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Puxaram meu tapete ... e agora?

Patricia Gebrim 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Jamais traia a si mesmo

por Patricia Gebrim

Vez ou outra, em sua história de relacionamentos, você se decepcionará com alguém. Pode ser um colega de trabalho, um amigo, um parceiro amoroso. Acontece assim: alguém em quem você confiou, a quem deu o seu melhor, de repente tem uma atitude que desrespeita ou fere você, uma atitude tão inesperada quanto um piano caindo de um prédio bem em cima da sua cabeça! Tóóóinnnnn.... Quem nunca viveu algo assim?

Nessas horas fica na boca aquele gosto ruim de coisa amarga, como o chantilly que desanda e vira manteiga. Acabou-se o que era doce... Alguns sentem tristeza, outros espumam de raiva, mas nada apaga a dor de sentir-se traído, enganado, desrespeitado, atropelado. Dói mesmo. Eu sei.

O que você faz em um momento assim? Quando finalmente tiram os destroços do piano de cima de você, com o corpo doído e a cabeça cheia de galos, o que você escolhe fazer? Você reage vingativamente? Afasta-se e congela? Procura conversar com a pessoa? Passa a falar mal dela para outros?

Pare um pouco a leitura, tente encontrar uma situação real de sua vida e traga para a sua consciência:

_ Qual costuma ser a sua atitude quando alguém decepciona você?

O que fazer quando alguém decepciona você?

Por incrível que pareça esse é um daqueles momentos especiais que nos proporcionam uma ótima oportunidade para crescer. Assim, se puder, evite simplesmente reagir a partir do que está “sentindo”, ou você correrá o risco te ter uma atitude meramente vingativa que de nada o ajudará. O dano já aconteceu, de que adianta torná-lo ainda maior? Fique quieto, dê a si mesmo um tempo para que a onda emocional se acalme.

Procure avaliar se existiu alguma parte sua que permitiu que aquilo acontecesse. Será que você confiou naquela pessoa cedo demais? Deixou-se seduzir? Foi ingênuo? Foi ansioso? Não prestou atenção aos sinais que sua intuição lhe enviou? Pergunte-se e ouça a si mesmo sem medo. Tudo bem se você descobrir que confiou cedo demais... ao menos saberá como agir em uma próxima vez. Não julgue a si mesmo, não se culpe, apenas tente aprender.

Entenda que existem todos os tipos de pessoas no mundo, desde as mais conscientes e generosas, àquelas que fazem mal conscientemente para conseguir algo que só beneficiará a si próprias. A meu ver, maior parte das pessoas se encontra bem no meio, entre esses extremos. Têm tão pouca consciência que nem percebem o quanto estão lesando ou ferindo quem está a seu lado. São maldosos sem nem perceber.

Vivemos hoje um momento planetário de muito contraste. Ao mesmo tempo em que aqui e ali despontam pessoas cada vez mais conscientes dessa teia que nos conecta com cada ser vivo do planeta; existem pessoas que continuam teimosamente agarradas a uma visão egoísta e individualista que só leva em conta seus próprios propósitos. Como se duas raças muito diferentes convivessem lado a lado, com valores e níveis de consciência absolutamente diversos. Por isso à vezes temos a essa sensação de que existem pessoas “horríveis” circulando por aí. Quanto mais luminosa se torna uma parcela da população, mais sombria nos parece a outra.

Se pensarmos assim, me parece óbvio afirmar que cabe àqueles que tem um maior nível de consciência se posicionarem de forma mais luminosa, abrindo caminho para aqueles que estão menos conscientes para que possam se elevar um pouco mais. O que não se pode permitir é que os mais conscientes se percam de seus valores e ética... um desafio e tanto!

Assim, voltando ao tema deste artigo, se alguém feriu você, não se perca de si próprio. Tente encontrar uma forma de lidar com a situação sem perder-se de seus valores , mesmo que o outro tenha valores diferentes dos seus.

Expresse-se

Preserve-se, é claro. Amar ao próximo não tem nada a ver com arriscar o próprio pescoço. Se for possível, procure expressar a sua visão do ocorrido. Espere a raiva passar e depois tente comunicar ao outro a sua percepção, seja em uma conversa, uma carta, um e-mail. Encontre a sua forma de fazer isso, sem agredir, sem reagir, sem atacar. Apenas mostre ao outro o que a atitude dele causou em você. Como você se sentiu com aquilo.

A pessoa pode perceber que foi inadequada e se desculpar com você, mas nem sempre isso irá acontecer. Muitas vezes a pessoa vai optar por jogar toda a responsabilidade sobre suas costas e ocupar o lugar de vítima. Pode agir como se você fosse louco por estar lhe dizendo essas coisas. Pode ainda nem querer ouvir o que você tem a dizer, pode rasgar sua carta sem nem mesmo ler.

Não importa! A partir do momento que agimos de acordo com o que se passa em nossa consciência, ficamos automaticamente em paz.

Feito isso, siga seu caminho. Afaste-se da pessoa, caso seja necessário. Não para puni-la, mas para preservar a si mesmo. Temos todo o direito de escolher as pessoas com as quais desejamos ou não nos relacionar.

Ao agir dessa maneira você se torna uma presença benéfica, não só para si mesmo, mas para todos os que cruzam seu caminho. Mesmo para aqueles que não possam, num determinado momento, perceber isso, a sementinha de consciência ficará lá, plantada... quem sabe um dia a pessoa tome um pouco mais de chuva e a sementinha possa finalmente brotar? Coisas assim acontecem, eu sei.

Não importa que atitudes tenham as pessoas, jamais traia a si mesmo, jamais se perca de seus valores maiores e não permita, nunca, que sua luz se apague.




Patricia Gebrim

É Psicóloga Clínica, atua numa abordagem transpessoal. Seu trabalho é direcionado a favorecer o autoconhecimento e a transformação das crenças limitadoras que nos mantêm aprisionados a padrões repetitivos de escolhas. É escritora, publicou 'Gente que mora dentro da gente' e o best-seller 'Palavra de Criança' pela editora Pensamento



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