com todos.

Algumas pessoas não conseguem ficar em paz consigo próprias. Não conseguem parar, diminuir o ritmo, desfrutar da própria companhia. Na verdade muitas não conseguem passar uma única tarde pacífica na presença de seu próprio ser. Precisam estar sempre com alguém, ou fazendo algo. Não relaxam nunca e, se você parar para pensar, vai perceber que algumas pessoas precisam estar sempre em movimento, pois na verdade temem o encontro consigo mesmas. Como se lá dentro delas morasse uma espécie de monstro muito assustador e a única maneira de mantê-lo adormecido seria estar sempre longe dele.

Pessoas assim nunca podem voltar para casa, para essa casa interna, para seu próprio Eu. Precisam viver fora, na rua, na casa de outras pessoas.

Imagine se isso fosse algo real... imagine que agora mesmo tivesse um horrendo monstro adormecido morando lá na sua casa... Mesmo com o maior frio, mesmo se tudo estivesse congelando e você tivesse que passar a noite correndo pelos corredores do escritório onde trabalha, isso seria melhor do que voltar para casa e ter que correr o risco de despertar o monstro. Muitas pessoas vivem assim.

Acabam se tornando viciadas em trabalho, ou em compromissos sociais, ou acabam tendo que estar sempre grudadas a outro alguém. Tornam-se dependentes de coisas que as mantenham ocupadas e as mantenham longe de suas casas, longe de seus próprios Eus.

O fato é que, de tanto ficar longe, já nem sabem direito quem é que mora lá dentro delas, e abrem cada vez mais espaço para suas fantasias, que as assombram com histórias sobre dragões que matam pessoas com suas labaredas de fogo e leões gigantes devoradores de cabeças.

Será que isso é mesmo verdade? Será que existe mesmo um monstro tão assustador lá dentro de você?
Há quanto tempo você não se aquieta e faz uma visita a seu próprio Eu? Há quanto tempo não se senta carinhosamente a seu próprio lado, sem tanto preconceito? Há quanto tempo não olha no espelho com interesse por aquela pessoa que o fita do lado de lá?

Será que precisamos mesmo fugir de nós mesmos?

Pois eu lhes direi o que penso... Acredito que o que quer que exista lá, dentro de você, precisa da sua presença e atenção. Se existir mesmo um monstro, ele precisa da sua presença pois você é o único capaz de curá-lo.
Ao aceitar olhar para dentro, eu lhes digo com toda a certeza que vem da minha alma, você encontrará muito mais do que monstros assustadores. Você encontrará heróis, sábios, guerreiros. Você encontrará vastos espaços cheios das coisas mais maravilhosas. Lindos cristais, fontes sagradas, sabres de luz, arcas de tesouros. Você encontrará sua luz, sua verdade e toda a sabedoria necessária para transformar esse dragão no seu maior protetor.

Você não vai permitir que o medo de um dragão o impeça a se apropriar de toda a beleza que espera por você, vai?




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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