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Estilo de vida esportivo se adquire na adolescência

Renato Miranda 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Estilo de vida esportivo se adquire na adolescência
Fonte: Google Imagens
Adolescência: fase de instabilidade e adaptação psicofísica

por Renato Miranda

Se pais desejarem que seus filhos se tornem adultos saudáveis e ativos fisicamente para que possam usufruir melhor da vida, devem estimular a prática esportiva na rotina dos filhos e preferencialmente também praticarem algum esporte ou exercícios físicos.

O comportamento ativo dos pais sugere muito mais impacto na influência do que palavras.

Erroneamente muita gente pensa que a criança ao ingressar no aprendizado de alguma modalidade esportiva está, desde já, firmando um contrato tácito a vir a ser um atleta. Nada disso, a prática esportiva desde cedo fomenta em pressuposto, entre outras coisas, o interesse pela cultura física e a conscientização da necessidade em cuidar da saúde, que aos poucos, sedimenta um estilo de vida ativa de maneira perene.

Por volta dos 12 anos, portanto no início da adolescência, os jovens já podem ter experimentado vários tipos de atividades e esportes, mas nessa fase já é possível perceber alguns benefícios da prática esportiva, tanto no aspecto físico (força, coordenação, resistência etc.) como no aspecto psíquico (concentração, persistência, otimismo, etc.).

No entanto, a adolescência que é caracterizada por uma fase de instabilidade e adaptação psicofísica muito marcante, é comum que jovens demonstrem vontade de trocar de esporte, seja por insatisfação, por curiosidade em conhecer outra modalidade ou mesmo sem nenhum motivo aparente.

Como a escola nem sempre oferece um bom leque de modalidades esportivas, os pais acabam sem saber o que fazer e ao mesmo tempo ficam pressionados a oferecer opções de práticas esportivas; seja pela compreensão da importância do esporte na vida dos jovens, ou mesmo pelos próprios filhos. Em muitos casos, jovens mal começam a praticar um esporte e já pensam em mudar para outro ou simplesmente demonstram insatisfação e desânimo.

Com muita atenção dos pais é possível amenizar essa situação. Qualquer desejo ou mudança propriamente dita de um esporte para outro precisa ser bem avaliada. Em primeiro lugar é fundamental descobrir o verdadeiro motivo do desejo da mudança: se é alguma insatisfação com o professor, ou por influência dos colegas ou até por uma questão de infraestrutura (outro esporte em um lugar melhor) e ainda outros fatores.

Em segundo lugar sugiro que os jovens mudem de esporte somente após completar um período mínimo de experiência, para que possam descobrir elementos significativos para fazerem uma autoavaliação a respeito de sua identificação com determinado esporte. Isso se justifica pelo simples fato de muitas atividades, no início para muitos, parecem aborrecedoras, mas depois de algum tempo, se tornam maravilhosas (os adultos sabem muito bem sobre isso!).

Esse período de experimentação inicial pode ser proposto após os próprios pais, em conjunto com os profissionais envolvidos, analisarem as várias variáveis que podem influenciar a participação dos filhos em determinado esporte, como por exemplo: nível de exigência (para saber se está muito além do potencial do(a) jovem e isso gera ansiedade, ou muita aquém do(a) jovem, o que produz aborrecimento, tédio.

Além disso, avaliar se há necessidade de novas descobertas que poderão surgir com a nova prática esportiva, como por exemplo, um possível talento especial. Se há conflitos de interesse entre a instituição e os desejos dos jovens, estratégias didáticas de insistência inadequadas e outras variáveis.

Por último, há de se ter um período mínimo de prática esportiva, até que os jovens atinjam metas básicas, que muitas vezes serão motivo para a permanência do jovem no esporte e descoberta de novos desafios ou para sua definitiva mudança de prática esportiva.

Essas ditas metas básicas, em exemplo poderiam ser (segundo algumas modalidades, em exemplo):

No futebol: aprender a executar os fundamentos técnicos básicos (passe, chute, condução de bola, etc.).

Na natação: aprender a nadar um estilo qualquer e ter noções dos demais. E assim sucessivamente em outros esportes.

Além do aspecto técnico e tático básico, é importante também aprender a se esforçar ao máximo e descobrir alguns limites próprios, aprender a importância de estabelecer rotinas de comportamento (pontualidade, compromisso, assiduidade, obedecer ordens, etc.).

Essa estratégia pode auxiliar na inoculação de um caráter intempestivo, inseguro e até certo ponto arrogante (ao não querer se submeter a nada que de imediato não o agrade). Ademais, com o tempo e dedicação surgirá o que se consagrou denominar estilo de vida esportivo.

TAGS :

    esportes, adolescência

Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).

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